Os alunos regressam a partir de hoje às aulas, para o ano escolar de 2019, mas as famílias ainda fazem contas aos primeiros gastos, que podem rondar pelo menos dos 10 aos 100 mil kwanzas por estudante para uma compra básica de materiais essenciais.
A rubrica Hora das Compras do JE saiu à rua na ronda habitual, mas desta para medir sobre o custo dos materiais escolares nos supermercados e nas principais zonas de comércio informal em Luanda, caso dos bairros Calemba II, Camama, Zango, só para citar. Constatou-se que pais e encarregados de educação estão a adquirir o material escolar de forma faseada, devido a problemas financeiros.

Promoções em montra
De calculadora na mão, muitos país procuram os pontos de venda de material mais barato de forma a cobrir também as despesas de quem tem de dois a cinco filhos, por exemplo que frequentam o primeiro e o segundo ciclo.
A título de exemplo, os materiais escolares mais consumíveis nos supermercados, no Alimenta Angola Via Expresso (sentido Zango) o preço dos cadernos varia entre 790 e 2.390 kwanzas, as canetas e lapiseiras lápis cor custam de 100,295 a 395 kwanzas por unidade, clips 285, estojos 569, correctores 395, régua normais 100 a 250,régua guilhotina 2.985, as mochilas os preços variam entre 5.900 e 9.950 kwanzas.
No Kero Kilamba, o preço dos cadernos varia entre 270, 570 e 2.700. As mochilas estão no preço de 2.900 a 15 mil kwanzas. Já as lapiseiras, borrachas, afia-lápis, lápis de cera, lápis cor régua de compasso e os estojos têm preços variados entre 100 e 900 kwanzas.
Na promoção do Shoprite do Zango, os cadernos estão de 129 a 2.090 kwanzas. O lápis sai entre 99 e 229 por unidade, a régua e borracha por 59 cada, resmas 1.899, 10 lapiseiras 799, marcador 799, mochilas entre 2.499 e 4.999, os estojos por 3.599, lancheiras a 800, enquanto as calculadoras científicas vão de 6.199 a 12.999 kwanzas.
No Candando de Viana, com 20 por cento de baixa em todo o material escolar, desde cadernos de 263 a 1.874 kwanzas, conjunto escolar de oito peças a 2.499, plasticina por 999 kwanzas, borrachas desde 100, 319 a 799. O afia-lápis sai ao preço de 329 a 589 kwanzas. As mochilas têm descontos de 50 a mais de 100 por cento, com preços desde 3.250,5.000,7.475 e 9.975 (actuais), contra os 19.950 de antes. Noutras, os preços saem de 5.000 a 11.950 kwanzas, respectivamente.
Na Maxi do Camama, os preços não diferem dos outros centros comerciais. Os cadernos variam entre kz 750 e 2.000.

Mercado informal
Os manuais de Língua Portuguesa, Matemática, Estudo do Meio, Educação Musical, Educação Laboral, todos do primeiro ciclo do ensino primário, expostos pelo chão completam a bancada improvisada de muitas vendedoras, que procuram atrair a atenção de clientes.
No mercado informal é possível comprar praticamente tudo e a poucos dias do início do ano lectivo, até há manuais escolares da primária, vendidos entre 200 a 500 kwanzas. Estes podem ser encontrados em vários bairros de Luanda, negociados nas ruas, apesar da proibição de venda, por serem de “distribuição gratuita” pelo Ministério da Educação de Angola.
Essa proibição que não inibe as vendedoras de rua de os comercializar, pese embora a pressão dos agentes da fiscalização. É o caso da comerciante Madalena David, que vende o conjunto de cinco manuais para o ensino primário a 1.000 kwanzas, e o conjunto de 10 cadernos pequenos ao mesmo preço.
Alguns revendedores e consumidores abordados disseram ter noção da gratuitidade dos manuais comercializados nos mercados informais, fazendo a sua venda a retalho variar em função do preço da compra.
Num dos pontos de Luanda, no mercado do Calemba 2, aborddamos alguns vendedores, como é o caso do Gabriel Ganga, que reclama da quebra no negócio e dos “apertos” diários dos agentes da fiscalização, “Operação Resgate”, o que também contribui para a reduzida procura dos clientes.
O comerciante explicou que , o dia a dia das vendas tem sido difícil, porque actualmente as escolas têm estado a fazer a distribuição dos livros.
“Por exemplo, ontem, todo o dia, não consegui vender e hoje ainda não vendi qualquer manual. O que tem maior saída por esta fase são os cadernos, lápis e lapiseiras, que não passa o valor de 1.500 kwanzas”, explica.
Outra vendedora ambulante, no mercado Informal do Zango 2 justifica o fraco negócio com o reforço da distribuição gratuita nas escolas, mas sem revelar onde os adquire. Para contrariar a quebra no negócio, face aos outros anos, está a dedicar-se também à venda de cadernos e outros materiais necessários. Onde comercializa as mochilas no preço de kz 150 a 6.000, os cadernos a 100 por unidade. As batas variam entre 1.500 e 2.500 kwanzas.

Batas brancas e uniformes têm pela frente 180 dias

O ano lectivo 2019 tem início a 1 de Fevereiro e o fim previsto para 17 de Dezembro, com um total de 45 semanas de actividade escolar, segundo o calendário nacional do Ministério da Educação (MED).
No total, prevê-se 38 semanas lectivas, equivalentes a 180 dias de aulas.
De acordo com o calendário oficial, no I trimestre haverá duas interrupções de três dias para o Carnaval e de um para a Páscoa, além da pausa pedagógica. Por outro lado, no I e II trimestres foram reservadas duas semanas de pausa para os alunos, de forma a permitir uma melhor articulação entre as actividades docentes-educativas.
Assim, o I trimestre abre hoje, 1 de Fevereiro, e termina a 17 de Maio, período que corresponde a 15 semanas, das quais 13 lectivas ou 57 dias de aulas.
Já o II começa a 20 de Maio e tem o seu fim previsto para 23 de Agosto, equivalente a 14 semanas, das quais 12 lectivas. No total vão ser 60 dias de aulas.
O III e último trimestre começa a 26 de Agosto e termina a 17 de Dezembro. Serão 16 semanas, das quais 13, iguais a 63 dias de aulas.
Os dados oficiais do MED apontam para o enquadramento no sistema de ensino de mais de 10 milhões de alunos nos vários subsistemas. Também entram em funcionamento novas unidades escolares. A novidade é a obrigatoriedade da pré-iniciação em todas as escolas primárias.