As Reservas Internacionais Líquidas registaram, entre 2013 e o II Trimestre de 2017, uma preocupante contracção acumulada de 46,4 por cento, como consequência dos sucessivos défices da balança de pagamentos.
De acordo com os dados avançados pelo Presidente da República no Discurso à Nação, que marca a abertura do ano legislativo, os défices da balança de pagamento resultaram, essencialmente, da diminuição do valor das exportações petrolíferas (em decorrência da queda do preço e da baixa das quantidades do petróleo produzido).
Neste contexto, conforme avançou, impõe-se a tomada de medidas de política necessárias e inadiáveis de modo a alcançar-se a estabilidade macroeconómica do país com a pedra de toque no equilíbrio das variáveis macroeconómicas susceptíveis de garantir os equilíbrios internos e externos e as condições necessárias para estimular a transformação da economia, o desenvolvimento do sector privado e a competitividade.
Para o estadista, a estabilidade macroeconómica é uma condição necessária para a retoma do crescimento económico e, consequentemente, para a solução dos problemas sociais mais prementes do país, razão pela qual o Governo deverá levar a cabo um sério programa do Executivo com vista ao alcance de tais objectivos.

Trajectória de queda
Dados anteriores avançados pela imprensa especializada nacional, reportando os relatórios preliminares do banco central, davam conta de que as Reservas Internacionais angolanas haviam, em Maio, renovado mínimos, ao caírem no espaço de um mês mais de 2,0 por cento, elevando a quebra desde 2014 para cerca de sete mil milhões de dólares.
De acordo com as informações que a Lusa avançara em meados deste ano, citando dados preliminares do Banco Nacional de Angola (BNA), sobre as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) há em ainda reservas 18 mil milhões de dólares, capazes de garantir importações de alimentos, maquinaria ou matéria-prima para as indústrias em período não inferior a seis meses.
Em Abril deste ano, o governador Valter Filipe da Silva situou em 22 mil milhões de dólares as Reservas Internacionais Líquidas. Nesta ocasião, o gestor principal do governo central disse que aquando da sua nomeação, em Maio de 2016, as mesmas estavam posicionadas em 24 mil milhões.
A principal dificuldade do banco central, actualmente, prende-se com o facto de os bancos correspondentes, que forneciam divisas aos operadores bancários nacionais, terem encerrado as suas operações, ficando com o BNA o papel de único agente a injectar divisas ao mercado para garantir as diversas operações.