As relações económicas internacionais entre os países não se esgotam na compra e venda de mercadorias, pois, uma parte importante dos fluxos económicos que se estabelecem entre os diversos países diz respeito à compra e venda de serviços, ao rendimento de capitais e às transferências unilaterais.
Por isso, são vários os serviços que os países prestam uns aos outros e que constituem uma parcela importante do valor total das trocas internacionais. Às compras e vendas de serviços correspondem também aos fluxos monetários que têm a ver com os serviços prestados na economia.
O comércio internacional de mercadorias entre Angola e o resto do mundo em 2016 mostrou-se favorável, devido à redução das despesas de importação em magnitude superior às receitas de exportação. Em virtude do comportamento das exportações e das importações, em 2016, o saldo dos serviços prestados registou um excedente de 14.548,4 milhões de dólares, contra 12.488,6 milhões em 2015, o que representa um crescimento de 16,5 por cento.
Para Angola, por exemplo, os serviços prestados na actividade turística ainda não satisfaz no ponto de vista de receitas, em termos de comércio internacional, por isso é que o seu saldo na balança de pagamentos tem sido sempre deficitário, apesar do valor positivo do turismo.
A conta de serviços apresentou um défice de 11.905,6 milhões de dólares no período em análise, tendo este melhorado 25,7 por cento, comparativamente a 2015, cujo défice foi de 16.020,1 milhões.
A fraca disponibilidade de recursos cambiais foi a principal causa para a redução da importação de serviços, com realce para outros serviços empresariais, de transportes e de construção que registaram uma queda de 948,3 milhões de dólares e 1.027,5 milhões. Por outro lado, a diminuição das receitas foi influenciada pela queda das viagens em 46,4 por cento (593,9 milhões de dólares).
Outra rubrica a considerar nas trocas com o exterior diz respeito aos rendimentos de capitais. De facto, a necessidade de investimento exige que o investidor, público ou privado, recorra ao crédito. Na verdade, o crédito constitui, muitas vezes, a principal fonte de financiamento
de uma economia.
Tal financiamento é obtido, muitas vezes nos países do resto do mundo a quem são devidos os rendimentos desse capital. No caso angolano, por exemplo, a saída regular de divisas corresponde ao rendimento de capitais, juros e lucros e é um dos factores que torna a economia angolana mais vulnerável e dependente, relativamente ao exterior.
Por isso é que em 2016 o saldo da conta de capital apresentou uma contracção de 5,7 milhões de dólares ao passar de 6,3 milhões no ano de 2015 para 0,6 milhões em 2016, fruto da redução na concessão de licenças de exploração pesqueira aos armadores não residentes.