O governo de Cabinda vai elaborar um plano provincial de turismo para incentivar os empresários nacionais e estrangeiros a investirem no sector.

A província de Cabinda possui mais de 40 locais turísticos identificados pelo governo provincial, desde os florestais, recursos hídricos e sítios culturais. São esses locais em que os interessados devem mostrar vontade para montarem infra-estruturas que podem atrair os turistas.
Para melhor exploração desses locais turísticos, a secretaria provincial da hotelaria e turismo está a trabalhar na elaboração de um plano provincial que visa atrair o investimento privado na região.
De acordo com o secretário provincial da Hotelaria e Turismo, Macaia Tati este plano vai facilitar o empresário interessado em investir no ramo e identificar o local em que deseja construir uma unidade hoteleira. Afirmou que o governo local encoraja o sector privado a cooperar com o Estado.
“Temos estado a receber propostas de pessoas que querem investir em Cabinda neste sector no quadro da diversificação da economia o que satisfaz as autoridades locais”, disse.
Segundo ele, o programa de diversificação da economia foi bem pensado pelo executivo com o objectivo do Estado não depender das receitas do petróleo para desenvolver o país.
Este programa, como acrescentou, está a permitir ao executivo central e aos governos provinciais apostarem em outros sectores da economia fora do petróleo, como na agricultura, indústria transformadora e no turismo para captação de divisas e para o bem estar das populações.
“O sector da hotelaria e turismo traz um grande benefício à economia por ser uma fonte de receitas para qualquer país do mundo, aliás, há países em que o turismo é a única fonte de receitas para o investimento de várias infra-estruturas”, disse.
O responsável é de opinião de que dada a sua contribuição para a economia local e nacional devem existir estruturas de apoio suficientes como o transporte, a saúde, infra-estruturas hoteleiras, pensões, restaurantes e outros que intervêm no processo.
Sublinhou que em Cabinda notam-se benefícios com o turismo que é desenvolvido localmente, como de negócios, em que têm assistido a vinda de vários turistas à província.

Balanço
Dados de 2017, a que o JE teve acesso, através da Secretaria Provincial da Hotelaria e Turismo, indicam que no ano passado o sector arrecadou em receitas mais de 24 milhões de kwanzas, fruto do licenciamento das actividades comerciais, pagamento de impostos de selo, consumo e do trabalho económico desenvolvido pelos empresários do ramo.
Comparativamente ao período anterior, houve uma ligeira subida, já que em 2016 atingiram 23 milhões de kwanzas.
Segundo a fonte, as receitas arrecadadas durante o exercício económico de 2017, deveram-se também ao crescimento dos investidores privados que demonstraram interesse em aplicar os seus recursos na região.
Para Macaia Tati, o sector da hotelaria e turismo em Cabinda está a contribuir para o crescimento da economia da região, em particular, e do país, em geral. Referiu que o petróleo não pode ser visto como único recurso para alavancar o desenvolvimento e o crescimento económico de uma localidade, região ou província.

Rede hoteleira
O sector da hotelaria e turismo controla 43 unidades de hospedagem, como hotéis, hospedarias, aldeamentos turísticos e pensões, com um total de 771 quartos, num universo de 906 camas.
Macaia Tati disse que em 2017, o sector registou nove hotéis, 10 hospedarias, cinco aldeamentos turísticos e 24 pensões.
Referiu que o número de unidades hoteleiras registadas no ano transacto está em condições de atender os turistas que visitam Cabinda.

Empresários encorajados
A maior parte da rede hoteleira da província de Cabinda encontra-se na cidade sede e urge a necessidade de surgirem hotéis, pensões, hospedarias e restaurantes nos municípios.
“Estamos a incentivar as pessoas a investirem neste sector nos municípios”, disse, depois de acrescentar que o Estado não cria infra- estruturas, mas sim os privados.
“O Estado tem a responsabilidade de licenciar, fiscalizar, controlar e sancionar em caso de fraude no exercício da actividade”, disse Macaia Tati.
Referiu que o governo local tem estado a encorajar os empresários a serem mais agressivos em investir no sector, principalmente nas localidades do interior da província de Cabinda. Afirmou que o empresário que mostrar interesse em investir no ramo hoteleiro vai ter o apoio das autoridades locais.
“Não criamos obstáculos, pelo contrário, dinamizamos o processo para que a actividade do interessado tenha lugar, agora, estamos a encorajar os empresários a saírem um pouco para o interior”, destacou.
“Já identificamos uma série de potencialidades turísticas que a província possui. Felizmente, Cabinda tem essa grande vantagem de ter potencialidades turísticas em todos os municípios”, referiu.
Macaia Tati recordou que em 2015, a Travel Agency, organizou uma excursão turística a Cabinda, mas as pessoas “estavam com medo, pensando que ainda existiam conflitos na região, mas mostramos que a situação já não se faz sentir e qualquer um que queira vir a Cabinda pode fazê-lo”.
Referiu que a região já recebe turistas oriundos da RDC, Congo Brazaville, Gabão, Portugal, Espanha, Itália e de outras nacionalidades.

Mais emprego
Durante o ano passado, a secretaria registou a criação de novos empregos no sector da hotelaria e turismo a ordem dos 98 trabalhadores, dos quais 54 homens e 42 mulheres.
Para o secretário Macaia Tati, é um indicador satisfatório. Para o presente ano o número pode aumentar com o surgimento de novas unidades hoteleiras.
“Este ano vamos ter mais hotéis, na localidade do Chiazi, prevê-se o surgimento de 4 unidades, na rua das mangueiras, vai ter uma unidade, e o número de trabalhadores poderá aumentar para 118”, referiu.
Cabinda conta com seis restaurantes, oito snack-bares, dois bares e três discotecas.