António Belsa terá impressionado os participantes que o escutavam na terça-feira, quando afirmou que, em resultado dos projectos de conversão, o país obteve poupança de mais de 400 milhões de dólares por dia com a redução do gasóleo para a produção de electricidade.
As discussões, ao longo do fórum, perseguiram sempre a partilha de informações e experiências sobre as melhores formas de elevar os níveis de acesso à electricidade com base na redução de custos.

Capital privado e preços
Além do défice de produção e da necessidade da alteração da sua matriz de geração de energia, os desafios para a África colocam-se também à transmissão da electricidade, ou transporte, e da distribuição, onde a experiência mostra que os casos de maior sucesso deram-se em países que adoptaram Parcerias Público-Privadas (PPP) para impulsionar projectos.
No continente, dizem os números divulgados no fórum, os casos de sucesso envolvem PPP (continuadamente importantes para o financiamento de projectos de edificação de infra-estruturas) em que o capital privado constrói as instalações de produção e fornecimento à rede nacional a um preço pré-determinado, sob contrato de longo-prazo, o que também foi referido com um regime de concessão.
De acordo com declarações de António Belsa à nossa reportagem, em Lisboa, Angola tem previsto um aumento da tarifa de consumo de energia de 70 por cento, numa evolução projectada para viabilizar a edificação da infra-estrutura do sector eléctrico.
Abordado no fim de um debate em que foi orador, realizado à margem do fórum no Museu da Electricidade, em Lisboa, o vice-primeiro-ministro português de 2011 a 2013, Paulo Portas, considerou que Angola está a fazer a sua transição para uma economia com mais concorrência e mais diversificada, o que eleva o potencial para atrair investimentos requeridos para desenvolver o sector da energia.
“Angola é uma grande economia africana e uma potência regional em África e está a fazer o seu caminho: uma transição nunca é simples, nunca acontece de um dia para o outro”, afirmou o político português para apaziguar as opiniões mais cépticas em relação às reformas em curso, as quais incluem o sector da energia.