O Executivo angolano almeja que a Alemanha não seja apenas um parceiro estratégico, mas que se faça presente nas acções concretas que possam ter um forte impacto no desenvolvimento do país.

Esta perspectiva foi avançada pelo ministro da Economia, Abraão Gourgel, durante a abertura do fórum económico Alemanha-Angola, que decorreu esta semana em Luanda.

Segundo o ministro, espera-se que no âmbito da cooperação entre os dois países exista uma maior colaboração técnica na área da gestão de projectos, tirando-se vantagens à fiabilidade e ao compromisso de longo prazo e transmissão de experiências para se melhorar a actividade das micro, pequenas e médias empresas nacionais.

Abraão Gourgel destacou, de igual modo, a importância dos investimentos por parte das empresas alemãs nos sectores de infra-estruturas, com destaque para a produção e distribuição de energia, águas, construção de pontes e estradas.

Áreas de actuação
“É necessário que existam parcerias comerciais de longo prazo com investidores de confiança, que adoptem padrões internacionais de qualidade e de protecção ambiental, criando oportunidades de formação e qualificação para a mão-de-obra angolana, bem como o desenvolvimento de projectos conjuntos de escala internacional”, sunblinhou.

O ministro Abraão Gourgel disse também que no âmbito das relações comerciais é importante fomentar o investimento de bancos alemãs de referência no sistema bancário angolano, assegurando-se o financiamento de projectos privados, sobretudo no sector mineiro, indústria petroquímica, saúde, agricultura, construção de habitação e formação profissional.

Para o governante, as parcerias na prospecção, exploração e transformação dos nossos recursos naturais, para criação de núcleos industriais nacionais mais fortes, constituem também prioridades para os acordos de investimentos.

Apostas vantajosas
Uma das vantagens nas relações Alemanha-Angola é, seguramente, a redução dos custos nas operações aduaneiras, porquanto os dois governos estão interessados na facilitação das actividades de trocas comerciais e no reforço das capacidades empreendedoras dos nacionais por via de uma aproximação dos investidores de ambos os mercados.

Abraão Gourgel disse ainda que os investidores alemães terão enormes vantagens com a aposta feita no mercado, uma vez que, internamente, ganham o respeito à propriedade privada e todas outras garantias constitucionais, além de beneficiarem da localização estratégica em relação aos mercados externos. Há ainda uma forte disponibilidade de matéria-prima e de recursos energéticos, quer tradicionais quer alternativos, tais como o gás natural.

“Estamos convencidos que o sector bancário angolano pode beneficiar de financiamentos de instituições financeiras de referência da Alemanha, particularmente devido ao novo regime cambial do sector petrolífero”, concluiu o ministro.

Reforço
Por seu turno, o ex-minsitro da Economia alemã, Michael Glos, que integrou a comitiva, afirmou ao JE, que as relações entre os dois países ganharam um novo impulso após a visita em 2009 do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos a Berlim, Alemanha.
Segundo disse, foi nesse período que os dois governos assinaram um memorando de entendimento sobre uma parceria estratégica para a ampliação e o aprofundamento da cooperação económica entre os países.

Michael Glos acrescentou que o Ministério das Finanças da Alemanha enviou em 2011 um projecto de dupla tributação que visa a concessão de linhas de créditos avaliado em 500 milhões de euros, juntamente com o Ministério das Finanças de Angola, apelando que o projecto seja desenvolvido o mais rapidamente possível.
Lembrou, igualmente, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento económico em Angola na ordem dos sete por cento. Para o economista, esta excelente perspectiva representa um exemplo para muitos Estados africanos.

“Queremos contribuir com os nossos conhecimentos para apoiar o processo de reforma e desenvolvimento neste país, assim como ajudar na redução da dependência das exportações do petróleo”, afirmou.

Volume das importações
Em 2012, as importações alemãs de Angola atingiram cerca de 294 milhões de euros, enquanto as exportações alemãs para o nosso país foram de 391 milhões de euros. De modo geral, o comércio bilateral e o interesse das firmas alemãs em Angola registam um desenvolvimento positivo nos últimos anos.
De recordar que Angola já é o terceiro mais importante parceiro comercial da Alemanha na Africa subsahariana. Além disso, as importações alemãs se reduzem quase exclusivamente ao petróleo, gás natural e produtos à base de óleos minerais.