Foi uma grande odisseia! No início foi tudo difícil, às noites eram longas, e os dias eram verdadeiros martírios para Albano Américo, 32 anos, deficiente físico dos membros superiores. Vindo de Benguela nos idos anos 90, diz que já dormiu em papelões estendidos no chão à beira-mar de Cacuaco, em, Luanda. Na época chuvosa abrigava-se no primeiro espaço com cobertura que lhe aparecesse. Sobrevivia do dinheiro que conseguia na escama de peixe, e trabalhos paliativos realizado nas pequenas embarcações. Não passava de “pão e chá”. Quando estivesse doente, à esperança esfumava-se no tempo . “Nos dias que estivesse doente era pedir a Deus”. Nos hospitais faltava tudo, desde assistência médica e medicamentos, principalmente quando pediam dinheiro para ser atendido. Nem isto, lhe fez perder o foco do “ mundo dos negócios”, ou o regresso às origens. Nem pensar! Prevaleceu e vincava a vontade de vencer, e prosperar no negócio.

Início

Albano conta que o seu primeiro negócio foi revender pão que adquiria numa padaria na Caop, em Cacuaco. Agarrado ao trecho da música, “em Luanda o sol brilha para todos, o segredo é trabalhar”, (a sua música de eleição e um hino de negociante). Estava ele a dar os primeiros passos. As poupanças que fazia permitiram-no comprar um carro-de- mão, focado na transportação de bens das quitandeiras e clientes da praça da Caop e fazer outros serviços nos bairros periféricos. Com o faro afinado ao negócio, poder e vontade, direcciona os seus “disparos” para os meandros de moto táxi (kupapata), em pouco tempo Albano comprou uma motorizada. Semanalmente, amealhava mais de kz 7 mil, a tenacidade e perseverança, deram-lhe vazão para mais duas motorizadas. Assim, emprega duas pessoas que tinham a obrigação de entregar sete mil kwanzas semanalmente. Daí nunca mais parou, pois facturava todos os dias. O investimento inicial foi de kz 70 mil. Hoje prospera e diz que, dá para viver de moto-táxi.
O dinheiro para ser obtido requer muito sacrifício, às vezes mais, ás vezes menos, nunca é questão de sorte, é preciso transpirar e atravessar barreiras. Algumas ratoeiras são montadas por pessoas próxima”,

Concorrência

O negócio é concorrido, ainda assim recebe kz 14 mil/semana de cada motoqueiro. As obrigações salariais são responsabilidade de cada um, que durante um dia no fim-de-semana faz o seu ordenado. A manutenção está reservada ao utilizador. Enquanto as duas Kupapatas prestam outros serviços, Albano compra uma motorizada de 3 rodas a famosa (Avo veio) actua no aluguer às peixeiras. Por cada corrida recebe kz 3 mil, aliás a distância determina o preço. No final o dia está ganho, “facturo o suficiente”, disse.
Muito solicitado no local, por causa da qualidade e eficácia do seu trabalho, a ascensão já começa a provocar a dor de “cotovelo” aos seus concorrentes. “ Albano vem cá, ah depois vem vamos à Funda, assim acontece. Ao lado os outros vão franzindo a testa em reprovação ao sucesso do jovem. “ Isto não me preocupa, trabalho com a força de Deus, o resto não me incomoda o que vou fazer é redobrar o trabalho, investir mais e facturar mais e mais “, realça o jovem que diz estar habituado com a mania dos “preguiçosos”.
Com a ascensão e facturação, o jovem conseguiu construir duas casas com boas dimensões, e qualidade para duas mulheres que coabitam com o jovem promissor. Das duas relações conjugais surgiram três filhos, que estudam em bons colégios de Cacuaco, segundo Américo, que almeja um futuro melhor com uma formação sólida. “ Não falta nada para as duas, há desde alimentação, assistência médica e recreio para os filhos no fim-de-semana, assim vai a minha vida”, disse.