Angola tem uma economia fortemente alicerçada ao sector petrolífero, pois não deveria causar surpresa alguma que a clara desaceleração do mercado petrolífero internacional resultando numa redução do preço do brent que em de um valor médio de 108 Usd em 2013, passando para 54,30 Usd em 2015, levasse Angola estagnar o seu processo crescimento económico.
Esta tendência decrescente do brent estendeu-se por 2016 em que a média foi 45,99 Usd, como consequência directa nas Reservas Internacionais Líquidas que de 2014 a 2015 caíram 9,91% para 24,5 mil milhões de Usd (Eur 21,96 mil milhões) reduzindo significativamente a capacidade aquisitiva da economia angolana que vive fortemente das importações, inclusive no que respeita aos insumos intermédios do processo produtivo.
As contribuições do sector petrolífero para as receitas correntes de Angola estão divididas em duas fontes, pois as receitas provenientes da função concessionária da única empresa nacional de exploração de hidrocarbonetos, a Sonangol E.P. e a outra fonte corresponde aos impostos cobrados às empresas (nacionais e estrangeiras) que operam em território nacional.
O sector petrolífero de 2013 representava 74,8% das receitas correntes em 2014 eram 67,46%, em 2015, 56,13% ao passo que já em 2016 eram apenas 48,07%, as receitas da função concessionaria caíram, relativamente às receitas correntes de 50,44% em 2013 para 33,09% em 2016. Por outro lado, a contribuição do sector petrolífero em geral, para total das receitas correntes, caíram de 24,42% em 2013 para 14,98% em 2016.
A notável dificuldade do Estado em se financiar via impostos e função concessionária diminuiu a capacidade do Estado fazer investimentos públicos e sendo o Estado o maior contratante de bens e serviços do mercado, as empresas nacionais que cronicamente dependem do Estado para existir deixaram de produzir e era por demais evidente a desaceleração económica e consequente queda do produto interno bruto.
Neste contexto, a dificuldade está em compreender, não os motivos da própria recessão, mas sim o alarido e surpresa cínica de alguns actores políticos e comentadores económicos da praça angolana, sendo que sempre foram públicos os pronunciamentos de altos executivos nacionais quanto à actual incapacidade do sector petrolífero atravessa de financiar a economia, pois se o Estado, como principal actor do filme económico nacional estava preparado para recessão, interiorizando o fenómeno e preparando-se para o futuro, cabe as empresas e as famílias seguir o caminho e amarrar os cintos e fazer sacrifícios, tendentes aos ajustamentos financeiros necessários para revitalizar a economia
Angola terá de produzir internamente para deixar de importar nas quantidades em que importa e ser auto-suficiente (principalmente a nível alimentar) e principalmente porque produzindo internamente é que os empregos são criados no país e em todas as fases da cadeia produtiva.
As eleições gerais são um marco político e económico, pois representam a transição pacífica que o povo almejava e a economia necessitava para estabilização do sistema financeiro nacional e continuação do reforço das instituições e, por conseguinte, melhoria do ambiente de negócios.
A realidade política nacional é marcada por partidos da oposição que tardam em apresentar alternativas consistentes à governação preferem abordar apenas os erros da governação actual, sem de facto montar cenários devidamente estruturados com as contas certas sobre o que poderá ser a sua governação em caso de saírem vencedores do pleito de 23 de Agosto.
Por outro lado, o partido no poder o MPLA, que mobiliza mais e melhor devido a sua forte organização interna, que apresentou o seu programa de governo em que mostra precisão em identificar os seus erros de governação e por outro lado aponta as soluções e perspectiva um trajecto difícil, mas não impossível para voltar a colocar o país na rota do crescimento.
O programa de governo deste partido defende, além de uma forte aposta na educação, a redução do peso do Estado na economia, a valorização da iniciativa privada para a criação de emprego, aumento de rendimento nacional e poupança agregada, bem como a fortificação do sistema financeiro angolano para melhor apoiar a economia.
A comunidade internacional parece expectante, pois segundo as “lógicas ocidentais” dificilmente o partido da situação poderá ser a escolha do povo, pelo menos com a mesma expressividade, pelo que mais uma vez somos levados a afirmar que contrariamente ao que se pensa lá mais ao norte do planeta, existem outras formas de fazer política (não apenas em África) e compreender os fenómenos que muitas vezes parecem semelhantes.
Pelas nossas expectativas, 2017 será o ano de inversão da espiral recessiva, sendo que a contribuição do sector não petrolífero cresceu de 20% em 2013, para 43% em 2016, e tal tendência deverá continuar através do encaixamento das estratégias de investimento privadas (nacionais e internacionais), com o programa de investimentos públicos fortemente virados para as infra-estruturas.
Contudo, os dados estão lançados e esperemos que a democracia e livre arbítrio vençam para que economia siga o seu curso normal rumo à prosperidade.