O combate à inflação e o asseguramento da estabilidade da moeda e do seu poder de compra são tarefas primárias do Executivo
para o período 2017-2022.
Estas premissas, que foram inicialmente assumidas no programa de governo do Mpla, estão mais reforçadas e apoiadas nas declarações recentes feitas à margem da tomada de posse do Presidente João Lourenço pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), para quem “não há risco de desvalorização da moeda nacional”.
Valter Filipe da Silva quis assim tranquilizar a sociedade dos rumores que correm sobre eventual mudança de moeda, acto que resultaria de uma propalada desvalorização monetária a ser iniciada nos próximos dias pelo banco central.
O programa de governo que se compromete em “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal” prevê, ainda na perspectiva de estabilidade macroeconómica e de sustentabilidade das Finanças Públicas, alargar, se necessário, o âmbito de aplicação do regime de preços vigiados, de modo a contribuir para a defesa dos consumidores, sobretudo das
camadas mais vulneráveis.
Deste modo, o sector bancário garante a concessão de crédito aos sectores produtivos, em particular aos de maior impacto na diversficação da economia e das exportações.

Taxa de câmbio flexível
No domínio da política cambial, para os próximos anos, o Executivo compromete-se em assegurar junto da autoridade monetária e cambial que se continue a orientar a política cambial na perspectiva de fixação de taxas flexíveis controladas com o objectivo de, desta forma, atingir-se a uma taxa de câmbio que consiga devolver o equilíbrio ao mercado.
Alinhada a esta mesma perspectiva de estabilidade, segue, igualmente, o objectivo de se atingir uma taxa de inflação nos níveis previstos. Aliás, esta directiva, também foi apresentada no discursso de posse do Presidente da República.
Conforme se pode aferir da leitura do programa que o Governo passa a implementar, todos os compromissos orientados para a garantia da estabilidade macroeconómica seguem a perspectiva do Banco Nacional de Angola que procura credibilizar, interna e externamente, as acções dos operadores financeiros bancários e não bancários.

Banca sólida

O sistema financeiro angolano conta actualmente com 30 instituições bancárias autorizadas e 29 em funcionamento. A taxa de bancarização, em Dezembro de 2016, era de 59 por cento, sendo que o sistema bancário no seu conjunto totalizava um valor superior a 6 milhões de clientes. Em Dezembro de 2016 o mesmo sistema bancário apresentava um volume de negócios superior a 10 mil milhões de dólares, o crédito total à economia correspondia a 3 mil milhões de dólares, o crédito vencido sobre o crédito total representa cerca de 25.37 por cento.
Em termos de adequação do capital, o sistema financeiro angolano apresentava um rácio de solvabilidade regulamentar cerca 19 por cento.
No que respeita a importância da supervisão, o BNA advoga que se a supervisão tem o intuito de garantir a estabilidade e a solidez do sistema financeiro e a eficiência do seu funcionamento, a regulação pretende prevenir o risco sistémico.