O sonho de viver na cidade mantém-se. As populações buscam, incessantemente, nos nossos dias por melhores condições de vida. Que o kimbo também cuia, isso já se sabe, mas o acesso a novas e melhores oportunidades que só as cidades oferecem roubam o sono de muitos, sobretudo jovens.


O censo efectuado em Maio veio confirmar muitas das expectativas em torno da concentração de pessoas nas cidades. Luanda, a capital, acomoda 6,5 milhões de pessoas, de um total de 24 que o país concentra.

Huíla com 2,3 milhões, Benguela com 2,0 e o Huambo com 1,8 aparecem logo a seguir à capital. Os mesmos dados do censo indicam que 38 por cento da população angolana estão a residir no meio rural. A província do Bengo onde residem pouco mais de 270 mil pessoas reflecte bem o desafio de as zonas do interior proporcionarem crescimento e bem-estar às suas populações.

Zonas rurais
Uma das principais preocupações do Executivo angolano, que consta do seu plano de extensão rural, é a oferta de serviços básicos às populações destas localidades. A criação e a melhoria do acesso ao emprego, assim como a oferta de habitações, escolas e serviços de saúde foram concebidos como parte fundamental desta visão que pretende travar o êxodo do campo para a cidade.

Nas 18 províncias, estão em construção 200 casas sociais para atender o segmento de baixa renda. Essa perspectiva enquadra-se também na preocupação do Executivo de, através dos governos, garantir aos jovens emprego e residência sem que estes abandonem as suas zonas de origem.

Agricultura
O desenvolvimento de uma agricultura forte, voltada ao comércio e à criação de valor acrescentado é o principal eixo nesta estratégia de extensão rural. A agricultura é a maior empregadora das famílias. Logo, a aplicação de uma tecnologia avançada e numa perspectiva de maior renda assume-se como atractiva para os jovens.

Melhor planificação
O ministro do Planeamento e do Desenvolvimento Territorial, Job Graça, lembrou que “a importãncia desta informação demográfica pode ser apreendida do facto de permitir-nos elaborar a política nacional da população”.

O ministro Job Graça enalteceu, de igual modo, o papel e o apoio dos governos provinciais, das administrações municipais e comunais, assim como dos serviços provinciais do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Para o governante, o sucesso do censo deve ser encarado como resultado da organização concebida pelo Governo, da participação cívica de todos os cidadãos e do trabalho abnegado das equipas de agentes de campo, acções que permitiram fazer do levantamento censitário um êxito de que todos se devem orgulhar.

A logística do censo mobilizou a formação de 105 mil agentes. O Instituto Nacional de Estatística (INE) estimou um orçamento avaliado em cerca de 7,0 mil milhões de kwanzas, para a realização do primeiro recenseamento geral da população e da habitação.