A subida do preço do petróleo constitui uma almofada de oxigénio para economias dos países exportadores, mas não é sustentável uma vez que se tem assistido ao surgimento de uma inundação do crude no mercado e que poderá originar uma descida nos próximos tempos, garante o engenheiro em Minas e Petróleos, Pedro Godinho.

Em entrevista ao JE, o especialista avança que nos Estados Unidos da América há uma aposta forte na produção de xisto, produto que provocou o derrube dos preços do petróleo no período entre 2013-2014. Além disso, é preciso termos em conta que há uma acção positiva dos países em todo o mundo em tentar encontrar mecanismos que permitam reduzir os efeitos dos combustíveis fosseis em troca das fontes renováveis.
O engenheiro explica ainda que aposta em energias não poluentes (verdes) é sinal de que o petróleo e o gás estarão em desvantagem. Acrescentou que enquanto os preços se mantiverem para cima é benéfico, mas caso houver um desequilíbrio entre a procura e a oferta os preços tenderão a baixar.
Pedro Godinho explica igualmente que o preço do petróleo é volátil e depende de vários factores entre eles políticos sobre tudo por causa do factor instabilidade que se vive no médio oriente, assim como a tensão entre os EUA e a Coreia do Norte. “E caso esta situação se mantenha naquela parcela do globo, o preço pode vir a atingir a fasquia dos 80 dólares”.
Revelou que as empresas que actuam neste sector no país estão a viver dias piores na medida em que 30 a 40 por cento delas estão na morgue ou já foram a enterrar e a maior fonte de atracção de investimento é o sector petrolífero.

Falta de investimentos
Recorda que em 2013 foi aprovado o maior investimento do sector dos petróleos operado pela empresa Total no bloco 32 (Kaombo) estimado em 16 mil milhões de dólares. “Se 25 ou 30 por cento destes recursos fossem aplicados na economia criar-se-ia mais empregos e garantia às companhias prestadoras de serviços que gravitam em torno das operadores”, atira.
Sublinha que desde aquela altura o país deixou-se de aprovar projectos e não havendo-os não há investimento e consequentemente as companhias que dependiam deste investimentos entraram em crise, o que levou a redução pessoal até atingirem a insustentabilidade

Custos altos prejudicam
O economista Yuri Kixina defende que Angola tem de seguir o comportamento dos reguladores estratégicos do sector petrolífero das melhores realidades do mundo e ultrapassá-los do ponto de vista de incentivos, uma vez que o custo geral na exploração de petróleo no país é bastante alto comparando com outras realidades.
“E num cenário de preços baixos ajudará as empresas do sector a atingirem as suas metas que é rentabilidade para contribuir cada vez mais no Produto Interno Bruto (PIB)”, sustentou.
O economista não acredita que do ponto de vista estrutural o preço venha atingir os 80 dólares, mas de forma artificial é possível e depois haverá uma segunda onda de preços baixos num futuro muito próximo. Explicou que a subida do preço de barril de petróleo dos últimos três meses dependeu da estratégia artificial da OPEP.
“Quem está a compensar os cortes dos membros da OPEP (que estão a descontinuar muitos investimentos no sector, através desta estratégia) são os garimpeiros do petróleo de xisto nos Estados da América”, aclarou.
Disse ainda que essa subida anima os produtores que dependem desta comodite porque não têm outra saída a não ser esta. Mas, assinala que para saírem de forma sustentável da dependência das matérias-primas, “é preciso apostar nos laboratórios de talentos e num ensino vocacionado ao mercado com liberdade, como fizeram os países asiáticos, particularmente, a Korea do Sul, Hong Kong, Singapura, Taiwan e a China, isto seria um milagre”.
Yuri Kixina diz ser urgente a alteração de modelos económicos em que mais de 70 por cento que comemos depende da autorização do Estado, se não “vamos continuar parado e a pedir esmola como reestruturar dívidas, em quanto os mais desenvolvidos estarão a correr”.
Kixina considera que a crise não é causada pelo petróleo. A economia angolana sofre de uma crise de consumo explosivo e destruição de riqueza, na medida em que quanto mais aumentava-se a dimensão do sector público, retardava-se o crescimento económico e “dávamos cabo da riqueza”.