Os especialistas consideram que todo mal causado pelo petróleo tem uma única origem: volatilidade. Esta hecatombe do crude tem levado a que muitos países, sobretudo os produtores derrapem as suas previsões de crescimento, já que estão há muito dependente desta commoditie.

A diversificação precisa-se, daí os colossais investimentos aos sectores fora do petróleo. A ideia dos países é livrarem-se cada vez mais deste recurso amaldiçoado. No Plano Intercalar do Governo, elaborado de Outubro a Março de 2018, indica que Angola iniciou um novo ciclo de estabilidade não dependente do petróleo como fonte principal da receita através da expansão controlada do défice e do endividamento para o relançamento da economia e da eficiência e eficácia dos investimentos privados. As acções foram definidas para o médio prazo, cujo enfoque está na cristalização de um novo ciclo de estabilidade não dependente do petróleo para a intensificação do programa de diversificação económica nacional.
A previsão que consta da proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2018 é de 50 dólares por barril. O Governo previu isso porque entende que a realidade do sector petrolífero nos próximos três anos será caracterizada por uma situação de declínio da produção, em virtude dos constrangimentos actuais às quais as companhias petrolíferas são obrigadas a reposicionarem as suas acções. O Governo previu em baixa o preço do petróleo tendo em conta a incerteza actual no mercado petrolífero e a volatibilidade do preço.
Apesar disso, outros projectos serão lançados em 2018 como a Zínia fase 2, Dália fase 3 e 4, Clov fase 1 e 2, Bavuca Sul e Clochas Sul. Em 2019, entra em operação o Negage, Kuito, Chisssonga, Paj e em 2020, a Acce, Zínia fase 2 Upside.
Apesar do pessimismo do Governo, a tendência começa a ser invertida com a subida do preço da marca Brent, referência para as exportações de Angola para o mercado internacional.
O preço do petróleo atingiu esta semana a escala de 70 dólares/barril, prevendo que ultrapasse os 80 dólares até finais de 2018 e meados de 2019. É sempre uma boa notícia para Angola na medida em que os recursos que daí advêm poderão fortalecer as contas nacionais. Em 2017, a produção ficou em 547, 5 milhões de barris, tendo sido o Governo arrecadado 1,47 triliões de kwanzas, enquanto em 2016 o valor rondou em 1,3 triliões de kwanzas com uma produção de 631 milhões de barris. Em 2015, Angola exportou 645,1 milhões de barris com receitas a atingir os 1,4 triliões de kwanzas.

Barril a 80 USD já satisfaz

O Jornal de Economia & Finanças pegou numa calculadora para achar a média da percentagem do valor actual do petróleo no mercado internacional com a produção diária sem a inclusão de dados relativos ao Imposto sobre o Rendimento do Petróleo (IRP), do Imposto sobre a Produção do Petróleo (IPP) e do Imposto sobre a Transacção do Petróleo (ITP).
Numa produção média/diária de 1.600.000 barris, caso o preço do petróleo se mantenha a 70 dólares/barril, Angola terá receitas mensais (a contar de Janeiro de 2018) avaliadas em 3,360 mil milhões de dólares, equivalentes a 611,5 mil milhões de kwanzas e receitas anuais próximas de 40,32 mil milhões de dólares (7,33 triliões de kwanzas). Em caso de o petróleo chegar a 75 dólares por barril, as receitas serão de 3,6 mil milhões de dólares/mês equivalentes a 655,2 mil milhões de kwanzas e 43,2 mil milhões de dólares por ano (7,86 triliões de kwanzas). A 80 dólares, as receitas mensais atingirão 3,8 mil milhões de dólares (698,9 mil milhões de kwanzas) e anuais a 46 mil milhões de dólares (8,38 triliões de kwanzas). Caso o barril atinja 85 dólares, o país vai encaixar, diariamente, 136 milhões de dólares (24,7 mil milhões de kwanzas), 4 mil milhões por mês, o que equivale a 742,6 mil milhões de kwanzas e por ano 48,9 mil milhões de dólares (8,91 triliões de kwanzas). As contas foram feitas com base ao primeiro leilão do (BNA), que fixou uma taxa flutuante de 1 dólar a 182.021 kwanzas. Caso o barril de petróleo chegue a 90 dólares, Angola pode arrecadar em receitas brutas o valor diário de 144 milhões de dólares (26,1 mil milhões de kwanzas), mensais 4,32 mil milhões de dólares (783,3 mil milhões de kwanzas) e anuais 51,8 mil milhões de dólares (9,4 triliões de kwanzas). A Sonangol, na qualidade de concessionária, retém 10 por cento das receitas petrolíferas do país. MC