Depois de a primeira viagem regular para o transporte marítimo de passageiros no percurso Porto de Luanda/terminal do Capossoca, no distrito urbano da Samba, realizada na semana passada, ter registado uma afluência reduzida de viajantes, o movimento aumentou nos últimos dias, conforme constatou a nossa reportagem, na segunda-feira, 14.

Francisco Domingos, 38 anos, é um dos mais de cinco mil passageiros que fazem as seis viagens diárias, três entre as 5 e as 9 horas e as restantes entre as 15 e as 18 horas. “Saio de casa às sete horas, apanho o catamarã e chego ao local de trabalho às oito horas e 30 minutos; o que é muito bom porque se viesse de carro teria chegado às 10 horas”, disse.

O transporte marítimo tem registado um considerável fluxo nos últimos dias. No local, o JE constatou que, na parte da manhã, estavam em maior número os que saíam do Sul de Luanda em direcção à Baixa da capital, onde se concentram muitas sedes de empresas, direcções de instituições do Estado e ministérios. Manuel Paulo Teixeira é um desses passageiros que afluiu ao terminal do Capossoca no período da manhã.

A viagem, com a duração média de 40 minutos, que varia em função das condições técnicas e meteorológicas, ocorre, segundo a empresa italiana Sociedade de Navegação de Alta Velocidade (SNAV), dentro dos padrões internacionais.

Os mais de cinco mil passageiros que usam os dois catamarãs optam pelo transporte marítimo do Porto de Luanda ao Capossoca, porque é um meio rápido, confortável e seguro para fugir aos engarrafamentos nas ruas, principalmente para quem vem da zona Sul da capital em direcção à Baixa.

“Quando viajava de carro demorava três horas para chegar à Baixa de Luanda, por causa dos constantes engarrafamentos na via da Samba. No catamarã a viagem é de apenas 40 minutos”, frisou Mariano Rui.

A chefe do terminal, Delfina Tati, explicou ao JE que as viagens têm decorrido sem sobressaltos. “A primeira experiência com passageiros correu bem e foram cumpridos os horários. Os terminais marítimos têm aberto normalmente e a afluência tem aumentado todos os dias”, disse.

Já Sílvia Jacinto, de 42 anos, aplaudiu a iniciativa e gozou da experiência de viajar por mar. A passageira aguardava a chegada do catamarã no Porto de Luanda, de regresso ao Capossoca. “A oferta de transporte marítimo foi um alívio porque estava cansada dos engarrafamentos no trânsito e ainda podemos contar com um preço acessível de 250 kwanzas”, avaliou Sílvia, que desconhecia que afinal o Executivo está a subsidiar parte dos custos da viagem dos transportes marítimos de passageiros em cinquenta por cento do valor, segundo revelou recentemente o ministro dos Transportes, Augusto Tomás. “Tomamos cautela, para não tornar mais pesadas as despesas de transporte das nossas populações. O Executivo vai subsidiar parte dos custos das viagens, em cerca de cinquenta por cento”, informou o responsável.

Já o director-geral do Instituto Marítimo e Portuário de Angola, Victor de Carvalho, avançou que a implementação do projecto faz parte de um amplo programa de projectos integrados com vista ao desanuviamento do fluxo de trânsito na capital, facilitando a circulação de pessoas e bens, melhorando a qualidade de vida das populações.

Victor de Carvalho manifestou-se satisfeito por as embarcações estarem a funcionar dentro dos horários estabelecidos e considerou a venda de bilhetes funcional.

No terminal do Capossoca, estão todas as condições criadas, desde o estacionamento para as viaturas, um espaço com restaurantes e lojas. Chegadas ao barco, as pessoas dispõem de um espaço acolhedor com televisão e um som ambiente. No terminal encontram logo os autocarros com rotas que facilitam a deslocação para os pontos-chave da zona.

Emília de Oliveira, de 30 anos, que trabalha na CPC África, empresa responsável pela gestão do estacionamento do terminal do Capossoca, explicou que o parque tem capacidade para 140 viaturas, que pagam 50 kwanzas por hora, e é assegurado por três vigilantes.

Com efeito, é exactamente a exiguidade do espaço de estacionamento que preocupa os passageiros. “O estacionamento já não responde à procura. Se chego depois das sete horas não encontro lugar, pelo que tenho de estacionar ao longo da estrada”, lamentou Ana Pinto.

Muitos passageiros preferem deixar as viaturas em casa e optam por pagar o bilhete intermodal da classe económica por 300 kwanzas, que inclui o transporte de autocarro da empresa TCUL, da zona de residência ao terminal marítimo, e, na sequência, a viagem de catamarã. “Com a abertura de mais terminais, espero que seja uma rotina deixar a minha viatura em casa e só poder usá-la no fim-de-semana”, revela Tiago Agostinho.