Há gente a entrar e a sair mesmo com o “aperto” financeiro, o hábito e costume de ter uma mesa recheada no Natal à medida do tempo domina e movimenta milhares de pessoas, em direcção aos mercados informais para fazer um cabaz e ter a família reunida no dia 25 de Dezembro. “ Poupança é a palavra de ordem para todos” realçam que “muda o tempo e muda o costume”.
Cada um quer fazer um cabaz à sua “medida”, ainda que para isso faça recurso às iguarias que constitui o dia-a-dia, o segredo é não passar o dia em branco, assegura Armando Chitali que acompanha a esposa às compras.
Franco Palena é um homem prevenido e para escapar a especulação antecipou as compras. Por agora, tem tudo em casa. Conta ter ido ao mercado apenas para comprar algumas verduras para o consumo diário. A sua decisão foi atendendo às experiências dos anos anteriores e a especulação que considera estar a enraizar-se nos agentes económicos.
“ Está a ser hábito que quando se aproxima a quadra festiva quer-se aumentar os preços. Muitos comerciantes aumentam o preço sem justificação. Sabem que nesta altura a procura é maior e sobem os preços, infelizmente”, explica.
Pelo facto dos produtos em causa estarem no leque dos de preços vigiados, diz ter já contactado técnicos do Ministério do Comércio, para debruçarem-se sobre a especulação nesta altura e todas tentativas redundaram em insucesso.
Já uma fonte do Instituto Nacional do Consumidor (INADEC) avançou apenas que tem agentes de fiscalização distribuídos em diversos pontos de Luanda, para reportar as anomalias. Porém, até à altura desta reportagem não estava em condições para adiantar mais dados em relação à subida de preços no mercado.

Poder de compra
O baixo poder de compra e a subida do preço de alguns alimentos está a retrair muita gente a obter os principais produtos da cesta básica nos mercados informais do “30” em Viana, e Cantinton, imediações da Gamek, distrito urbano da Maianga, em Luanda, onde fazem o habitual cabaz de Natal.
Muita gente tem as “baterias” viradas para os dois mercados. Há de tudo, desde a carne ao peixe, da batata rena à batata doce, do bacalhau ao peixe seco, da farinha de trigo à fuba de bombó.
O cheiro da fruta, dos assados e grelhados logo à entrada dos mercados é um convite natural. Há fruta suficiente e diversificada para a confecção de bolos com vários sabores, assim como os sumos e batidos que a época exige.
O JE galgou o interior dos mercados e notou o habitual corre-corre, mas de repente há um recuo dos clientes quando do preço se trata. As mulheres dominam o cenário de venda e das compras, mas as enchentes são reduzidas se comparadas aos anos anteriores.
Maria Dombele é uma de várias mulheres a fazer compras no Km 30. O seu único receio é não satisfazer as suas intenções, face à subida dos preços e o escasso dinheiro que possui.
“Esta é a altura para as compras. O salário atrasou e só hoje é que decidi faze-las”, conta.
A primeira paragem da cidadã é num espaço coberto, onde estão confinadas as vendedoras de carne, peixe fresco e seco. Uma posta grande de peixe seco corvina branca custa 7 mil kwanzas e da preta está a ser vendida a 5 mil. O bacalhau, um pedaço de aproximadamente um quilograma, custa 7 mil kwanzas, a fuba de milho 200 e a de bombó 150. Já uma perna de porco de aproximadamente 5 quilos custa 8 mil kwanzas e a de vaca está ser vendida ao preço de 45 mil.
Apesar desta diversidade de ofertas, a capacidade de compra das famílias parece retraída e alguns justificam com a ausência dos ordenados de Dezembro.