O processo de diversificação económica e a consequente especialização produtiva, ao nível do mercado interno e das exportações, não deve ser feito de maneira espontânea e difusa, mas sim na base de uma coordenação adequada entre os investimentos públicos e privados.
Por isso, cabe ao Estado o papel de agente fomentador, catalisador, regulador e coordenador do desenvolvimento económico e social.
A experiência internacional ensina que o Estado pode ter um papel fundamental na aceleração do desenvolvimento económico em particular nas primeiras fases do desenvolvimento dos clusters e de actividades económicas emergentes.
Com a excepção das especificidades do petróleo e dos diamantes, os resultados que têm-se colhido com experiências de intervenção estatal, desde a Uigemex até à Ferrangol e a Endiama, não constituem um portfólio sólidos onde se pode ir buscar resultados e ensinamentos positivos.
Assim, um dos objectivos do Prodesi é aumentar a eficiência da economia nacional contribuindo para o aumento do PIB e para a criação do emprego e do aumento da base material das famílias.
Visa ainda conferir rigor à actuação do funcionalismo público, no domínio dos serviços públicos prestados aos agentes económicos, melhorar substancialmente o ambiente de negócios em Angola bem como melhorar a qualidade do capital humano nacional.
E por forma a melhor e controlar o impacto a nível sectorial, o programa prevê a quantificação de metas concretas a atingir por cada cluster, tanto no que respeita à diversificação das exportações, como na substituição de importações.
Os cinco objectivos definidos pelo programa, nomeadamente, produção de bens, redução de dispêndio de recursos, aumento de cambiais, de investimento, assim como melhorar o ambiente de negócio, serão aumentados em 50 por cento até o final de 2022.
Em virtude do actual estado imperfeito das informações estatísticas existentes, estes objectivos devem ser encarados como preliminares e sujeitos a revisão em cada tres meses.
Para as fileiras exportadoras prioritárias e às de substituição de importações os objectivos também são preliminares e sujeitos a revisão.

Substituição das importações
Existe um elevado potencial de redução da necessidade de dispêndio de divisas por via da promoção da substituição das importações. Estima-se que, por cada mil milhão de dólares despendido actualmente em importação, seja suficiente para investir 200 milhões de dólares para criar um tecido empresarial nacional capaz de suprir as mesmas necessidades com a produção local.
Por exemplo, em 2015, foram realizadas importações de produtos da agroindústria, pesca e de outros produtos industriais de cerca de 2,9 milhões, 232 milhões e 2,8 mil milhões de dolares, respectivamente. Estes valores, segundo o programa, indiciam o elevado potencial de substituição de importações por produção nacional.

Diversificação de exportações
O programa assegura que Angola dispõe de recursos para ser um país exportador de referência no comércio internacional.
Como referência, o documento aponta que no ano 1974, as exportações dos 15 principais produtos não petrolíferos representavam cerca de 44% do total das exportações nacionais.
No mesmo ano, o valor das exportações desses bens ascendeu a cerca de 554,1 milhões de dólares que, segundo o programa, representariam hoje, 27 vezes o total das exportações de Angola em 2016 (142 milhões de dólres), retirando às exportações actuais, o petróleo e os diamantes.
O programa destaca que, mesmo considerando que o contexto e os factores de competitividade de 1974 são diferentes do momento actual, é inegável admitir que o potencial de exportação nacional é evidente.

Clusters e fileiras
As iniciativas previstas no Prodesi para cada uma das fileiras exportadoras prioritárias, certas fileiras deverão ser tecnicamente avaliadas para que os programas de apoio promovidos pelo Prodesi sejam viáveis e sustentados.
Assim, o calendário detalhado das actividades, bem como a indicação de responsáveis e líderes das iniciativas, deverá ser preparado nos próximos 3 meses, a partir do mês de Maio.
Assim, para alguns produtos previstos para exportação passarão a ser detalhados em algumas iniciativas preliminares.

Sectores prioritários
No que toca, as commodities, o Prodessi refere que a nível do café deve-se analisar o nível de implementação do programa de aumento, que almejava uma produção de 30 mil toneladas e exportação de 400 mil sacos em 2017;
No que tange aos cereais deve-se analisar também o nível de implementação e de aumento da produção (milho e arroz), que almejava uma produção de 1,5 milhões de toneladas de milho e 47 mil toneladas de arroz em 2017
Nesse momento, prosseguem igulamente os estudos para se diagnosticar os constrangimentos na sua execução e assegurar a recolha sistemática de dados actualizados sobre a procura e oferta nacional na fileira.
Quanto a indústria têxtil, o programa sugere que se deve também analisar o nível de implementação da estratégia de operacionalização da cadeia de valor do algodão de 2015 que definia as medidas para o relançamento da produção com objectivo atingir em 2017 uma produção de 25 mil toneladas de algodão que alimentaria toda a cadeia de valor.
No entanto, a prossecução dos objectuivos definidos pelo programa, só terão êxito uma vez que se criem parcerias com o sector privado nacional.