A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol E.P.) vai alienar parte das participações que tem nos diversos blocos petrolíferos para fazer face às necessidades financeiras do grupo, em resultados do programa de regeneração da empresa, que ontem foi lançado, e no quadro de uma série de incumprimentos que tem nas concessões.
O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Carlos Saturnino, disse em conferência de imprensa que uma percentagem média de cada uma das participações petrolíferas deve ser alienada pela empresa, para obter dinheiro fresco e fazer face aos compromissos financeiros que tem nas concessões petrolíferas.
Além disso, a percentagem a vender deve fazer face aos compromissos a ter com a reorganização de todo o grupo Sonangol. Para já, a definição estratégica da percentagem a alienar tem alguns pressupostos, uma vez que a venda de determinadas participações depende do preço do barril de petróleo no mercado internacional.
“Se o preço do petróleo continuar alto, talvez não precise alienar percentagens nas concessões petrolíferas, tal como se quer fazer hoje. Mas, pode-se reduzir essa percentagem, além de se ter em conta a rentabilidade do investimento”, destacou Carlos Saturnino.
A Sonangol não só vai livrar-se de algumas percentagens que possui nos diversos poços petrolíferos, como também vai desfazer-se de determinadas subsidiárias e de várias empresas associadas com as quais ainda mantém determinados laços de trabalho. Por enquanto, Carlos Saturnino nada adiantou, porque não quer provocar choques junto dos seus aliados directos de longa data.
Porém, o mais certo é que a petrolífera angolana deve abandonar os negócios que possui junto da banca e das empresas de telecomunicações com as quais tem pacto. Quando? Os próximos sete meses vão definir, dentro do ambicioso programa de regeneração que ontem começou.
Relativamente às subsidiárias, o Conselho de Administração da Sonangol justifica a posição do grupo com os elevados custos que acarretam determinadas subsidiárias. “Parte das subsidiárias da Sonangol têm facturação, mas custos muito grandes. Como têm custos grandes, não libertam rentabilidade esperada”, justificou o PCA, acrescentando que a “sobrevivência da empresa obriga que a mesma mude e se reestruture.
“Contamos com 19 subsidiárias, contamos com um número grande de concessões petrolíferas e contamos com associações a nível das participadas que, se considerarmos todas elas, incluindo os veículos criados só para ter participações em outros negócios, podemos passar a um número superior a 100”, informou Carlos Saturnino
A direcção da Sonangol reconhece que a empresa “é uma máquina pesada” e, em termos de estrutura organizacional, “é uma máquina grande em burocracia para a tomada de decisões” e, naturalmente, o ambiente empresarial actual, a capacidade financeira que tem o grupo Sonangol actualmente não se coaduna com as exigências do país.

Regeneração é um projecto estruturante

O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Carlos Saturnino, considera que o Programa de Regeneração é um projecto estruturante que prepara o grupo para o futuro, reforçando o papel da empresa no continente africano, com a observação dos padrões internacionais, enquanto contribui, de forma cada vez mais acentuada, para o desenvolvimento económico de Angola e do sector energético nacional.
O programa de regeneração é um programa concebido e elaborado pelo grupo Sonangol e tem como pilares todo o trabalho de reflexão e identificação, diagnóstico e levantamento completo feito ao grupo Sonangol ao longo de 11 meses. Orçado em 43,850 milhões de euros, o programa foi concebido para 3 anos e tem três fases, sendo a primeira (Fase 0), que vai até ao final deste ano.
A “Fase 1” será executada em 151 dias, em média, e é onde a empresa deve juntar operações que vão libertar sinergias e recursos que permitem galvanizar o grupo Sonangol e alavancar as acções mais estruturantes que deverão acontecer nos 24 meses seguintes. A intenção do Conselho de Administração da Sonangol é que o programa de regeneração seja cumprido ao meio do seu mandato.
Em termos de valores, o Executivo aprovou da intenção de contratar, e não é o valor final, de 43.850.000 de euros, mas Carlos Saturnino já admitiu que o valor final pode estar mais abaixo, em torno dos 39 milhões de euros.
Ao mesmo tempo que o Conselho de Administração da Sonangol faz esforços para conter recursos nos próximos três anos, também vem acalmando o grupo de trabalhadores que ninguém vai ser despedido, apesar do redimensionamento das diversas áreas.
“A Sonangol não vai despedir pessoas, mas vai realinhar as suas actividades da empresa com a sua componente principal, que é exploração, produção, desenvolvimento, comercialização de hidrocarbonetos no país”, disse Carlos Saturnino, ao confirmar o emagrecimento a que se vai sujeitar a instituição.
AE

Kaombo no pico em 2020

OProjecto Kaombo, inaugurado, recentemente, a 260 quilómetros da costa de Luanda, é tido como o marco do relançamento em grande da produção petrolífera do país, que nos últimos anos conheceu um ligeiro abrandamento da produção, fruto da crise económica que afecta o país.

