Já passam cinco anos desde que a Café Africa International (CAI), um grupo de pesquisa com sede na Suíça, afirmou que a África deverá voltar a liderar a produção global nos próximos cinco anos, propriamente em 2023, ano em que o continente passa a ser o maior fornecedor de café para os mercados mundiais, que estão a consumir hoje mais do que nunca, cada vez mais o produto.
A razão do incremento da produção está relacionada com o aumento dos incentivos para tentar reverter a queda acentuada da produção iniciada há mais de cinco anos atrás em países africanos como os Camarões, Etiópia, Gana, Uganda, Senegal e outros. Entre os incentivos estão a concessão de financiamento e plantas de alta produtividade, além de métodos modernos para a renovação de cafezais e uso de novas propriedades.
De acordo com dados do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos da América (USDA), a produção africana deve totalizar 16 milhões de mudas até final de 2018, passando de 20 para 40 milhões de mudas em 2023 e mais 50 milhões em 2025. A Etiópia, o maior produtor de café da África Subsaariana, ocupa apenas a quinta posição em termos globais, responde por 10 por cento da produção mundial, cerca de 6,3 milhões de sacas de 60 quilos por ano.
África produz 12 por cento do café mundial. As suas espécies, muito apreciadas, são cultivadas essencialmente para exportação. Mas o mercado internacional vê-se hoje ameaçado pela queda dos preços e dos efeitos das alterações climáticas.
A produção total de café na Etiópia e no Uganda, que representam mais de 60 por cento da produção de África, será de 10,9 milhões de mudas este ano. afirma o USDA.

Brasil mantém
hegemonia mundial

O Brasil estima que a sua colheita de café para este ano deve chegar aos 50,9 milhões de mudas, ou seja, mais de um terço da produção mundial, uma produção que lhe permite manter a hegemonia no que diz respeito a produção e exportação de café.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção total de café na safra 2017/2018 vai se manter praticamente estável, com um ligeiro incremento da produção. De acordo com números da instituição, a safra de café arábica está prevista em 36,678 milhões de sacas de 60 kg, pequeno aumento ante as 36,659 milhões de sacas na projecção divulgada em Junho. Em relação ao ciclo passado, o volume estimado representa queda de 14,7 por cento.
Já a produção de café conilon será superior a 9,827 milhões de sacas, ligeira redução em relação aos 9,863 milhões de sacas do levantamento divulgado no mês passado.
A estimativa da produção do ano em curso pode atingir os 2.782.289 toneladas, ou 46,4 milhões de sacas de 60 kg, representando um aumento de 1,7 por cento em relação ao mês anterior. Os dados foram influenciados pelos aumentos das estimativas de produção do café arábica em São Paulo e do café canephora em Rondônia. O GCEA/SP informou aumento de 19,7 por cento na estimativa da produção este mês, após revisão positiva da área a ser colhida (17,3%) e do rendimento médio (2,1%).
Ao todo, São Paulo deve colher 231.321 toneladas do arábica, ou 3,9 milhões de sacas de 60 kg. Em Rondônia, segundo o GCEA/RO, a estimativa da produção do café canephora alcançou 127.903 toneladas, ou 2,1 milhões de sacas de 60kg, aumento de 12,8 por cento em relação ao mês anterior. Os preços compensadores têm incentivado maiores investimentos nas lavouras daquele país da América do Sul. IB

Consumo mundial crescerá 1,2 por cento este ano

A produção mundial de café prevista para a safra 2017-2018 está estimada em 159,66 milhões de mudas de 60 quilos, volume que representa um crescimento próximo de 1,2 por cento em relação à safra anterior. Essa performance positiva é atribuída directamente ao aumento de 12,1 por cento verificado na produção do café robusta, o qual compensou de certa forma uma ligeira redução de 4,6 por cento ocorrida no volume produzido do café arábica, em comparação com o período anterior.
Os volumes de produção de café arábica e robusta foram estimados, respectivamente, em torno de 97,43 milhões e 62,23 milhões de sacas neste ano-safra 2017-2018 objeto desta análise.
Com essa produção estima-se que no ano cafeeiro 2017-2018 haverá um pequeno superávit de 778 mil da produção em relação ao consumo, o qual será de 158,88 milhões de sacas.
O ano cafeeiro 2016-2017 também apresentou superávit de 312 mil sacas. No entanto, os dois anos-safra anteriores (2014-2015 e 2015-2016) registraram déficits de aproximadamente 2,65 milhões de sacas e 3,65 milhões de sacas, respectivamente. Assim, considerando os últimos quatro anos-safra é possível estimar que o consumo foi superior à produção em 5,21 milhões de sacas nesse período.
Esses números de produção e consumo a nível mundial constam do Relatório sobre o mercado de Café, de Março do ano em curso, da Organização Internacional do Café – OIC, o qual está disponível no Observatório do Café do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa, Brasil, que afirma que este ano corresponde aos período de Outubro a Setembro.
A Finlândia lidera a lista dos 10 países com maior consumo de café do mundo, com uma quota de mercado de aproximadamente 49 por cento. IB