A taxa de câmbio real efectiva continua, neste momento, sobrevalorizada em cerca de 17%, conforme sinaliza a análise dos desequilíbrios externos.

De acordo com dados avançados no Conselho Consultivo do Ministério das Finanças, o défice externo corrente não petrolífero para este ano é estimado em 33%, sendo que os termos de troca registam reduções sistemáticas desde 2011 e o custo unitário do trabalho assinala perda de competitividade, induzida pela quebra da produtividade média aparente.
Com isso, o Minfin advoga que a estabilidade macroeconómica precisa de ser melhor e mais regularmente monitorada com base numa abordagem centrada em indicadores chaves de desequilíbrios interno e externo, e na base de um mecanismo institucional mais demandante, mais autónomo, senão mesmo através da instituição de um Conselho de Finanças Públicas com responsabilidades de monitorar a solidez da política fiscal e a estabilidade macroeconómica.
Nessa perspectiva e conforme previu-se, desde 2015 que existe um hiato do produto negativo, muito por força da queda do preço do petróleo, e para um quadro como este, de fraco crescimento, em que o produto precisa da ignição fiscal para incendiar o asfalto do crescimento, com uma política globalmente pro-cíclica como é a do OGE/2018, a única estratégia possível de concretização da sustentabilidade da dívida é que o mercado se concentre nos determinantes do diferencial entre a taxa de juro média do stock da dívida e o crescimento do PIB. Por aí, reduzir a taxa média do stock da dívida é prioridade.
O conceito de taxa de câmbio real efectiva reúne, em uma só variável, três questões fundamentais para o entendimento da competitividade externa de um país, sendo a relação entre os preços domésticos e externos, reflectido na taxa de câmbio; a compreensão do que seja uma taxa efectiva, isto é, que compreenda o conjunto de países com os quais o país doméstico transaciona e a relação entre a inflação doméstica e a externa, expressa no conceito “real”.