Nos  últimos 10 nos, a actividade da pesca artesanal e da aquicultura comunal atingiu níveis positivos, na ordem das cerca de 100 mil toneladas por ano e proporcionou mais de 24 mil empregos directos e 50 mil indirectos.

Para incrementar a actividade pesqueira, o Ministério das Pescas distribuiu mais de três mil pequenas embarcações, além da distribuição de materiais, artefactos e outros equipamentos.

Dados divulgados recentemente pelo ministério de tutela indicam que os níveis da captura  da pesca artesanal atingiram os cerca de 30 por cento da produção total da pesca marítima, representando 25 por cento da dieta de proteína de origem animal. Segundo a fonte, a pesca artesanal apresenta uma mais-valia pelo facto de 60 por cento da mão-de-obra ser constituída por mulheres.

Desafios
Falando na abertura do primeiro fórum nacional da pesca artesanal e da aquicultura comunal, realizado nesta quinta-feira, 4, a titular da pasta, Victória de Barros Neto, adiantou que uma franja considerável das pessoas envolvidas nesta actividade, em muitos casos, trabalham em condições rudimentares. Porém,  está  a contribuir para melhorar a dieta alimentar, aumentar o nível da captura de peixe e criar mais postos de trabalho.

Segundo a governante, 30 por cento da população angolana tem beneficiado directa e indirectamente da actividade pesqueira nas áreas de transformação, salga, seca, defumação de pescado e na sua comercialização.

Para ela, o desenvolvimento desta actividade enquadra-se no âmbito do combate à pobreza e garantir a segurança alimentar, tendo alertado que existe violação de embarcações grandes na captura do pescado em áreas continentais.

Aquicultura
No domínio da aquicultura, o Ministério das Pescas  vai aproveitar as potencialidades hídricas, climatéricas e de mercado para aumentar a produção e diminuir a importação da tilapia.

“Queremos aqui sublinhar o grande feito alcançado pelo nosso país e que foi justamente reconhecido pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) “ mediante a outorga de um atestado, por ter reduzido para metade a percentagem da população afectada pela fome e pela má nutrição, o que nos encoraja a prosseguir nesta senda” enfatizou a ministra.

A governante admitiu que o Governo angolano vai continuar a garantir a assistência técnica aos agentes económicos intervenientes no subsector da pesca artesanal e aquicultura comunal, promovendo seminários de formação e capacitação de pescadores artesanais e dos aquicultores, incluindo cursos de processamento e transformação do pescado dirigidos a mulheres processadoras.

A  ministra das Pescas considerou a realização do primeiro fórum nacional da pesca artesanal e aquicultura como forma importante do exercício da “Democracia participativa” que o Executivo angolano defende.

Quanto à aquicultura comunal, a governante indica que representa uma nova oportunidade para aumentar o rendimento das famílias, principalmente do meio rural. Por esta razão, foram desenvolvidas acções de fomento da aquicultura comunal, destacando-se a construção de duas estações experimentais piscícolas nas províncias de Malanje e Benguela, estando a ser construído um centro de larvicultura, na localidade de Massangano, na província do Kwanza-Norte.

Progressos
Ao discursar no acto, o representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Angola, Mamoudou Diallo, frisou que  Angola figura entre os 19 países na África, a Sul do Sahara onde o peixe contribui com mais de 25 por cento de proteína de origem animal.

No quadro da parceria estratégica com o Executivo angolano para o período 2013-2017, aquela agência das Nações Unidas  está a implementar, desde Fevereiro de 2013, o projecto de cooperação técnica de apoio à pesca artesanal e continental no Kwanza-Norte.