A saída do Reino Unido da União Europeia está prevista para o dia 31 deste mês, depois de seguidos adiamentos do Brexit, como se convencionou denominar esse desmembramento, situação que segundo analistas constitui uma verdadeira ignição para o princípio de uma nova crise não apenas naquele país, mas na Zona Euro e com consequências no resto do mundo.
A Europa vive agora uma forte expectativa com a saída do primeiro membro de uma união que parecia perfeita. A intenção de desvinculação do bloco europeu já vem se arrastando desde 2016, ano em que os britânicos votaram a favor da saída, por meio de um plebiscito.
Hoje mais do que nunca, as condições estão criadas para a tão aguardada saída, uma vez que o actual primeiro-ministro, Boris Johnson, que é favorável ao Brexit, tem maioria absoluta no Parlamento para uma possível votação final.
O acordo negociado por Boris Johnson mantém boa parte do texto elaborado pela sua antecessora, Theresa May e entre os pontos estão primeiro os direitos dos cidadãos a garantir depois do Brexit: a ideia é que os britânicos que vivem na UE e europeus que moram no Reino Unido possam continuar a trabalhar e a levar o seu curso de vida normal.
Por outro lado, está previsto um período de transição depois da saída para dar tempo aos dois lados acertarem um acordo sobre as trocas comerciais bilaterais.
Custo do desmembramento
De acordo com os dados avançados por Bruxelas, é que o custo desta saída está avaliado em 39 biliões de libras, cerca de 60 biliões de dólares norte-americanos, como compensação financeira à UE.
Até agora, a principal modificação feita pelo actual primeiro-ministro diz respeito à fronteira entre a Irlanda do Norte, um território britânico, e a Irlanda, que faz parte da UE, porque os parlamentares britânicos temiam que o Reino Unido permanecesse vinculado indefinidamente aos regulamentos europeus.
Para Boris Johnson, a sua proposta prevê uma fronteira alfandegária entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda, que permanecerá na UE, mas na prática, a fronteira alfandegária será entre a Grã Bretanha e a ilha da Irlanda, com a fiscalização de mercadorias nos pontos de entrada na Irlanda do Norte.
Ao se efectivar essa saída, o Reino Unido deixar a União Europeia este mês, esse será apenas o primeiro passo de um processo complexo, onde o primeiro passa por negociar um acordo de comércio com o bloco europeu. A ideia é não perder o maior acesso possível dos seus serviços e produtos nos países europeus.
Apesar da vontade política do país, do ponto de vista económico, os integrantes do Partido Conservador querem um abandono completo da união aduaneira e do mercado comum europeu, assim como o parlamento europeu e o sistema de justiça comum. O acordo definitivo pode acontecer até o final de junho, altura que o Reino Unido vai decidir se pode ou não estender o período de transição. IB

Segundo maior contribuinte da zona pode deixar danos profundos

O Reino Unido é o segundo maior contribuinte da União Europeia, depois da Alemanha e à frente da França. Só em 2014, o seu contributo foi de 11,3 biliões de euros, o segundo maior valor oferecido pelos países-membros. Ao lado da Alemanha e da França, ele é um dos pilares da economia desse continente. Com o Brexit, essa responsabilidade recai quase totalmente sobre os alemães.
A sua saída, se não for sustentável e se não se conseguir manter a estabilidade do euro, o bloco todo pode mergulhar numa profunda, com perdas que podem atingir os mais de 100 biliões de euros, um impacto enorme nas finanças dos Estados.

Encerramento de fronteiras
Por outro lado, analistas do Banco Europeu são de opinião que a saída deste membro chave, vai fazer com se fecham as fronteiras, fortalecendo os produtos ingleses, que a princípio, vão custar mais caros e, consequentemente, menos competitivos nos países europeus, que são seus principais parceiros comerciais.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o PIB britânico recue com essa medida em até 9,5 por cento, com consequências significativas na economia.
Mercado de trabalho de acordo com uma pesquisa da Confederação da Indústria Britânica, 40 por cento dos empresários locais vão sentir o impacto negativo nos investimentos, desde o referendo.
As principais áreas afectadas serão sobretudo a construção civil e a agricultura, com a falta mão-de-obra, que são sectores que mais empregam imigrantes. O estatuto destes é outra questão complicada nas negociações entre Reino Unido e UE.
Uma das motivações a favor do Brexit tem como objectivo reduzir o número de imigrantes no Reino Unido que são mais de 3,2 milhões vivem ou trabalham naquele país.