O último reajuste de 13 por cento nos preços dos pacotes dos canais de TV, verificados no dia 1 de Setembro, é resultado das negociações que decorriam há dois anos, com o orgão regulador do sector, Instituto Angolano das Comunicações (INACOM).
Pela decisão, o reajuste nas operadoras Zap, Dstv e a multiserviços TVcabo, ficou em 38 por cento, faseada em duas, sendo que em Abril as operadoras já tinham efectivado
um aumento de 25 por cento.
Contactado pela equipa de reportagem do JE, o director geral da DSTV, Eduardo Continentino, disse que o aumento verificado no sector já é uma reivindicação que corre há dois anos e aponta como razões básicas a desvalorização da moeda e o alto nível de inflação
constatadas nos últimos anos.
“Sabemos que os pagamentos de grande parte dos nossos serviços são feitos fora do país. E durante esses dois anos, o preço da subscrição não conseguiu sobrepor a inflação e efectivamente a nossa empresa verificou perdas de receitas consideráveis, quando comparado com as receitas de dois anos atrás.
O director informou também que as operadoras que actuam no mercado angolano conseguiram diante do órgão regulador chegar a consenso de subir o limite de 38 por cento neste ano, porque a proposta inicial do caderno reivindicativo estava
na faixa dos 40 por cento.
“E arranjamos o equilíbrio necessário, porque nós também entendemos que o aumento não pode ser feito de qualquer forma, porque o próprio mercado teria dificuldades para absolver”, afirmou.
Essa é a última actualização permitida para este ano, mas de acordo com Eduardo Continentino não se descora a possibilidade de vir a subir mais no próximo ano.
“Olha, a regra normal de qualquer negócio é que podem acontecer correcções, desde que exista uma inflação e desvalorização da moeda tendo em conta um equilíbrio. Isso tem a ver
com sobrevivência”, afirmou.
O director da DSTV disse ainda que nos últimos dois anos, a Dstv em termos de clientes cresceu 4 por cento, segundo a última pesquisa de mercado feita pela agência Mira. De acordo com director, essa realidade demonstra uma tendência positiva em relação aos serviços, mas infelizmente a questão da receita continua
a ser o “calcanhar de aquiles”
“E é simples, se comparar o preço do pacote grande Mais que actualmente custa 8.200 e dividir pelo valor oficial da moeda que é de 365, vamos dizer que o valor do pacote é 22,4 dólares. E isso não existe em nenhum lugar do mundo pela qualidade de conteúdos dos canais envolvidos, os nossos pacotes são dos mais baratos.
“Mesmo uma comparação até memo só com países de África, 22 dólares no mercado internacional é o valor do pacote de entrada. O pacote mais barato que nós temos(denominado fácil), custa kz 2.000 e dividido por 365, dá usd 5,4. logo. Hoje, um pacote Premium no mundo
não custa menos de 60 dólares
Questionado sobre a reacção dos clientes, o director informou que a primeira reação é, se não de rejeição, de surpresa e análise, mas apela que o os clientes percebam que este aumento é inevitável, “porque não é só o nosso produto que está subindo, mas o mercado em si, e é lamentável”.