O sector da energia e águas está a ser profundamente reestruturado, num programa enquadrado numa estratégia de curto, médio e longo prazo, tendo como meta a prestação de um serviço eficaz, capaz de responder aos desafios do país.

O programa de reestruturação assenta na necessidade de conformar o modelo do mercado de regulação do sector ao conteúdo da lei geral da electricidade. É nesta conformidade que até ao final do primeiro trimestre deste ano, dar-se-á início a nova fase no sector da energia é águas, com a entrada em funcionamento das novas empresas de produção, transporte e distribuição.

Projectos estruturantes
Para o subsector eléctrico, a estratégia estabelecida prevê para este ano, a operacionalização de uma capacidade de geração até 1.500 megawatt (mw), de um total de 5.000 a instalar até ao ano de 2016. Para este ano, o plano de acção contempla também o estabelecimento de sistemas públicos de abastecimento em 82 sedes municipais (de um total de 166) e de 271 sedes comunais (531). O programa do Executivo angolano, prevê ainda a reabilitação e modernização de todas as redes de distribuição das cidades capitais de províncias, além da interligação dos sistemas Norte e centro e a operacionalização do sistema Leste (Lundas).   
Quanto ao subsector de águas, o plano de acção do ministério de tutela prevê a ampliação dos níveis de cobertura ou acesso, para até 100 por cento nas zonas urbanas e 80 por cento nas áreas rurais. O projecto abrange igualmente a monitorização da qualidade da água, assim como assegurar a sua adequação para o consumo humano. Estão também ser construídos pequenos sistemas de abastecimento de água e saneamento comunitário nas áreas suburbanas e rurais, além de assegurar a gestão integrada de recursos hídricos, visando a protecção dos ecossistemas e a biodiversidade.

Capacidade térmica
As acções de reforço da capacidade térmica, iniciadas em 2012 e traduzidas num incremento em 530 mw da capacidade de produção instalada, foram concluídas, em 2013 e colocados em operação 17 novas centrais térmicas nas províncias de Benguela, Cunene, Cabinda, Huíla, Kuando-Kubango, Luanda, Lunda-Norte, Namibe, Moxico e Huambo. Segundo fonte do ministério de tutela, foram aplicados 70 mil milhões de kwanzas, medida que resultou na redução do défice de atendimento aos consumos e maior regularidade no fornecimento, além de ter permitido o acesso a milhares de novos consumidores, como se detalha adiante.

A construção da segunda central de Cambambe e alteamento da barragem de Cambambe, prevê-se que será concluída no final de 2015, e que a partir de 2016, o aproveitamento hidroeléctrico passará a ter uma capacidade instalada de 960 mw, contra os actuais 180. As obras de desvio do rio e construção do aproveitamento hidroeléctrico de Laúca (Kwanza-Norte) prosseguem, com a conclusão prevista para o III trimestre de 2017 e que terá uma capacidade instalada de 2060 mw, num investimento previsto de 4,4 triliões de kwanzas. Já na Lunda-Sul, em 2013 foi lançada a obra para a construção da barragem de Chiumbe-Dala, um empreendimento hidroeléctrico que irá fornecer energia eléctrica à cidade do Luena (Moxico) e a sede municipal do Dala, na Lunda-Sul, a partir do ano de 2016, com uma capacidade instalada de 12 mw.

Para este ano, está projectado o início das obras de reabilitação e ampliação do aproveitamento hidroeléctrico de Luachimo (Lunda-Norte), com duração de 36 meses, e que passará a dispor de uma capacidade de 36 mw, contra os actuais 4, no final das obras, que terão uma duração. Face a estas realizações, a capacidade de produção instalada em todo o país cresceu 35 por cento, tendo atingido os 2020 mw.

Expansão dos serviços
Quanto a expansão dos sistemas de transporte e redes de distribuição, recentemente foi concluída a linha de transporte e interligação, em muito alta tensão, entre a Gabela (Kwanza-Sul) e a Kileva (Lobito), que permitirá atender parte das necessidades energéticas da região de Benguela, a partir do aproveitamento hidroeléctrico de Cambambe. As obras de construção da linha de muito alta tensão para ligação do aproveitamento hidroeléctrico do Lomaum ao Lobito prosseguem, cuja conclusão está
aprazada para Maio.

Beneficiários
A fonte do Ministério da Energia e Águas sublinha que com a execução dos projectos de expansão da capacidade de produção e das redes de distribuição, passaram a ser atendidos pela rede pública de fornecimento de electricidade, mais 232.117 novas ligações, beneficiando mais 985.375 habitantes em todo o país. Estes benefícios contribuíram na melhoria das receitas, numa altura em que foram instalados 91.103 contadores pré-pago, nas províncias de Luanda, Huambo, Malanje e Cabinda, de um total de 900.000 a instalar até ao final de 2017.

Luanda
Em Luanda, foi concluída e colocada em operação a nova subestação da Filda, em 220 kv e a linha de transporte entre Viana e Filda, cujo resultado foi a melhoria no fornecimento de energia eléctrica aos bairros do Cazenga, Palanca, Terra Nova, Golfe e Mulenvos. Ainda em Luanda, foram colocadas em operação cinco novas subestações em 60 kv, nos bairros da Samba (Patriota), Kinaxixi (Eixo Viário), Ramiros, Benfica, Filda, que resultaram numa significativa melhoria na estabilidade do fornecimento e aumento do número
de consumidores.

Cabinda
Segundo o Ministério da Energia e Águas, em Cabinda, a execução do programa de emergência, que permitiu remover toda a capacidade de produção alugada e executar 6.000 ligações domiciliares. Para aquela localidade foi aprovado o contrato para a construção das linhas de interligação entre Cabinda, Dinge e Buco-zau, que permitirão electrificar essas sedes municipais, devendo as obras iniciarem ainda este ano. No ano passado foi traçada a linha de alta tensão que irá interligar a central de ciclo combinado do Soyo (Zaire) e Luanda, medida que vai permitir  o início dos trabalhos de montagem e construção civil.