A produção nacional de ovos controlada ainda não satisfaz a demanda do mercado nacional considerando um percapita de 70 ovos/ano.
Para contrapor esta tendência, o Executivo angolano adoptou uma nova estratégia que consiste no relançamento da actividade avícola mediante a implementação de um programa abrangente envolvendo o sector da Indústria, Pescas, Comércio, bem como os produtores de cereais,
avícola e oleaginosas.
Segundo uma fonte da Direcção Nacional da Pecuária (órgão afecto ao Ministério da Agricultura e Florestas), a estratégia enquadra-se na redução acelerada das importações e visa manter e criar novos empregos ao longo da cadeia de valores, assim como contribuir para a redução da fome,
da pobreza e do êxodo rural.
A iniciativa visa, igualmente, a melhoria da dieta alimentar no seio das famílias camponesas, garantir a segurança alimentar e nutricional, segurança sanitária dos alimentos, ou seja, disponibilidade e acesso aos alimentos de origem animal em boas condições.

Estratégia
Na visão do Ministério da Agricultura e Florestas, a implementação do “Programa de Fomento da Produção de Aves de Corte e Poedeirasvisa” prevê a auto-suficiência até 2022 para a produção de ovos e carne de frango na ordem das 5.487.268.886 unidades de ovos e 335.513 toneladas de frango.
O programa de fomento pecuário estima até 2022, a produção de ovos na ordem de 164 por cento em relação a 2017.
“O alcance da auto-suficiência em ovos e carne será concretizado se forem realizados investimentos no sector empresarial e familiar de forma coordenada, assim como a existência de uma política financeira virada para o crédito com juros aceitáveis, capazes de tornar os investimentos rentáveis”, revela a fonte do JE.
Quanto ao frango, a produção nacional controlada está muito aquém de satisfazer a demanda do mercado nacional, tendo em consideração o
percapita proposto pela SADC.
“Não obstante ser uma actividade praticada a nível nacional e existir no país capacidade instalada para criação, devido à falta de capacidade de abate e conservação, carência de matérias-primas para o fabrico de rações e oferta de pintos do dia, esta actividade ainda é considerada incipiente”, frisa.
Factores como a dificuldade do acesso ao crédito bancário, a cabimentação e disponibilização atempada dos recursos financeiros (cambiais) concorreram para que não se alcançasse as metas previstas para 2017.

Défice de cereais
trava crescimento
da geração de ovos

O mercado nacional continua a apresentar um forte défice na produção de cereais, com realce para o milho, como resultado do aumento das necessidades, não só pelo consumo directo, mas como também por conta do crescimento da indústria avícola.
Dados do Ministério da Agricultura e Florestas indicam que durante o ano agrícola 2017/2018, o país registou a produção de 2.250.853 toneladas de milho, tendo aumentado 16 por cento em comparação com a época anterior, semeada numa área compreendida de 2.408.352 hectares.
Angola precisa de cinco milhões de toneladas de cereais para suprir a carência alimentar, assim como o fabrico de ração e de sementes para o desenvolvimento da agricultura.
O milho e a soja constituem os principais produtos para a criação de frangos e consequentemente de ovos. Para que os objectivos traçados tenham respaldo, é necessário se dar uma atenção muito especial a este segmento.
O país tem um potencial de 7 milhões de hectares de perímetros irrigados para a produção agrícola, sendo que apenas 45 mil hectares de terrenos
estão em utilização.
Para o fomento da produção de cereais, a intenção é passar dos actuais 2 milhões de toneladas de cereais (milho, massango, massambala, arroz
e trigo) para 5 milhões.
O sector está a aumentar os apoios à agricultura familiar, pois é a responsável por 80 por cento da produção que se consome no país.
Cerca de 2,4 milhões de famílias vivem da agricultura, sendo que o sector controla perto de 13 mil explorações empresariais.

Metas
Na sua política de reforço da diversificação da produção nacional, em bases competitiva, o Governo angolano se propõe cobrir em 80 por cento às necesssidades domésticas de ovos até 2022. Em relação a frangos, a meta é atingir 30 por cento no mesmo período.

Protecção do capital investido ajuda alcançar metas  

Para o alcance da produção previstas será “imprescindível”proteger osdireitos e o capital dos investidores.
Fonte do Ministério da Agricultura e Florestas indica que estão em curso acções que visam proteger os investidores contra a concorrência desleal, “garantir o fácil acesso aos serviços financeiros e reduzir os custos de investimento”, com realce para o regime de isenção de impostos.

Novas políticas
A limitação na emissão das licenças de importação, para a salvaguarda e incentivar a produção interna do produto pois, tem registado um aumento
significativo desde 2013.
Em 2017, revela, o consumo nacional de ovos esteve fixado na ordem dos 54 por cento, considerando o consumo percapita da SADC, com previsão do alcance da auto-suficiência em 2022.
A salvaguarda da saúde pública, da segurança alimentar e nutricional das populações, estão igualmente na base das restrições.
Segundo atesta a fonte, está “comprovado de que os ovos importados chegavam ao prato do consumidor com mais de 40 dias após produção, contra os 28 dias recomendados”.
Em 2015, segundo dados apurados, a produção de ovos atingiu cerca de 450 milhões de unidades por dia, e no ano seguinte, 2016, a cifra chegou as 850 milhões. Naquela fase, a produção nacional garantia apenas 41 por cento das necessidades de ovos, recorrendo o país à importação. 

podem garantir
redução dos preços

A falta de factores de produção no país influência negativamente nos preços dos produtos agrícolas, tornando a agricultura nacional menos competitiva.
Para se vencer este desafio, o I Conselho Consultivo do Ministério da Agricultura e Florestas, realizado no Luena, província do Moxico, recomendou a implementação de estratégias para atrair investidores nacionais e estrangeiros, com capacidade para instalar fábricas de factores de produção no país, a fim de tornar os bens agrícolas mais baratos.

Fomento
O investimento em fábricas visa dar resposta à necessidade de sementes melhoradas, fábrica ou misturadores de fertilizantes, alfaias agrícolas, linha de montagem de tractores e de sistemas de irrigação, entre outras necessidades do sector.
Os participantes aconselharam à contínua aplicação da estratégia de redução dos preços de fertilizantes, introdução de sementes melhoradas e correcção de solos para aumentar a produção de cereais. 

Auto-suficiência
chega em 10 anos

A visão do sector é que nos próximos 10 anos, o país alcance a auto-suficiência alimentar nos principais produtos passíveis de serem produzidos no território nacional e que muitos deles compõem a cesta básica.
O aumento da produtividade e consequente aumento da produção continua igualmente a ser um dos desafios para o sector da
Agricultura e Florestas. Para o efeito, será imperioso retomar o processo de reestruturação do sistema de investigação agro-pecuária, como suporte para a actividade produtiva, além da necessidade de melhorar o sistema de informação agro-pecuário, preços e condições de oferta e procura dos principais meios de produção.