A funcionalidade dos perímetros passa pela aposta séria nos recursos humanos, sobretudo com indivíduos interessados em trabalhar e não com aqueles que só querem ocupar a terra. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Huíla diz-se atento ao ponto de situações dos perímetros irrigados, fundamentalmente com os resultados que podem ser alcançados após os Ministérios das Finanças e da Agricultura decidirem-se pela criação de grupos especializados para levantar o estado destes investimentos com forte participação do Estado.

Qual é a sua opinião sobre os perímetros?
Face ao estado menos bom de certos perímetros, os ministérios da Agricultura e das Finanças constituíram equipas que estão a avaliar a real situação e todos nós estamos atentos, aguardando pelos resultados para a partir daí se conceber novas estratégias para alavancar a produção.

Há apoios necessários para alavancar a produção?
Sim. Neste momento, há de facto uma grande dinâmica para apoiar-se mais o sector produtivo a todos os níveis com vista a termos os perímetros irrigados, sobretudo da província, a funcionar em pleno.

O que se deve fazer para termos uma produção de facto nos perímetros irrigados?
A funcionalidade cabal dos perímetros passa pela aposta séria nos recursos humanos, com indivíduos interessados em trabalhar e não com aqueles que só querem ocupar a terra. Urge também apostar no apoio técnico e mecanizado de modo a ser possível auxiliar convenientemente os homens do campo para depois apostar-se nas sementes com qualidade e agro-quimícos necessários para as plantas germinarem convenientemente e dar frutos com qualidade exigida em qualquer mercado.

Como solucionar as questões de escoamento?
A maioria dos grandes produtores, particularmente da Huíla, enfrenta muitas dificuldades para escoar quantidades consideráveis de produtos colhidos numa determinada época agrícola, sendo que a preocupação recai para os alimentos facilmente perecíveis. A solução do problema passa pela funcionalidade dos vários sectores com estatuto para intervir neste processo.

Quais são estes sectores?
Os dois principais sectores, da Agricultura e Comércio que devem assumir as suas responsabilidades. O Ministério da Agricultura deve-se encarregar da produção e o do comércio e organizar a rede de comercialização. Em tempos ouvimos, na província do Uíge, o titular do Comércio a falar da produção, e em nenhum momento, falou do necessário que é a comercialização, sendo o seu verdadeiro papel. Penso que o ministro do Comércio não deve falar da produção, mas sim da comercialização. O escoamento que pode funcionar de facto passa pela criação de uma rede rural de comerciantes e a indústria só deve intervir na criação de condições favoráveis à transformação dos produtos, principalmente os mais perecíveis.


Qual é o principal embaraço da actividade do agricultor?
A grande dificuldade que os homens do campo têm é a de produzir e não vender. Ele tem muita dificuldade de encontrar mercado por não ser especialista para o efeito. Esta situação contribui para não estimular os homens do campo. Um dos factores que incentiva o produtor é a comercialização. Quem consegue vender tudo, tem motivação para alargar cada vez mais os espaços de cultivo. Os técnicos devem avaliar melhor os projectos que falharam, reformulá-los e dar-lhes um novo cariz, tendo em conta aos momentos actuais, sendo que a comercialização e a indústria são de extrema importância para o desenvolvimento da produção.

Quais são os factores estranguladores da actividade produtiva?
Tudo começa com o facto de os comerciantes não se encontrarem no meio rural para identificar os produtos excedentes e adquirí-los para os supermercados ou outros pontos de venda. Por outra, ainda são péssimas as condições das estradas secundárias e terciárias, necessárias para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias. Por último, a dificuldade no acesso ao crédito direccionado
para a comercialização.

Porque que continua a defender a poupança de divisas?
Sou contra a importação de alimentos, principalmente daqueles que o país tem capacidade de produzir a escala industrial e servir também para exportação. Se apostarmos mais na lavoura, conservação e escoamento adequado, haverá capacidade de poupar divisas para o nosso país e aumentar a riqueza da Nação.

Está satisfeito com o decreto presidencial que isenta as taxas aduaneiras a importação de alguns bens?
O sector produtivo sai a ganhar muito com este decreto porque temos necessidade de importar vários equipamentos fundamentais para fortalecer o processo produtivo e promover a criação de unidades de transformação dos produtos do campo. Reclamamos muito sobre a ineficiência da área de transformação dos bens do campo e só com a implementação do novo decreto presidencial, a partir de Agosto, começará a haver condições para a implantação de indústrias diversificadas.