O secretário de Estado da Agricultura para o sector Empresarial, Carlos Alberto Jaime “Calabeto” anunciou, na cidade do Lubango, que no ano económico 2016, o país importou 420 mil toneladas de carnes bovina, suína e aves.
Carlos Alberto Jaime “Calabeto”, que discursava na abertura da 4ª edição da Feira Agro-pecuária, que decorre até domingo, no âmbito das Festas da Nossa Senhora do Monte, disse que no mesmo período, a produção interna foi de aproximadamente 50 mil toneladas, o que fica muito aquém das necessidades internas de consumo.
“Temos que alterar essa situação, porque as potencialidades da região são enormes, carecendo apenas de esforço do sector empresarial, onde o Executivo continuará a prestar o seu apoio institucional”, disse.
Por isso, afirmou, que juntar criadores para troca de experiências, na sensibilização de outros intervenientes na cadeia produtiva, na busca de consensos para implementação das várias acções para que haja uma participação efectiva de todos, é uma iniciativa valiosa.
O governante salientou ainda que o efectivo bovino angolano estimado em 3.850 mil cabeças, onde a região sul se destaca com o maior número, constitui uma base sólida para o desenvolvimento socioeconómico do país.
O governante explicou que o potencial agro-pecuário nacional faz com que o país ocupe o 4º lugar na região Austral de África, em termos de efectivo bovino, que é, por sinal, a espécie de maior importância económica.
O governante reconheceu que a Associação dos Criadores de Gado do Sul de Angola representa uma organização forte, pois, assegura a vida das populações do ponto de vista económico-social, na produção de bens de consumo, no rendimento da economia familiar, no combate à fome e na erradicação da pobreza.
Referiu que a carne bovina contribui com cerca de 35 por cento da proteína animal, na dieta alimentar do ser humano e sendo uma arte, a criação animal não seria possível sem a intervenção daqueles que exercem esta actividade com empenho e dedicação, o que representa um activo precioso traduzindo-se numa das grandes riquezas das populações.
Por isso, indicou que os produtos como a carne, leite e ovos, importantes para a segurança alimentar exercem um aumento da sua produção, o que implica maior empenho e aperfeiçoamento na sua organização produtiva, para poderem participar em melhores condições de mercado.

Condições de assistência
O presidente da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), que congrega mais de 82 fazendas, Luís Nunes, defendeu um serviço técnico que reúna as condições para prestar uma assistência veterinária e zootécnica capazes de assegurar a profilaxia, a sanidade, o melhoramento, o maneio, o bem-estar e gestão dos efectivos.
A assistência agro-mecânica eficaz na produção e conservação de pastagens e forragens, é outra acção defendida pelo presidente da CCGSA.
“Esta é a nossa responsabilidade, enquanto cooperativa de criadores de gado, mas é necessário um maior investimento público de interesse para este sector, que deve ser garantido pelo Governo”, solicitou.
Luís Nunes afirmou que os associados depositam confiança e expectativa no futuro desta região e do sector pecuário, alavanca do desenvolvimento económico e social.
“É fundamental uma atenção muito especial do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, nos apoios que devem ser prestados ao sector, para que os resultados de cada empresa, sector, criador de gado sejam efectivos e contribuam de facto, para o desenvolvimento e crescimento da economia angolana e não sirvam apenas como simples números estatísticos”, frisou.

Construção do matadouro
A construção de um matadouro moderno e respectivas estruturas complementares, capazes de garantir o escoamento e valorização do gado produzido na região sul, foi defendida pelo presidente da CCGSA, Luís Nunes.
Luís Nunes indicou a criação de uma estrutura de assistência técnica nos vários domínios da produção, abate e comercialização de carne.
Disse que está em materialização um programa de fomento e requalificação do gado do sul de Angola, cujo protocolo já foi assinado com o governo provincial da Huíla.
Esclareceu que, o programa tem como objectivo, o melhoramento genético da produção pecuária na região sul do país, principalmente ao nível dos criadores camponeses, com o objectivo ainda de reabilitar a produção de bovinos, com maior índice de crescimento e de rentabilidade, assim como melhorar a qualidade da carne a ser comercializada.
“São prioridades da Cooperativa de Criadores de gado do Sul de Angola, na defesa dos superiores interesses dos nossos associados e dos criadores de gado na sua generalidade”, indicou.

Melhor rentabilidade
A CCGSA está ciente da necessidade de se disciplinar a produção de carne com vista a uma melhor rentabilidade das explorações agro-pecuárias, empresariais e camponesas e à necessidade de se produzir mais carne e leite de melhor qualidade.
O responsável garantiu que a sua direcção tem consciência de que os objectivos não serão conseguidos apenas com o apoio dos seus associados, mas também com a participação dos criadores camponeses.