A opinião generalizada da crítica especializada converge com a decisão do Governo de redimensionar e reestruturar o sector empresarial, independentemente do momento que a economia nacional atravessa. No último “Debate Livre” da Tv Zimbo, após a apresentação pública da estratégia e linhas de execução do programa, houve unanimidade e consensos nos posicionamentos manifestados pelos participantes. Os economistas Carlos Rosado, José Oliveira; o ex-ministro e agora gestor e consultor empresarial, Manuel Duque, além do presidente do Conselho de Administração do Insttituto de Gestão de Participações do Estado (IGAPE), Valter Barros, manifestaram posição alinhada com a adoptada pelo Governo, pois entendem ser agora o momento de dar outro rumo à economia. Manuel Duque, que foi também ex-ministro do Governo de Angola em anos anteriores, disse estar de acordo, embora vê no mesmo algumas incertezas. Para ele, o programa de privatizações é necessário e o que se precisa é ver-se as condições objectivas para o seu sucesso. Lembrou que das 95 empresas, 35 delas são de grande referência e outras nove estão cotadas na Bolsa de Valores. Entre as preocupações que manifesta, está a ausência de liquidez da economia. “Neste momento, a liquidez da economia angolana é um quinto da sul africana e um quatro, talvez, da nogeriana. Não há poupanças. É necessário criarem-se os pressupostos para que se avance com o processo”, disse. O economista José Oliveira entende que o programa é ambicioso e se até o seu final cumprir-se a metade ou um terço deste, deve-se o país, no geral, e o Governo, em particular, dar-se por feliz. Defende que as questões operacionais vão atrasar o arranque efectivo do programa devido a concentração de empresas e prazos. Outro entrave é a dívida pública, que, segundo diz, vai afectar o processo de privatização, porquanto os empresários estão sem capacidade financeira pelo que faz-se necessário incluir-se a titularização de dívida públina no momento das privatizações ou alienações. Uma coisa que se deve observar, para José Oliveira, é a cultura de preparar-se as empresas para processos de privatização. Também advoga a necessidade de o Governo melhor e aposta forte na estratégia de cvomunicação deste programa. Por sua vez, o outro economista, Carlos Rosado de Carvalho, entende que o programa de privatizações é o mais justo e que se adequa ao momento, apesar de reconher ser dificil a condiçãoa ctual das empresas e dos próprios empresários nacionais. Carlos Rosado entende que o programa não precisa ser cumprido à risca, mas tem de ser feito e é inegável a sua necessidade, apesar de excistirem muitos saudosistas. Para ele, devia ser adoptada uma regra de 20 por cento ou mais de distribuição da receita desse programa para pagamento da dívida pública. Já o presidente do Conselho de Administração, do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Valter Barros, alegorizou ser preciso olhar-se para a floresta e ainda só está a ver-se a árvore. “Cada privatização de uma empresa há de ser um processo. Não será o mesmo auditor a avaliar empresas de sectores diferentes. No passado, tivemos outras privatizações que tinham uma excepção de adjudicação directa. Neste momento, o Executivo entendeu retirar da actual lei a adjudicação directa”, argumentou. Questionado sobre quanto vai gera em receitas ao Estado o programa de privatizações, Valter barros disse não poder ainda quantificar, mas também defende ser mais importante, sem desprimor à arrecadação financeira, que se valirize a possibilidade de empregos de qualidade, empresas mais responsáveis e contributivas aos cofres públicos.

Lembrou ainda que o actual propcesso de privatização não é único nem o final, antes representa um novo começo.

Economistas concordam com a opção

O Economista Pedro Cajama concorda com a decisão de alienar as empresas públicas para que o Governo exerça de facto o papel de regulador  do mercado, mas alerta que o processo deve ser transparente e envolver profissionais competentes. Em entrevista à Luanda Antena Comercial (LAC), disse ser hora de mostrar que agora estamos  abertos para o empresariado,  o estado não pode ser o detentor das principais empresas,  porque muitos destas empresas umas são  muito lucrativas e outras nem tanto, e muitas das vezes o estado tem que estar sempre a injectar, então  é preciso que empresas agora se  tornam alto sustentável  e independentes, eu acho que o estado não vai alienar 100 porcento pode ser que vai abrir 80 a 90 por cento vai ter sempre algumas participações.
“Nós estamos numa economia de mercado e, nestas, o Estado é, praticamente, um regulador e não um empresário. Então, durante muito tempo como existia uma grande insuficiência dos empresários, o Estado teve que colmatar esse lado empresarial do privado, que ainda não estavam muito bem preparados”, argumentou.  Pedro Cajama precisa que as empresas devem ser privatizadas e que sejam privatizadas para empresários de sucessos não só em termos monetários, mas acima de tudo como pessoas com gestão e boas práticas naquilo que são as exigências internacionais em termos de empresas e concorrências. Desde que sejam transparentes, nós temos que entender que muitas destas empresas vão passar para Bolsa de Valores. É preciso, do seu ponto de vista, que as empresas estejam num processo transparente e daqui em diante sejam independentes. Por outro lado, o economista Carlos Padre entende que a medida vai ao encontro a intenção de tornar o sector privado no motor real da economia do país. No entanto, questiona a capacidade do empresariado nacional de assumir de facto este papel neste momento de dificuldade da economia.
“Temos que considerar que para o futuro de Angola realmente tem que se começar a dar solução para essas empresas, tem que funcionar dentro de um paradigma capitalista e que embora nós constatamos as dificuldades para encontrar interessados nestas empresas, eu acredito que tem que haver uma actuação maior na maior parte das instituições indicadas para o mercado capitais e também em relação as várias instituições ligadas ao investimento privado principalmente para captação do investimento estrangeiro”, disse.