O Banco Nacional de Angola vendeu durante os meses de Janeiro a Dezembro deste ano, no mercado cambial, divisas no valor de 8,54 mil milhões de dólares e 676 milhões de euros.
Este foi também o ano do regresso dos dólares nas operações cambiais, depois de em 2017 e 2018 terem sido vendidas apenas o euro, por escassez de moeda norte-americana e uma “nunca assumida” retirada dos correspondentes bancários.
Conforme dados compilados pelo JE a partir das publicações semanais sobre leilões e dos mapas consolidados de venda de divisas também divulgados pelo banco central, o mês de Setembro com um total de 964 milhões vendidos foi o período em que maior valor pôs-se à disposição dos bancos comerciais. Já em Novembro, com 413,13 milhões de dólares foi o que menos se vendeu.
Em termos comparativos, em 2018, o BNA vendeu nos 12 meses daquele ano, um valor de 11,46 mil milhões de euros e, em 2017, haviam sido vendidos ao todo 10,93 mil milhões de euros.

Desempenho do mercado
Nos dois primeiros meses de 2019, o BNA vendeu ao mercado um montante total de 1.425,17 milhões de dólares, através dos bancos comerciais, contra 2.185,10 milhões nos últimos dois meses de 2018. Comparado ao período homólogo, no qual foram vendidos 1.831,49 milhões, houve uma diminuição de 22,18%.
Já nos meses de Março e Abril de 2019, o Banco Nacional de Angola vendeu ao mercado um montante total de 1,56 mil milhões de dólares, através dos bancos comerciais. Face ao período homólogo, no qual foram vendidos 1,64 mil milhões de dólares, houve uma diminuição de 5,03%.
Nos meses de Maio e Junho de 2019, o banco central pôs à disposição do mercado um montante total de 1,32 mil milhões de dólares, através dos bancos comerciais, contra 3,42 mil milhões no mesmo período do ano anterior. Em termos acumulados, nesta altura, a venda de divisas aos bancos era de 4,30 mil milhões de dólares, contra os 6,90 mil milhões do período homólogo, o que representou uma diminuição de 37,65%.
Nos meses de Julho e Agosto de 2019, o mercado beneficiou da venda de 1,58 mil milhões de dólares, contra 2,58 mil milhões no mesmo período do ano anterior. Em termos acumulados de 2019, o BNA vendeu 5,88 mil milhões de dólares, contra 9,48 mil milhões do período homólogo, o que representou uma diminuição de 61,15%.
Em Outubro, o BNA vendeu ao mercado um montante total de 800,67 milhões de dólares, contra 967,73 milhões no mês de Setembro e 1,11 mil milhões no mesmo período do ano anterior. Nesta altura, o acumulado de 2019 representava uma cifra de 7,65 mil milhões de dólares contra 11,29 mil milhões do período homólogo (em 2018), o que representou uma diminuição de 32,23%.
Uma das implicações directas das operações cambiais vê-se na subida ou diminuição das Reservas Internacionais Brutas (RIB) e Líquidas do país, que servem para proteger a economia em caso de graves complicações com a compra e venda de bens e serviços ao exterior.
No início de 2019, a RIB situaram-se em 15,99 mil milhões de dólares, isto em Fevereiro, para em Outubro do mesmo ano, estar fixada em 15,47 mil milhões. A diminuição foi de cerca de 500 milhões, mas suficientes para cobrir importações de bens e serviços até 7,54 meses.

BNA mudou as regras do jogo para tornar o negócio da banca mais claro

O Comité de Política Monetária decidiu, em Outubro deste ano, flexibilizar os limites aplicáveis aos diversos instrumentos de pagamento para importação de mercadorias.
Entre várias medidas, o BNA estabeleceu valor máximo anual de 120 mil dólares para as operações cambiais privadas, exceptuando-se as relacionadas com despesas com saúde e educação que não estarão sujeitas a quaisquer limites, sempre que sejam pagas directamente às instituições.
Foi também decidido o aumento do limite máximo para pagamentos antecipados de 25 mil euros para 50 mil dólares por operação, sem quaisquer limites máximos anuais; aumento do limite máximo para pagamentos na forma de remessas documentárias de 50 mil euros para os 200 mil dólares por operação, sem quaisquer limites máximos anuais; também decidiu-se eliminar com os limites em vigor para pagamentos na forma de cobranças documentárias e crédito documentário de importação.
2019 foi também o ano em que o Banco Nacional de Angola decidiu-se pela implementação de um regime de câmbio flutuante em que a taxa de câmbio é livremente definida pelo mercado, isto é, de acordo com a procura e oferta de moeda estrangeira.
“Depois das fases já percorridas no desenvolvimento do mercado cambial, temos as melhores condições possíveis, desde o início do Programa de Estabilização Macroeconómica, para o alcance de um regime de taxa de câmbio determinada pelo mercado”, fez saber o banco central em comunicado.