No seguimento da nossa ronda, chegou-se à Avenida Deolinda Rodrigues, o ponto de concentração de inúmeros comerciantes de automóveis usados. Na circunscrição não eram visíveis os habituais stands de venda. Os moradores da zona informaram que muitos comerciantes decidiram abandonar o negócio e estão hoje focados em outros produtos rentáveis. Uma das opções está a ser a comercialização de pneus novos e usados.
Isto ocorreu com António Sami. Aos 48 anos, as vendas bateram contra as suas perspectivas. “O negócio já não estava a andar, não existe dinheiro para importar viaturas e as pessoas também estão descapitalizadas”, disse.
Bem ao lado, está o Stand Amigos Car. Perto de trinta carros, na sua maioria de ocasião, expostos, preenchiam 80 por cento do espaço de exposição. Julião Paulo, promotor de vendas, lamentou o facto de não haver ainda uma boa abertura na aquisição da moeda estrangeira, que permitiria aquecer o mercado. Para ele, o abrandamento está a provocar desemprego e a levar que muita gente opte por formas pouco honestas de ganhar a vida.
Algumas viaturas são adquiridas localmente, da mão de proprietários desejosos de se desfazer das mesmas. O volume de vendas actual ronda duas a três viaturas por mês, com uma margem de lucro na ordem dos kz 200 mil por cada venda, tendo a Hyundai e a Kia como as mais procuradas e comercializadas.