Os dados da instituição apontavam para um investimento dos angolanos no estrangeiro, designadamente em Portugal, nos últimos cinco anos, na ordem dos 17 mil milhões de dólares. Brasil e África do Sul, em menor escala, são outras das apostas dos investimentos angolanos no estrangeiro. A banca, energia, telecomunicações e mais generalizadamente o imobiliário são os sectores em que o Estado, através da Sonangol e influentes figuras do regime, mais fizeram os seus investimentos.
Já em contrapartida, os estrangeiros, desde 2010 até ao ano passado, excluindo o petróleo e os diamantes, não investiram em Angola mais do que 1,2 mil milhões de dólares.
“Entre o que é anunciado e a realidade, esses números sugerem que o investimento estrangeiro em Angola não passa de mera intenção”, disse na ocasião ao Expresso o economista e jornalista Carlos Rosado.
Decompostos os números mais recentes, fora deste sector e da área dos diamantes, em 2014, contra o anúncio da assinatura de contratos avaliados em mais de mil milhões de dólares, o investimento estrangeiro na prática não passou de 155 milhões de dólares.
Agora é tempo de mudança de paradigmas e o Governo quer que os angolanos com forte poder financeiro tragam o mesmo para o país e invistam localmente.
Face ao desafio lançado pelo Mpla, através do seu Vice-Presidente, que representou o Presidente no encerramento de um seminário, a população acolhe com satisfação a mensagem de quem tem dinheiro lá fora deve traze-lo para cá.
Conforme opinião generalizada, seja das colhidas pelo espaço que dialoga com os cidadãos, seja em conversas das últimas 48 horas (dois dias), há toda a necessidade de o país juntar-se para permitir que este compromisso se concretize.
João Lourenço, nas vestes partidárias, apelou aos endinheirados para que sejam os primeiros a investir no país, demonstrando assim que são verdadeiros patriotas.
Durante o encontro organizado pelo Grupo Parlamentar do MPLA, advertiu que, findo esse prazo, o Estado sente-se no direito de o considerar dinheiro de Angola e dos angolanos e como tal agir junto das autoridades dos países de domicílio para tê-lo de volta. No discurso, encorajou as entidades competentes que lidam com a luta contra a corrupção e o branqueamento de capitais a cumprirem com o dever de cada um perante a Nação.
“Que não se confunda a luta contra a corrupção com perseguição aos ricos ou a famílias abastadas”, esclareceu.