Sectores como o do comércio, transportes, habitação, energia e águas, entre outros, começam a despontar a nível da província do Huambo, fruto dos investimentos que têm sido aplicados para a implementação de novos projectos.
A livre circulação de pessoas e bens é outro factor que tem facilitado este objectivo, permitindo o escoamento dos produtos do campo para os principais mercados e, por via disso, a dinamização das trocas comerciais.
A recuperação das antigas fazendas, criação de cooperativas agrícolas, bem como o surgimento de mecanismos para viabilizar os financiamentos junto dos bancos comerciais para dinamizar o processo da diversificação da economia.
Cada vez mais, novas parcelas estão a ser cadastradas e muitas antigas fazendas estão a ser recuperadas para fins agro-pecuários, o que está a permitir a inserção de muitos jovens no sector produtivo, medida que contribui para o combate da fome e da pobreza, através do aumento da renda de milhares de famílias.

Avanços consideráveis
Outros sectores que estão a contribuir para alavancar o sector produtivo destacam-se o dos transportes e das vias de comunicação, considerados muito importantes para o crescimento do circuito comercial.
Foram reabilitados 80 quilómetros de estrada, construídas quatro pontes e igual número de pontecos metálicos, além de passagens hidráulicas, nos municípios da Caála e Londuimbali.
Destaca-se também os trabalhos de “tapa buracos”, numa extensão de 105 quilómetros, nos troços Caála/Longonjo e Huambo/Alto Hama e está também em curso recuperação a Estufa-fria.
Estão também trabalhos de reabilitação de alguns passeios e lancis, bem como, a montagem de novos semáforos e a reposição de sinais verticais e horizontais nas avenidas e principais estradas das cidades e vilas.
O porta-voz da Polícia Nacional do comando do Huambo, Martinho Kavita Satito, apontou que a requalificação de lancis e a reposição de alguns sinais verticais e horizontais vão ajudar o trabalho dos agentes reguladores de trânsito em casos de acidentes e à polícia na manutenção da ordem e tranquilidade públicas.

Oferta habitacional
Na centralidade do Lossambo, as 2 mil habitações, das quais 1.482 apartamentos, 184 moradias térreas e 343 moradias de dois pisos, já foram atribuídas à população e grande parte já lá mora.
Além da implantação da rede de energia, sistema de abastecimento de água, sistema de tratamento de águas residuais, foram construídas na centralidade centros infantis, escolas primárias e secundárias e estão em conclusão as obras do instituto técnico-profissional, centros de saúde e um complexo desportivo.
Todas as habitações são de tipologia T3 e apresentam uma área de aproximadamente
100 metros quadrados.
A centralidade, cujas obras foram executadas pela operadora Kora-Angola, integra prédios de quatro pisos com oito apartamentos cada e moradias de um e dois pisos.
O projecto habitacional sob responsabilidade do Executivo angolano contempla também prédios mistos, zonas comerciais, com vista ao crescimento social e económico.

Mais electricidade e água
A cidade do Huambo vai contar, nos próximos dias, com mais energia eléctrica, depois de concluída a montagem de duas turbinas, cujas obras em fase conclusiva, decorrem na subestação do Belém, no sector do Dango, arredores da cidade, com capacidade
para gerar 25 megawatts cada.
A entrada em funcionamento destes equipamentos vai reforçar os outros 23 megawatts produzidas pela barragem hidroeléctrica do Ngove, para fornecer às cidades do Huambo e da Caála.
Ao todo, as duas cidades vão receber 73 megawatts que, além de reforçar o fornecimento no casco urbano, vão cobrir também os bairros novos, localidades que nunca beneficiaram deste bem, possibilitar também a recuperação das indústrias, fornecer as unidades hospitalares, escolares e várias
outras infra-estruturas.
O fornecimento de água às populações da cidade do Huambo tem sido limitado nos meses de Julho, Agosto e Setembro, devido o baixo caudal do rio Culimahala, reduzindo a distribuição.
A fonte é a única de abastecimento para a cidade do Huambo desde o tempo colonial, o que de acordo com o presidente do Conselho de Administração da Empresa Provincial de Águas no Huambo (EPAH), Adolfo Elias, o crescimento populacional é oposto à oferta de àgua, cujo défice está na ordem dos 50 por cento.
Para ultrapassar a situação, estão em curso os novos projectos estruturantes para o reforço do abastecimento de água à cidade do Huambo, a partir do rio Cunhoñgmua, cujas obras tiveram início em Outubro do ano passado e terminam em 2018.
O projecto vai aumentar o fornecimento para mais do dobro da distribuição actual, que é de 1.360 metros cúbicos.
Adolfo Elias referiu que as obras incluem a construção da nova estação de captação, sistema de tratamento, condutas adutoras e também a construção de cinco centrais de distribuição, bem como mais de 16 mil ligações domiciliares.
As obras estão a ser financiadas no quadro da linha de crédito da China.
O gestor disse existir igualmente o projecto de alargamento da rede para mais 21 mil ligações, que decorre nas zonas de Calilongue e Benfica, arredores da cidade do Huambo.
A intenção, segundo contou, é ter a partir do próximo ano, cerca de 61 mil clientes que se vai concretizar com a conclusão dos referidos projectos.
Actualmente, a Epah controla 19 mil clientes e está em curso um processo de recadastramento com a reestruturação do sistema e criação de uma base de dados.

Envolvimento de todos
O nacionalista Felino Samuhunga defendeu a participação de todos, para a melhoria da economia do país, através da implementação de projectos de empreendedorismo nas cidades e aldeias, apontando a agricultura e indústria
como sectores chaves.
Falando por ocasião dos 105 anos da cidade do Huambo, o então primeiro comissário da comuna do Lépi, município do Longonjo, referiu que tudo passa pela reconstrução de fábricas destruídas pela guerra, como a de celulose, papel, sabão, massa alimentar e outras, para proporcionar
mais emprego à juventude.
Manifestou a necessidade da revitalização do sector da agricultura, sem o qual o desenvolvimento económico do país é débil, tendo lembrado que o Huambo produzia muito milho, trigo, arroz, feijão e batata rena nos diferentes municípios.
Felino Samuhunga, criticou aqueles que ocuparam grandes fazendas na província do Huambo e não praticam a agricultura, sendo necessário a tomada de medidas por parte de quem de direito.
“Huambo tem 11 municípios e 37 comunas, grande parte da população sai desses lugares para a cidade em busca de melhores condições de vida. Se houvesse essas condições nas comunidades essas pessoas não teriam necessidade de sair”, alertou.