O grupo Sanzel, que prevê inaugurar em Junho próximo, em Luanda, uma unidade industrial destinada à transformação de plásticos, encara os custos de produção muito elevados para reduzir a importação ainda muito expressiva. “Temos custos de produção que o europeu não tem, como, por exemplo, com as cisternas de água, combustível para o gerador, os 20 por cento de custos aduaneiros, os custos com a logística, mais a mão-de-obra dos respectivos trabalhadores, são gastos de cerca de 500 mil kz, enquanto uma indústria europeia gasta dez vezes menos”, diz o director executivo do grupo Sanzel, Rúbio Pimentel, cuja indústria terá uma capacidade de produção de 700 toneladas anuais para cada um dos seus produtos plásticos, e que numa primeira fase começará a operar com cerca de 47 funcionários directos, dos quais 42 são angolanos.
Rúbio Pimentel reconhece que só através de uma aposta consistente na diferenciação, na inovação e na qualidade é que o grupo conseguirá se manter neste mercado, num sector que conta com pelo menos 23 indústrias de transformação de plástico, já em pleno funcionamento e mais de 30 pedidos de financiamento para implementação de indústrias de plástico. O empresário apelou ao Estado que faça uma reformulação das políticas, com o fim de reduzir os custos de produção dos produtos nacionais, para que se tornem mais competitivos.

Constrangimentos

As políticas de habitação e infra-estruturas públicas de serviço às populações e ao desenvolvimento do país, tiveram impacto positivo nas indústrias de materiais de construção, com a modernização tecnológica a levar várias empresas a fornecer materiais bastante competitivos. Mas o cenário mudou nos últimos meses de 2016 e nos primeiros de 2017, com constrangimentos no acesso ao mercado e à sua sustentabilidade económica, devido aos custos de contexto, agravadas pelas circunstâncias de custo dos factores, desvalorização cambial e dificuldade acrescida de acesso a divisas. De acordo com o presidente da Associação das Indústrias de Materiais de Construção de Angola (AIMCA), José Mangueira, que reconheceu recentemente estas dificuldades ao JE, é fundamental assegurar uma dinâmica associativa proactiva, norteada pelo compromisso pelos princípios de desenvolvimento económico e social e, promovendo o aumento da competitividade que passa por políticas que pressionem a redução dos actuais custos de produção.
A partir de Junho, Angola pode ver reduzida a necessidade de importar produtos de limpeza, como detergentes, sabão em líquido e lixívia. Com o lançamento da nova marca “Ultra” e com o aumento da produção, a Basel Angola espera cobrir cerca de 60 por cento das necessidades do país.
Mas a única empresa que produz detergentes em pó no país, e já atingiu um investimento de 30 milhões de dólares, com 400 funcionários, enfrenta igualmente o peso dos elevados custos de produção e manutenção.
Mas fonte da empresa revelou, em Março, ao JE que o mais preocupante é o acesso às divisas para a importação de matéria-prima, preocupação já demonstrada à ministra Bernarda Martins durante uma visita recente à Basel Angola, que produz sete toneladas de detergentes em pó por hora, o que permite atingir as 2.500 toneladas mês.
A meta é atingir as 4 mil toneladas para poder cobrir quase todo o território angolano. Em 2018, a fábrica pretende arrancar com a produção de sabão em barra e com a montagem da fábrica de lixívia com uma tecnologia de ponta. “Pensamos também em implementar a fabricação de fraldas descartáveis e cosméticos”, revelou em Março último o director-geral da Basel Angola, Hussein Khatoun, augurando melhorias no ambiente económico.