As receitas adicionais provenientes do preço do barril de petróleo, que passou a casa dos 50 dólares norte-americanos, valor que serviu de base para a elaboração do OGE 2018, devem servir, este ano, como prioridade do Executivo, para a reconstrução das almofadas que existiam, ou seja, diminuir a dívida pública e acumular reservas internacionais do país.
Este conselho foi dado ontem pelo representante do Fundo Monetário Internacional em Angola, Max Alier, à margem do Seminário sobre “Perspectivas e Desafios Actuais das Finanças Públicas Angolanas: Oportunidades e Desafios, um evento promovido pelo Ministério das Finanças, realizado no município de Cacuaco, em Luanda.
Para Max Alier, as receitas adicionais do petróleo, cujo preço do barril ronda os 79 dólares norte-americanos deve ser poupado para os atrasados.
O oficial do Fundo Monetário Internacional em Angola diz ser importante que se tome medidas certas, visto que as economias registam ciclos positivos e negativos.
Sublinha que nas épocas dos ciclos positivos tem de se constituir as “almofadas”, que permitam no ciclo negativo amortecer o impacto da crise.
Na última crise, de acordo com Max Alier, o que aconteceu foi que Angola entrou nela de forma fortalecida em almofadas importantes, visto que a dívida naquele momento estava perto de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e as reservas líquidas internacionais estavam em torno dos 30 mil milhões de dólares norte-americanos.
Lembrou que tal situação fez com que a crise tivesse um impacto bem menor, segundo o responsável.
“Agora que o preço do barril de petróleo aumentou e há uma receita adicional, então é uma época para voltar a construir aquelas “almofadas”, para que no futuro, caso haja um ciclo negativo, o país esteja preparado para enfrentar aquele ciclo e possa amortecer o impacto”, sublinhou.
“Esta é a nossa perspectiva e achamos que é isso que deve ser feito com as receitas adicionais do petróleo deste ano”, concluiu.
Em Março de 2018, Ricardo Velloso, havia considerado que a dívida pública angolana está agora mais alta em relação aos anos anteriores, daí necessitar de uma política fiscal prudente e contínua para a sua redução, mas “não era preocupante”, tendo em conta as medidas fiscais adoptadas pelo Governo para o seu pagamento.
As declarações foram feitas após reunião entre a equipa económica do Governo angolano e a delegação do FMI, tendo o responsável reconhecido igualmente o esforço feito pelo Estado na elaboração do Orçamento Geral do Estado 2018, que alocou grande parte das despesas para o pagamento do serviço da dívida pública.
O barril do crude Brent para entrega em Julho abriu nesta quinta-feira em baixa no mercado de futuros de Londres e se situou em USD 79,41, um 0,50% menos que ao fechamento da jornada anterior.
Na sessão de quarta-feira, o petróleo referência para Angola fechou a sessão a 79,80 dólares norte-americanos.
Angola tem um PIB de calculado em 107 mil milhões de euros (19,7 triliões de kwanzas) e o OGE recentemente aprovado estima receitas e despesas no valor de 9,6 triliões de kwanzas.