Arranca hoje,12, em todo o território nacional o “Ano agrícola 2018/2019”, na qual se espera colher mais de quatro milhões de toneladas de cereais, 11 milhões 130 mil toneladas de raízes e tubérculos, bem como 802.202 toneladas de leguminosas e um milhão 937 mil 852 toneladas de hortícolas.
Dados do Ministério da Agricultura e Florestas revelam que esta meta será possível alcançá-la com a implementação da estratégia que visa a correcção da acidez dos solos, numa área de 30 mil hectares e com a preparação de mais de cinco milhões de hectares para sementeira.
O JE sabe que o projecto visa também o recrutamento de 380 técnicos superiores e médios.
O segmento da “agricultura familiar” continua a ser responsável por cerca de 80 por cento dos cereais, 90 de raízes e tubérculos e 90 das leguminosas e oleaginosas produzidos no país.

Estratégia do sector
Durante o I Conselho Consultivo do Ministério da Agricultura e Florestas realizado em Agosto, na cidade do Luena (Moxico), sob o lema “O desenvolvimento da agricultura como a base da diversificação económica do país”, os participantes recomendaram a continuidade da estratégia da redução dos custos de produção através da redução dos preços dos fertilizantes e da introdução de sementes melhoradas.
Tendo em conta os resultados alcançados com o processo de correcção dos solos com calcário dolomítico, recomendou-se, na ocasião, a expansão
para mais regiões do país.
Os participantes recomendaram igualmente a estratégia de implementação do crédito fiscal aos combustíveis em todo o território nacional dado o “seu efeito positivo na redução dos custos de produção”, além da implementação das “caixas comunitárias” , como factor indutor do desenvolvimento rural, sendo que deverá ser feita “de forma gradual e em função da capacidade organizativa das comunidades”.
Na sua política para o sector, o Executivo angolano pretende incrementar a produção agro-pecuária no período 2018/2022, com o aumento da safra dos produtos alimentares, que integram a cesta básica, quer em explorações agrícolas familiares, quer em explorações agrícolas empresariais.
Consta igualmente a criação de culturas industriais e de rendimento, bem como apoiar a produção agrícola familiar, através do aumento da disponibilidade e melhoria do acesso aos factores de produção e do aumento da capacidade dos serviços de extensão e de desenvolvimento rural.
Prevê-se também fomentar o aumento da produção pecuária para a satisfação das necessidades alimentares do país em produtos de origem animal, além de melhorar a prevenção, o controlo e a erradicação de doenças animais.

Balanço
Durante o ano agrícola 2017/2018, o país registou a produção de 2.250.853 toneladas de milho, tendo aumentado 16 por cento em comparação com a época anterior semeada numa área compreendida de 2.408.352 hectares.
O país necessita de cinco milhões de toneladas de cereais para suprir à carência alimentar, assim como o fabrico de ração e de sementes para o desenvolvimento da agricultura.
O milho e a soja constituem os principais produtos para a criação de frangos e consequentemente de ovos. Para que os objectivos traçados tenham respaldo, é necessário se dar uma atenção muito especial a este segmento.
Para o fomento da produção de cereais, a intenção é passar dos actuais 2 milhões de toneladas de cereais (milho, massango, massambala, arroz e trigo) para 5 milhões.
O sector da Agricultura e Florestas está a aumentar os apoios à agricultura familiar, pois é responsável em 80 por cento da produção que se consome no país.
Cerca de 2,4 milhões de famílias vivem da agricultura, sendo que o sector controla perto de 13 mil explorações empresariais.
A campanha 2017-2018, o sector projectou colher cerca de 11 milhões toneladas de raízes e tubérculos.
O país tem um potencial de sete milhões de hectares de perímetros irrigados para a produção agrícola, sendo que apenas 45 mil hectares de  terrenos estão em utilização.
O acto do lançamento oficial acontece no município do Chinguar, na província do Bié.

Incentivo
à produção

Para o fomento da produção agrícola, é fundamental que se garanta ao produtor um rendimento mínimo por hectare cultivado através da implementação do “gasóleo agrícola”, pagamentos de direitos aos produtores, assim como uma política fiscal adequada.
Dados da Associação Agro-pecuária dos Produtores de Angola (AAPA) a que o JE teve acesso, indicam que o custo de produção por hectare em Angola é muito alto, sendo que no segmento mecanização ronda os 901 dólares norte-americanos, sementes (250), fertilizantes (800), agro-químicos (200), secagem (208) e gasóleo para rega (341).
Os custos operacionais atingem 2.701 dólares. Amortização e o seu custo por hectare chegam aos 555 dólares e o financeiro é de 395.
Sendo assim, o total do custo por hectare é de 3.651 dólares norte-americanos.
Com a produtividade de oito toneladas por hectare representa um custo de produção após secagem de 456 dólares.
O promotores do estudo entendem ser fundamental garantir ao agricultor uma receita mínima por hectare acima do seu custo de produção ou permitir que a sua estrutura de custos baixe de forma a garantir a sustentabilidade e viabilidade do seu negócio. AV