A baixa do preço do petróleo no mercado internacional está a obrigar o Executivo angolano a redefinir os diversos programas criados para assegurar a continuidade das acções. A racionalização de gastos é uma das medidas tomadas, com fim específico de a realização de investimentos necessários. A saída encontrada para o alcance do desenvolvimento desejado é apostar-se no sector não mineral da economia, no caso da agricultura, pescas, indústria, construção e turismo.


O programa do Executivo de aceleração do processo de diversificação da economia, orçado em cerca de 25 mil milhões de dólares, assenta, essencialmente, no desenvolvimento de um modelo de apoio ao financiamento ao sector fora do petróleo.

Contudo, foi igualmente aprovada uma estratégia de aceleração da diversificação que consiste na identificação e aceleração do desenvolvimento de clusters da alimentação e agro-indústria, actividade extractiva do sector mineiro, cadeia produtiva do petróleo e do gás natural, bem como o cluster de habitação, dos serviços, águas e energia, bem como o cluster dos transportes e logística.

Apesar das dificuldades financeiras, o Executivo garante cumprimento das metas dos programas de diversificação da economia angolana, conforme assegurou esta semana, em Luanda, o ministro das Finanças, Armando Manuel.

O governante, que falava durante a discussão, na especialidade, da proposta de Lei do Orçamento Geral do Estado (OGE) revisto, realçou que existem acções ligadas à agenda da diversificação da economia, estas que não estão obrigatoriamente ligadas à despesa pública. Entre elas, está o crédito à economia e o ambiente de negócios.

Neste contexto, o ministro asseverou que a carteira de investimento público comporta, no essencial, fundos em infra-estruturas que constituem a base necessária para que o país tenha um ambiente voltado para as mais variadas actividades económicas que caracterizam o
processo de diversificação.

Dados apurados indicam que o crédito à economia atingiu nos últimos 12 meses 3,394 triliões de kwanzas, um aumento de cerca de 14 por cento em relação ao idêntico período do ano passado.

Agricultura
Na discussão do OGE-2015 revisto, o ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, lembrou que o sector agrário, pecuário, pesqueiro e a aquacultura, em particular, desempenham um papel relevante no processo de diversificação e apresentam-se como factor de estabilidade e de auto-suficiência alimentar das populações.

Na sua intervenção, o ministro disse ainda que no âmbito do Programa de Investimento Públicos (PIP) visando acelerar o processo da diversificação económica, o Executivo priorizou alguns projectos no sector da agricultura de modo a reduzir a importação. Dentre os planos enunciados, destaca-se o projecto avícola da província do Cuanza Norte, que abrange igualmente a província de Luanda, com a finalidade de aumentar a produção de carne de frango no país.

Aquela unidade de produção integra várias infra-estruturas com destaque para 230 aviários, uma fábrica de ração, uma incubadora industrial, matadouro industrial, sistemas de tratamento de resíduos sólidos e líquidos.

“O projecto já está concluído pois foram já efectuados testes nos meses de Dezembro e Janeiro e neste momento começou já a produzir”, anunciou o ministro.

Acrescentou que a matéria- -prima fundamentalmente o milho será produzida nas unidades de produção das províncias de Malanje e outras subscritas nos projectos públicos e privados.

Balanço agrícola
Nesta matéria, o governante realçou que a produção de cereais atingiu 1 milhão 671.300 toneladas em 2013, tendo em 2014 aumentado para 1 milhão 820.348, o que corresponde a um incremento de 8,9 por cento.

No que toca à produção de raízes e tubérculos, a produção em 2013 situou-se na ordem dos 18.281.558 toneladas, enquanto em 2014 de 20 milhões 726.821, um incremento
de 12,8 por cento.

O ministro disse que nas hortícolas se registou em 2013 uma produção de 5 milhões 448.981 toneladas e em 2014 de 5 milhões 507.667, o que corresponde a um incremento de 1,1 por cento.

Quanto à produção avícola, Angola passou de 205 milhões para 211 milhões de ovos em 2014, o que permitiu um acréscimo de 2,8 por cento. Mais adiante Afonso Pedro Canga confirmou que recentemente foi necessária a introdução de algumas medidas de restrição na importação deste produto, tendo resultado no aumento da produção local, investimentos, estabilização dos preços nos mercados e aumento em postos de trabalho.

Aldeia Nova
O ministro considerou positivo o balanço do projecto “Aldeia Nova” na medida em que as famílias aumentaram os seus rendimentos. Em média, cada uma delas tem um orçamento líquido que oscila entre os 80 a 100 mil kwanzas por mês.

Segundo o ministro, a produção de ovos mensal naquele projecto é de 3 milhões de ovos, assegurando que o programa localizado na província do Cuanza Sul está a cumprir com os seus objectivos
económicos e sociais.