Um total de 2.878 técnicos agrários foram instruídos pelo Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro (IMAT), localizado no município da Humpata (Huíla) desde 1939, altura em que foi criado.


Segundo o director-geral da instituição, Francisco Ebo, a escola pública, vocacionada para a formação de técnicos do ramo da agricultura, pescas e indústria alimentar, com capacidade para alojar 340 alunos, 12 salas, sete laboratórios e duas salas de informática.

O complexo escolar é constituído por três campos agrícolas experimentais, situados na fazenda do “Tchivinguiro”, sendo que faz parte do Instituto Médio Agrário, que mantém uma exploração agro-pecuária em três fazendas que são o suporte das aulas práticas. A fazenda tem 250 hectares de regadio e 500 de sequeiro.

Francisco Ebo disse ao JE que, o empenho dos estudantes nas aulas práticas e nas actividades extra-escolares permitiu, este ano lectivo, produzir grandes quantidades de cereais (milho), hortícolas entre outros.

O instituto recebeu pela primeira vez, cerca de 105 novos alunos, nos cursos de gestão agrícola, pescas e indústrias alimentares.
No ensino médio, foram matriculados 303 alunos dos quais 52 do sexo feminino, distribuídos em nove turmas da 10ª à 12ª classe.

“Desde a década de 1957 o Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro formou 1.171 regentes agrícolas e na década de 80, a 1.707 técnicos médios agro-pecuários, num total de 2.878 formados”, disse.

A fonte acrescentou que o processo de ensino e aprendizagem é assegurado por 43 professores, dos quais nove do sexo feminino. Para os próximos anos, a instituição prevê introduzir no sistema de ensino dois novos cursos, nomeadamente técnicos de recursos humanos florestais
e agro-alimentares.

Para as aulas práticas, a instituição tem laboratórios de física, biologia, zootecnia e dois laboratórios de informática básica, apetrechados com meios modernos e com técnicos especializados.

A abertura de novos institutos agrários nas províncias do Cuanza Sul, Bié, Cuanza Norte, Malange e Uíge reduziu a procura de alunos no Tchivinguiro. A instituição continua a receber alunos de diversas partes de Angola, com realce para as províncias da Huíla, Namibe, Cunene, Cuando Cubango, Luanda, Cabinda, Uíge, Zaire e Benguela.

“A escola continua a ser uma grande referência no ensino profissional em Angola”, disse.

Para as aulas práticas, o instituto tem tractores e alfaias agrícolas, que asseguram a produção dos 250 hectares de regadio, dos 500 da área de sequeiro nas três fazendas que compõem o complexo agrário.

A escola tem um suporte de uma exploração agro-pecuária com uma área de cerca de 8.340 hectares, com aptidão para a produção agrícola, pecuária, silvícola e outras para actividades económicas, como por exemplo o turismo rural.

As condições das três fazendas permitem o cultivo intensivo de espécies com características das zonas temperadas, subtropicais, assim como
das zonas tropicais.

Actualmente, as culturas são o milho, cebola, batata rena, repolho, couve, cenoura, pimento, couve-flor, tomate, fava, abacate, banana, laranja, girassol e luzerno.

Actividade agro-pecuária
A produção de aves está em alta no complexo, tendo o número atingido 1.800, entre patos, gansos, pombos e patos. Resultado positivo também se regista na produção de gado bovino, caprino e suíno. A produção positiva também é notável na produção de coelhos.

O responsável assegurou que graças ao empenho dos estudantes do curso de gestão animal e da direcção do complexo, os níveis de produção são animadores.

Projecto de reabilitação
Está também prevista a reabilitação de várias infra-estruturas de apoio a actividade escolar. Neste particular, prevê-se a recuperação da área agrária, que terá um canal de irrigação com uma extensão de três quilómetros.

A insuficiência de cabimentação financeira, difícil recrutamento de professores efectivos para as cadeiras técnicas e serviços laboratoriais, canal principal obsoleto e inexistência de sistemas de regadio, incapacidade de aquisição de insumos, materiais e equipamentos agro-pecuários aliados ainda a constantes avarias dos meios de mecanização agrícola existentes constituem as grandes dificuldades do centro.

Dinâmica
A dinâmica de formação de técnicos agrários continua a ser prioridade do instituto, que continua apostado
na “excelência”.

Este ano, a instituição abriu pela primeira vez, o curso de indústria agro-alimentar.

“Estamos a manter os ritmos normais de funcionamento para a área pedagógica e prática produtiva”, revelou.

Francisco Ebo disse que a instituição ainda carece de docentes para fazer face às necessidades existentes, sobretudo na área tecnológica de gestão agrícola. Indicou que de preferência, professores que são oriundos de escolas profissionalizadas, como agricultura, zootecnia, veterinária, laboratórios fundamentalmente, já que é uma área importante para dar resultados que se esperam.

A formação de técnicos agrários é a base fundamental para o processo de desenvolvimento. Nesta conformidade, disse, a instituição está a incentivar os alunos a se formarem na área agrícola.

“Estamos a incentivar os nossos alunos a aprenderem com profundidade para um futuro melhor e a altura da dimensão do país para minimizar a fome e a pobreza”, salientou.

Bons resultados
O perfil dos técnicos formados pelo instituto tem permitido dinamizar o sector em todas as províncias.

“Temos vindo a receber felicitações onde os alunos depois de terminarem os cursos são empregados. Quero com muito orgulho dizer que os alunos que estão na província de Malange, Matala, Huíla e diversos pontos do país, o retorno do desempenho e qualidade é bom e têm capacidade técnica de desenvolver a sua actividade”, disse.

Disse ser filosofia de trabalho de fazer com que os alunos sejam cada vez mais humildes, porque nem tudo
se aprende na escola.

“Optamos em criar também experiência da actividade aprendida na escola, convívio com os técnicos e actividades práticas que se possa aprimorar os conhecimentos”, revelou.

Reconhecimento
Os alunos com nota igual ou superior a 14 valores têm direito a uma bolsa de estudos, quer interna ou externa.

Francisco Ebo informou que anualmente se regista alunos com este ganho, sendo que para os alunos que ganham as bolsas para o exterior do país o destino é Portugal, Índia e Brasil, numa acção do Executivo angolano, através do Ministério do Ensino Superior em conjunto com o Governo provincial da Huíla.

O Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro ministra dois cursos de nível médio, sendo de agricultura e de pecuária.