Angola é um dos países produtores africanos de petróleo que precisa de reformas profundas para alavancar a sua economia, segundo revelam os relatórios das organizações mundiais, no caso do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), este último divulgou recentemente em finais do mês de Março de 2018, o seu relatório sobre “Perspectivas económicas de África para este ano”.
Os Países Africanos Produtores de Petróleo, que inclui Angola, África do Sul, Argélia, Benin, Camarões, Congo, RD do Congo, Côte d’Ivoire, Egipto, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia, Nigéria e Tchad contribuem com 11 por cento da produção mundial de petróleo. Entre os países, Angola, apesar de ser o segundo maior produtor do crude no continente, tem índices mais baixos de crescimento e as previsões para 2019 lhes são desfavoráveis. As metas de antevisões do BAD apontam para uma incerteza no crescimento económico angolano, cifrando-se em 2,4 por cento, em 2018, e 2,8 em 2019. O BAD vaticina dias difíceis para Angola até ao ano de 2019, devido às debilidades do programa de diversificação económica, que vai atrasar o crescimento, apelando ao Governo angolano a lançar-se aos desafios estruturais persistentes, nomeadamente, fortificar as instituições, aumentar a produtividade agrícola, melhorar as infra-estruturas que estão inadequadas, recursos humanos com qualificações limitadas (particularmente na gestão de empresas, ciência, tecnologia, construção e fabrico) e sistemas fracos de facilitação do comércio e apoio à exportação.

Indicadores
O Banco Mundial reviu em alta a previsão de crescimento de Angola para 2018 de 1,6 por cento, com uma transição política de sucesso com a possibilidade de reformas que melhorem o ambiente de negócios.
Em Outubro do ano passado, o FMI tinha apresentado as previsões para os países lusófonos africanos e Angola aparecia com uma previsão de crescimento de 1,6 por cento para 2018. No OGE 2018, a agricultura, silvicultura, pescas e caça é-lhe atribuída uma verba de 39,08 mil milhões de kwanzas. As instituições aconselham Angola a não aumentar o nível de endividamento, actualmente acima dos 60 por cento do PIB. Para reverter o quadro, os analistas de Bretton Woods recomendam algumas medidas ao Executivo, com destaque para a consolidação das receitas fiscais não petrolíferas numa média de 0,57 por cento
do PIB ao ano, até 2022.

Medidas do Governo
Dos 155 programas inscritos no Plano Intercalar do Governo definido para o período de seis meses (Outubro de 2017 a Março de 2018), somente 80 foram concretizados, representando uma média de 51 por cento, razoável por aquilo que o Executivo desenhou. As tarefas não realizadas do Plano Intercalar vão ser transferidas para o Plano Nacional de Desenvolvimento 2018-2022, que está ainda em elaboração. O Ministério das Finanças teve maior peso nas medidas e acções desenhadas, com 39 tarefas, sendo 27 sob sua alçada directa e 12 repartidas com outros departamentos, maioritariamente pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que, no seu conjunto, teve oito tarefas directas e 4 co-participadas indirectamente. Dos 155 programas, 16 foram executadas directamente pelos ministérios. Recentemente, os economistas Laurinda Hoygaard, António Estote e Paulo Ringote consideram fundamental que o Governo olhasse para as questões de reformas com vista a fazer face à situação económica actual. Laurinda Hoygaard sugeria que o Governo visse a situação do escoamento de mercadorias e melhoria da circulação rodoviária. Já António Estote, achava que o Governo tivesse em atenção o sector dos Transportes, apesar de ter absorvido nos anos anteriores elevados investimentos e de modo a garantir maior eficiência e eficácia do sector, o Estado deveria celebrar contratos-programa com as empresas do sector. O economista Paulo Ringote em entrevista ao JE defende a necessidade de a actividade do Estado se centrar nas suas funções clássicas, como seja os serviços de defesa nacional, administração da justiça, educação, saúde entre outros e deixar o resto da actividade económica para o sector privado.