Com esta iniciativa, a Total e as suas associadas tomaram decisões de investimento no Bloco 17, situado em águas profundas, com vista a desenvolver campos satélites, onde estão quatro FPSO de exploração, nomeadamente o Clov, Dália, PazFlor e Girrassol, que serão conectados às infra-estruturas existentes, que podem contribuir para a rápida produção adicional de petróleo nos próximos anos.
A unidade flutuante FPSO Kaombo Norte, ora inaugurada, está situada no Bloco 32, a uma profundidade de cerca de dois mil metros e é o maior projecto de desenvolvimento em águas profundas de Angola, com uma produção diária de 115 mil barris de crude, constando da estratégia da operadora francesa, continuar o seu programa de desenvolvimento no país, após o lançamento, em Maio deste ano, do projecto Zínia 2.

Inicio de produção
A Total e suas associadas vão desenvolver o projecto Clov Fase 2, que requer, numa primeira fase, a perfuração de sete poços adicionais, com a previsão de entrada em produção em 2020, a oferecer uma produção adicional de 40 mil barris/dia.
Nas fases subsequentes, a operadora vai desenvolver ainda o projecto Dália Fase 3, com seis poços adicionais por perfurar, com a previsão de entrada em produção em 2021 e uma produção de 30 mil barrís de petróleo por dia. “Constitui um novo marco na história de Angola”, destacou o presidente e director-geral do grupo Total, Patrick Pouyanné.
Dados avançados pela companhia, no evento de apresentação, indicam que o Zínia 2, Clov 2 e Dália 3 vão permitir o desenvolvimento de cerca de 150 milhões de barris de recursos adicionais, para manter o painel de produção do Bloco 17, somando 400 mil barris de petróleo/dia até 2023, o que aumenta deste modo, a rentabilidade do bloco, com mais de 2,6 mil milhões de barris já produzidos.
O Kaombo Norte tem como concessionárias parceiras a Sonangol e a Total, como operadora do Bloco 17, com 40%, a Equinor, com uma quota de 23,33%, a Exxon Mobil, com 20%, e a BP, com 16,67 por cento, que juntas devem garantir a operacionalidade do bloco.
A cerimónia de inauguração do Kaombo Norte contou com a presença do ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, e do presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Carlos Saturnino.
Ismael Botelho


Estratégias do Governo definem os meios para
chegar-se aos 1,5 milhão de barris/dia

Entre Janeiro e Junho de 2019 um total de cinco novos campos de produção petrolífera entram em funcionamento e deverão acelerar a produção petrolífera nacional visando o alcance da meta proposta que é a de posicionar a oferta interna nos 1,52 milhões de barris/dia.

Trata-se dos campos Raia, Bagre e Albacore, no Bloco 2/05, o Vandumbu do Bloco 15/06, e do Polo Kaombo Sul, do Bloco 32.
Conforme desenhou o Executivo no seu documento principal e que traduz as opções de governação, o OGE, para 2019, a recuperação da produção petrolífera interna é prioridade, e mesmo que não se venha a assumir a liderança no continente, mais importante será posicionar a oferta num patamar capaz de traduzir-se em clara estabilidade económica.
Nos discursos públicos, sejam eles de autoridades do Governo, fossem de investidores/operadores no sector petrolífero a ideia consensual é a de que o maior desafio está no aumento da oferta. Este ano, as baixas sucessivas na oferta, algumas vezes ajudadas pelas decisões de corte na produção da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Ao que se sabe, os novos investimentos no sector petrolífero em parte estão dependentes das mudanças que devem ser operadas no sector com realce ao surgimento da Agência Nacional, que assume o papel de concessionária, e também da redução do custo de produção de barril.

A queda misteriosa
Alguns analistas dizem que a queda de terça-feira (13) não ocorreu tanto por causa do relatório da Opep, mas por uma perspectiva da Agência Internacional de Energia (AIE), onde o diretor executivo da agência, Fatih Birol, implorou que as empresas perfuradoras dos EUA aumentassem sua produção de petróleo, que já estava em níveis recorde.
A AIE mostrou-se, deste modo, mais preocupada com os interesses dos importadores de petróleo no Ocidente. Fatih Birol sugeriu que os Estados Unidos adicionassem, ao longo do tempo, a quantidade de 10 milhões bpd. A pretensão é vista como uma real ameaça, pois que tais níveis de oferta equivalem a uma “Rússia”) à sua produção actual de 11,6 milhões bpd. A Opep reúne a 6 de Dezembro e até lá muito ainda pode mudar.
Isaque Lourenço