Na sua intervenção, por ocasião da última reunião do Conselho de Ministros a 16 de Agosto último, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, disse que o mandato de 2012 a 2017 foi caracterizado por uma grande estabilidade política e social, apesar da situação económica e financeira difícil que o país viveu, sobretudo a partir de 2013, com a baixa assinalável do preço do petróleo no mercado internacional.
José Eduardo dos Santos afirmou que houve um reajuste do programa de Governo e, por conseguinte, redefiniram-se as despesas públicas para que fosse possível assegurar a sustentabilidade da agenda de desenvolvimento.
O Presidente informou que o Governo teve de adoptar em tempo oportuno uma estratégia para fazer face à crise, com vista a iniciar um novo ciclo económico de estabilidade, não dependente do petróleo como principal fonte de receita fiscal e de exportações do país. O Governo encarou a crise económica e financeira como uma oportunidade para se libertar da dependência excessiva desse produto e para acelerar o processo de diversificação da economia, através do aumento da produção interna, da redução das importações, do fortalecimento do tecido empresarial nacional, da promoção e criação de emprego e da diversificação das fontes de receitas fiscais e de divisas. Esta capacidade encontrou rapidamente soluções para superar os problemas mais prementes e de se adaptar às contingências objectivas dos contextos internos e externos, pelo que foi um dos traços fundamentais que caracterizaram o mandato do actual Governo.

Governativa
No programa de governação apresentado no sufrágio eleitoral que decorreu nesta quarta-feira em Angola, o partido no poder considera que, apesar da situação difícil do país, na legislatura prestes a terminar, foram registados progressos importantes em vários domínios da vida nacional.
Espelha que houve evolução no que respeita à reforma tributária, da administração pública e da justiça. No primeiro, o programa realça que houve progressos na arrecadação da receita não petrolífera, ao mesmo tempo que prosseguem os esforços para a elevação da eficiência do processo de tributação, não somente com o alargamento da base tributária, mas também com o aprofundamento da colecta efectiva sobre a base já existente.

Gestão das finanças públicas
No programa apresentado salienta os avanços que se verificam na gestão das finanças públicas com o exercício regular do processo de prestação de contas à sociedade, através do envio trimestral à Asembleia Nacional dos relatórios trimestrais de execução do Orçamento Geral do Estado e da apreciação por este órgão de soberania anualmente as contas gerais do Estado. O partido governante diz tratar-se de exercícios importantes que se inscrevem no âmbito do aprofundamento da transparência na gestão do erário público em linha com as melhores práticas internacionais.

Indicadores económicos
De 2002 a 2008, Angola exibiu taxas médias anuais de crescimento de 2 dígitos, fortemente influenciadas pelo crescimento do sector petrolífero que, nesse período, conheceu um crescimento extraordinário, quer em termos de físicos, quer em termos de valor.
No período em referência, a produção petrolífera conheceu um crescimento médio anual de 14 por cento e o preço desta matéria-prima aumentou, em média, 25 por cento por ano. Uma das consequências da crise económica e financeira que se abateu sobre o mundo em 2008 foi a redução drástica do preço do petróleo no mercado internacional.
No período 2019/2016, a economia angolana continuou a crescer com taxas mais brandas. No período, Angola cresceu a uma taxa média anual de 3,7 por cento. A trajectória de crescimento foi notável até 2013, com um crescimento de 2,39 por cento em 2009, 3,5 por cento em 2010, 3,9 por cento em 2011, 5,2 por cento em 2012, 6,8 por cento em 2013. Em 2014, a taxa de crescimento baixou para 4,8 por cento e em 2015 foi de 3 por cento. Já em 2016 Angola teve um crescimento de 0,1 por cento.
A diminuição das taxas de crescimento económico, a partir de 2014, deveu-se à forte e inesperada queda do preço do petróleo no mercado internacional que se verificou a partir do II semestre desse ano em referência.

Sectores
De 2009 a 2016, o crescimento médio anual do sector petrolífero foi negativo a apresentar -0,96 por cento, apesar do crescimento médio anual da economia ter-se fixado no seu todo a 3,7 por cento. Justifica-se que tal só foi possível porque o sector não petrolífero contrabalançou a quebra do sector petrolífero com uma média de crescimento médio anual de aproxidamentente 6,2 por cento, com destaque para os sectores da agricultura (11 por cento), indústria (8 por cento), construção (11,9 por cento) e energia (14,3 por cento).
O peso do sector petrolíefro na economia que em 2008 era de 58 por cento passou para 35 por cento em 2015 e para 20 por cento em 2016. Nesse ano, a produção não petrolífera excedeu em mais de 4 vezes a produção petrolífera. Esta redução do peso do sector petrolífero na economia não se traduziu ainda numa alteração estrutural das exportações e das receitas do Estado, que continuam ainda fortemente dependentes de choques externos, em particular das oscilações do preço do petróleo no mercado internacional.