Ter casa própria é o sonho de qualquer homem, a par de ser uma das necessidades primárias dos seres humanos, mas para alguns cidadãos de Ndalatando, o cumprimento de tal desiderato mais parece utopia que realidade, em função do aumento no preço do saco de cimento a nível das principais agências de venda do referido produto.
À semelhança de outros pontos do país, citadinos singulares de Ndalatando e agentes económicos, reclamam que desde Agosto passado o preço do cimento tem oscilado a nível dos mercados locais, para o desalento de quem compra, e com alguma especulação por parte de quem vende.
António Caciano 32 anos, professor de profissão, tem um salário de 78 mil kwanzas de onde retira uma parte para sustentar a mãe que mora com dois sobrinhos, ficando o restante reservado ao sustento da própria família e pagamento do aluguer da casa em que reside no valor de 15 mil kwanzas ao mês.
Conta que em meados do ano passado adquiriu um terreno de 20 metros de largura e 15 de comprimento no valor de 400 mil kwanzas, montante acumulado durante dois anos, com o propósito de erguer a casa própria e livrar- se da renda, que em sua opinião é dos seus principais pesadelos.
Afirmou que tinha planos de começar a construir em Dezembro próximo, mas vê o sonho a ser adiado em função do aumento do preço do cimento nas principais lojas e postos de venda do referido produto. Esperava comprar o saco de cimento a 1.300 ou 1.500 kwanzas no máximo, mas actualmente os preços no nosso mercado
oscilam entre 2.500 a 3.000.
“Espero que as entidades governamentais revejam esta situação, porque acredito que a par de mim existem muitos jovens que estão impossibilitados de construir em função do preço actual do cimento”, disse.
Por sua vez Adilson Matias de 35 anos arquitecto de profissão está a construir um estabelecimento com pendor hoteleiro que vai albergar uma hospedaria, explanada e bar. Revela que a execução física do seu projecto está na ordem dos 40 por cento e está paralisada há cerca de
um mês por falta de cimento.
Deu a conhecer que normalmente compra o cimento no mercado local, mas com a onda da subida do preço do saco de cimento está com dificuldades de comprar, facto que o obrigou a dispensar os 10 profissionais que trabalhavam como mestres-de-obra e ajudantes de construção civil.
“Estamos a aguardar pela regularização da situação, embora não saibamos quando vai melhorar, pois só assim poderemos ter os pedreiros
de volta ao trabalho”, disse.
A equipa de reportagem do JE constatou que a marca mais comercializada é a Tunga, produto da Nova Cimangola, de produção nacional, cujo preço do saco de 50 quilos, varia entre os 2.500 e os 3.000 kwanzas.
Os agentes revendedores afirmam que adquirem o produto em Luanda ao preço de 2.000 kwanzas, ao que se adicionam os custos de transportação.

Preços dos blocos

Xui Han de origem chinesa tem uma fábrica de blocos localizada no bairro Catome de Baixo, quatro quilómetros da zona leste da cidade de Ndalatando, onde trabalham 25 jovens, entre operadores de máquinas, fabricadores e arrumadores de bloco.
Frisou que o aumento do preço do produto está a criar vários constrangimentos para a gestão e manutenção do pessoal.
Ressaltou que anteriormente o bloco de 12 era comercializado ao preço de 90 kwanzas, mas agora, fruto do aumento no preço do cimento não tem alternativas senão vendê-lo a 120 kwanzas.
Afirma que nos últimos dois meses a procura por blocos tem diminuído consideravelmente, tendo afirmado que caso não haja alteração no quadro actual, vai se ver na obrigação de despedir alguns trabalhadores, por forma a diminuir os riscos de prejuízo.
O jovem Tomás Francisco, de 28 anos, há três meses que trabalha como arrumador de blocos na referida fábrica. Diz que ganha 1.500 por dia, dinheiro que quando acumulado pode chegar aos 35 mil kwanzas durante o mês.