O Ministério das Finanças e a Sonangol Distribuidora anunciaram, recentemente, em comunicado de imprensa o ajustamento dos derivados de petróleo em cumprimento do Decreto Executivo nº 706/15 de 30 de Dezembro de 2015.

Assim sendo, desde as zero horas do dia 01 de Janeiro de 2016 que se observa nos postos de abastecimento de combustível uma nova tabela de preço em conformidade com o novo regime de preços livres.

Deste modo, o preço da gasolina que era comercializado por 115 kwanzas o litro está a custar para o consumidor 160 kwanzas. O gasóleo subiu de 65 para 135, ao passo que o fuel aditivado custa agora 65 e o jet A1 150.

O petróleo iluminante está a ser vendido agora 70 kwanzas o litro, enquanto o gás LPG custa 100 o quilograma.

Reacção do mercado
A reportagem do JE conversou com consumidores e agentes económicos para saber como as pessoas estão a reagir aos novos preços.

Oito dias passados desde a entrada em vigor do novo regime de preços, as reacções não se fizeram esperar.

“Boas festas infelizes”. Foi dessa forma que Pedro Quilombe, 28 anos, reagiu a notícia sobre a subida do preço de combustível divulgada na noite da passagem de ano.

Como vive num bairro onde a luz eléctrica falha constantemente, ele recorre a compra do combustível nas bombas para abastecer o gerador eléctrico com o qual faz serviços de serralharia.

“Significa que vou gastar mais dinheiro para comprar o combustível, por isso também vou aumentar um pouco os meus preços para compensar”, afirmou. Por sua vez, a vendedora Gia, 33 anos, revelou à nossa reportagem que por conta do aumento dos combustíveis os chamados “mamadus”, ou proprietários estrangeiros de armazéns do comércio interno, estão a aproveitar a situação para aumentar indiscriminadamente o preço das mercadorias.

“Antes comprava a caixa de Sheltox (marca de insecticida) por 6.600 kwanzas, agora compro a mesma caixa a 8.000 kwanzas”, revelou, quando instada a fazer uma comparação de preços de antes e depois do aumento nos combustíveis.

“Há duas semanas comprava produtos de cabelo por 7.000 kwanzas agora custa 10 mil. Isto é especulação”, protestou, para mais adiante apelar as autoridades competentes a fazer “qualquer coisa para impedir esse aproveitamento comercial, que para ela reflecte a ganância e a busca desenfreada do lucro fácil”.

Outra vendedora corroborou com a colega afirmando que as fraldas descartáveis que comprava a 4.600 kwanzas a embalagem agora é obrigada a pagar 6.000 kwanzas.

Por isso, a vendedora ambulante justifica o aumento das vendas a retalho. Por cada embalagem de três fraldas, que vendia a 100 kwanzas, agora vende pelo mesmo preço apenas duas fraldas, ou seja, cada fralda subiu de 35 o preço unitário para 50.

Taxistas aumentam preço Manuel Helena, 30 anos, é funcionário de uma empresa privada. Todos os dias, apanha o táxi no bairro Cassequel do Buraco para o centro da cidade. Ele conta que foi obrigado a descer do táxi que tomara quando foi informado sobre a subida do frete. Antes pagava 100 kwanzas pelo troço Cassequel/Maianga, agora o preço subiu repentinamente para o dobro deste valor, ou seja, 200 kwanzas.

“Os taxistas reclamam que o combustível subiu e, por isso, subiram o preço”, disse com ar de descontentamento. Informações postas a circular recentemente dão conta de que a Associação de Taxistas de Luanda (ATL) terá autorizado os seus associados a cobrança de 200 kwanzas pela “corrida”, por considerarem esse o valor que compensa a estrutura de custo da actividade.

A Aliança dos Taxistas não concordou com a subida da tarifa. Importa referir que essa associação foi criada com o objectivo de reforçar ou contrapor as posições consideradas muito liberais ou flexíveis da ATL (Associação dos Taxistas de Luanda).

Embora ainda não haja consenso entre os representantes dos taxistas e o Ministério das Finanças para fixação de um preço oficial, muitos aproveitam para especularem e, assim, facturarem mais mesmo que isso implique infringir a lei.

Níveis de inflação
A taxa de inflação oficial aumentou em Janeiro passado em 0,63 por cento, sendo que a capital do país lidera as subidas. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi influenciado de Janeiro para Fevereiro, sobretudo pela classe “Alimentação e Bebidas não alcoólicas”, cujos preços aumentaram 0,85 por cento.

Na classe de “Bens e serviços diversos” o aumento foi de 0,82 por cento e nas “bebidas alcoólicas e tabaco” de 0,75 por cento. Entre os produtos do cabaz definido pelo INE, os aumentos de preço de Fevereiro foram liderados por produtos alimentares, como coxas de frango (aumento de 2,67 por cento), de tomate (1,44 por cento) ou o arroz agulha (1,13 por cento), entre outros.

De acordo com dados do INE e do BNA, a inflação no país fixou-se em torno dos 7,5 por cento em 2014. Na revisão do Orçamento Geral do Estado para 2015, devido à forte quebra da cotação internacional do barril de petróleo, o Executivo definiu uma previsão de 7 a 9 por cento para a variação da inflação este ano.