A qualidade dos serviços prestados pelas companhias aéreas nacionais ainda não satisfaz os consumidores, a começar pelos preços altos que praticam nas rotas de viagens.
O atendimento precário, assim como a ausência de uma comunicação prévia são outros constrangimentos que ainda persistem.
Alguns clientes que falaram à nossa reportagem apontam que o sector da aviação local encontra-se fragilizado e sem capacidade para dar resposta aos consumidores em função da falência de várias outras companhias privadas .
O engenheiro informático, Cláudio Gonçalves diz que sempre que utiliza os voos nacionais é descontentamento, acrescentado que o desrespeito aos clientes começa desde o check-in aos serviços de bordo e catering.”Precisamos melhorar sobretudo o atendimento ao público, sendo um dos elementos chave para a rentabilidade das companhias”.
Afirmou que outro constrangimento tem a ver com o peso máximo das malas. Como estudante no exterior às vezes tenho que me desfazer do material pelo facto de só ter direito a 64 kilos de bagagem, sendo obrigado a pagar uma fortuna caso exceda o peso estipulado.

Atraso na abertura das lojas
Segundo Cláudio Gonçalves outra preocupação prende-se com a demora na retirada da bagagem porque leva-se uma eternidade, à espera da mesma, o extravio e as violações das malas.
“O funcionamento das dependências do aeroporto no caso as lojas abrem muito tarde, tem pouquíssimas opções e variedades e pecam na qualidade para um serviço tão caro” como se apresenta, afirma.
Assegura que o transporte do avião à sala de desembarque atrasa sempre e os passageiros têm de ficar durante muito tempo no interior do avião por falta mini autocarros, e ainda ter de enfrentar um Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) deficitário, “e por mais que te sintas lesado não tens onde reclamar ”.
Conta ainda que fez uma viagem de belo horizonte (no Brasil) para brasília, e os serviços da companhia aérea foram melhores do que as viagens que fiz para Angola pela Taag.

Preços altos
O jornalista, Emerson da Silva afirma que os clientes até certo ponto são os culpados pelo facto de não reportarem as devidas reclamações com frequência visando a melhoria dos serviços.
Por outro lado diz não haver razões plausíveis que justifique pagar quase mil Euros num bilhete de passagem Luanda/Huambo, cujo montante financeiro estipulado não responde à qualidade até ao destino final.
“Presenciei um episódio quando regressava a Luanda em que um agente do SME destratava um turista de nacionalidade chinesa em pleno aeroporto “Albano Machado”, na província do Huambo.
“O cidadão chinês fez o despacho da sua bagagem e já dentro do avião foi interpelado e insistiram que o mesmo abrisse a mala novamente”, conta.
O jornalista pensa não ser a forma mais correcta de lidar com um passageiro sobretudo tratando-se de um turista. Isso mostra que os serviços a nível de segurança que funcionam nos aeroportos do país não são fiáveis.
A qualidade dos serviços prestados pelas companhias locais é péssima principalmente para quem viaja pela Taag que além da deslocação ser cara para quase todos os destinos “é de lamentar o desespero que passam os passageiros,”, atira Leandro de Almeida Como exemplo revela que a Sonair cobra muito mais barato em relação a Taag nos voo domésticos, mas lamenta que a Sonair só tenha rotas para as províncias de Benguela, Cabinda e Lubango.
“Além de uma reforma a nível de pessoal que funciona com os serviços aéreos é urgente a entrada de mais companhias para reforçar este sector”

Falta humanismo
Por seu turno, o arquitecto Avelin Martins considera que falta humanismo na prestação dos serviços da aviação civil no país, pelo que apela a uma maior intervenção por parte das entidades que velam pelos direitos e defesa dos consumidores.
Na sua visão, estes constrangimentos ligados aos altos preços e mau atendimento persistem porque existe ainda um monopólio na aviação nacional, sendo que praticamente só existe uma companhia a ligar o país pelo ar, que é a Taag.
Dados da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) apontam que o sector dos transportes aéreos nacional poderá movimentar três vezes mais passageiros até 2036, que pode chegar aos 7,1 milhões de passageiros/ano.
A IATA recomenda ainda que angola deve abrir-se ao mercado da aviação a nível do continente a fim de fomentar um rápido crescimento sócioeconómico.