O sector bancário angolano é decisivamente, neste momento, o elemento multiplicador, para acelerar a presença dos investidores nacionais nos grandes projectos, sob a perspectiva de criação de riqueza nacional e do relançamento de áreas estruturantes.

Conforme descreve o mais recente relatório do Banco Mundial (BM) sobre o desenvolvimento e questões que moldam o futuro do país, denominado “Angola Economic Update”, o processo de reforma promovido pelo Executivo conduziu a um aumento de bancos angolanos e à diversidade de serviços financeiros postos à disposição das empresas.

Tanto é que, dos nove bancos existentes até o início de 2000, o sector passou para os actuais vinte e três operadores licenciados, sendo que os seus activos atingiram um processo de crescimento sem precedentes. Dos menos de três mil milhões de dólares (mais de 287 mil milhões de kwanzas), controlados em 2003, o Banco Nacional de Angola divulgou no seu relatório de 2012 ter um registo de 57 mil milhões (mais de cinco trilhões de kwanzas).

Transportes aceleram
Se por um lado a banca é aceite como o motor do desenvolvimento que se pretende, as locomotivas apitam no interior e o comboio já assinala uma mudança positiva na interligação das zonas rurais e urbanas, numa clara aposta do Executivo angolano que traça nos carris ferroviários o caminho da integração na região Austral.

Segundo a avaliação dos especialistas do Centro de Estudos e de Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN), no relatório económico de 2012, os enormes investimentos na reabilitação e construção de estradas, linhas ferroviárias, portos e aeroportos estão a transformar as infra-estruturas do país e a exercer um efeito positivo na produtividade.

“Em 2011, Pushak e Foster indicaram que a despesa pública em infra-estruturas de 4,3 mil milhões de dólares por ano representava 14 por cento do PIB e 70 do seu total é canalizado para os transportes”, lê-se.

Indústria reforçada
No que se refere à indústria, o relatório do Banco Mundial (BM) advoga que o facto de as importações de bens de capital e de consumo responderem a uma grande percentagem da procura, abre espaço para a expansão do sector transformador nacional. No documento, fica, ainda assim, subjacente a preocupação com o facto de o sector industrial não ter atingido os marcos previstos, tendo mesmo no ano passado  se situado abaixo dos indicadores de 2011.

Agricultura reassume
De acordo com os especialistas do BM, que realizaram a pesquisa e os levantamentos de dados, Angola cultiva ainda em pouco menos de 30 por cento do seu solo arável. Uma vez que a agricultura é praticada por mais de dois terços da mão-de-obra activa, há uma grande margem de sucesso para o programa de combate à pobreza.

Já na apreciação do CEIC, o ano agrícola 2011-2012 foi bastante nocivo do ponto de vista da produção, devido aos efeitos de uma significativa irregularidade climática, fundamentalmente traduzida por prolongados períodos de estiagem. Os dados oficiais indicaram, no período, a colheita de 3,1 milhões de hectares semeados, contra os 5,6 milhões.