No período de 2014-2016 a taxa de inflação esteve sempre acima das previsões do Governo, que eram de 7 a 9 por cento. Em causa esteve a escassez de divisas que pressionou as importações de bens e elevou o custo dos produtos básicos.

O quadro de comportamento dos preços na economia registou que, em 2015, as mercadorias na capital angolana subiram quase 14,3 por cento, o dobro das previsões iniciais do Governo, segundo informação do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Um dado relatório do INE sobre o comportamento da inflação estimou que só entre Novembro e Dezembro de 2015, os preços em Luanda aumentaram 1,60 por cento. Entre Janeiro e Dezembro deste mesmo ano, a inflação situou-se nos 14,27 por cento, um aumento de 6,79 pontos percentuais face ao ano de 2014.
Diante do cenário de acentuada desvalorização da moeda local e alta de preços dos produtos, a adopção de estratégia de contenção da inflação e dos preços pelo Executivo angolano logo se evidenciou.
Em 2016, registou-se uma desaceleração da inflação, que em Julho estava em 4,4 por cento e em Outubro baixou para cerca de 1,6. No mercado, os preços dos produtos da cesta básica baixaram em mais de 50 por cento e verificou-se a retoma da actividade das empresas que estavam a paralisar, o restabelecimento da execução dos contratos de investimento públicos em vários domínios e o aumento do emprego.
De modo a tornar sustentável todas as medidas adoptadas, o Banco Nacional de Angola (BNA) deu início a uma oferta segmentada de divisas para os sectores prioritários, redefinindo com os departamentos ministeriais as áreas e necessidades de divisa destes operadores económicos.

Preços vigiados
Com bases lançadas em 2011, o ano de 2016 foi decisivo para a implementação do decreto sobre preços vigiados. Através desse mecanismo legal, mais de 30 produtos e serviços como arroz, leite, pão ou tarifas de transporte, passaram a integrar a lista de preços vigiados em Angola.
Na listagem constam também produtos como açúcar, carne, peixe, sal, batata, tomate, cebolas, farinha, massa, óleo ou fuba.
O decreto estipula que seja o Governo a fixar os preços de gás, petróleo iluminante, água canalizada, electricidade e tarifas do transporte público colectivo urbano.

Injecção de divisas
Já depois de a cotação do petróleo iniciar a tendência decrescente no mercado internacional, a injecção de divisas no mercado angolano ultrapassava, normalmente, os 2 mil milhões de dólares por mês.
Sem afectar a robustez do mercado, o governador do Banco Nacional de Angola, Valter Filipe da Silva, nomeado em 2016, logo mudou a estratégia de actuação do banco central. Para tal, a afectação de divisas para os bancos centrais passou a obedecer a um quadro de necessidades e ao mesmo tempo a uma declaração sobre a utilização das verbas beneficiadas para a nova aquisição.
Deste modo, e em concurso com os ministérios, o banco central passou a canalizar as divisas para os sectores prioritários. O sector de bens alimentares, tal qual pode se comprovar, semanalmente, é o que mais se beneficia da atribuição sectorial de divisas. Em causa, está a garantia de entrada regular em quantidade e qualidade de produtos essenciais, integrantes da cesta básica, ao mesmo tempo que se alimenta a agricultura nacional para que logo logo seja substituída a importação pela produção local.

Preço no consumidor
O índice de preços no consumidor nacional registou uma variação de 2,30 por cento, durante o período de Janeiro a Fevereiro de 2017.As províncias que registaram maior aumento foram Luanda com 2,59 por cento, Lunda Norte (2,39), Cuanza Norte (2,35) e Cuanza Sul (1,96). As com menor variação foram Huíla com 0,95, Bié (1,15), Huambo (1,42) e Benguela (1,54), respectivamente.
A classe “educação” com 36,50 por cento foi a que registou o maior aumento de preços. Destacam-se também o aumento dos preços verificados nas classes “vestuário e calçado” com 3,02; “bens e serviços diversos” com 3,01 e “bebidas alcoólicas e tabaco” com 2,95.
A variação homóloga situa-se em 38,32 por cento, num aumento de 20,06 pontos percentuais com relação a observada em igual período do ano anterior.