O Governo angolano defendeu domingo em Gaberone (Botswana) o reforço da parceria como forma de se fazer face, “com mais determinação”, à crise económica e financeira internacional, indica uma nota da embaixada angolana no Botswana chegada nesta segunda-feira à Angop.

Segundo o documento da missão diplomática angolana, a posição foi manifestada pela delegação angolana que participou na primeira reunião ministerial de seguimento da Quarta Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento de África (TICAD IV), realizada de 21 a 22 de Março na capital do Botswana, e que teve como objectivo a avaliação dos progressos registados na implementação do Plano de Acção de Yokohama de 2008.

Para Angola, a crise internacional, que teve início nos Estados Unidos e se alastrou já a todos cantos do mundo, trouxe para a atenção de todos agentes internacionais, e de forma particular dos governos, a necessidade de cooperarem de forma a se encontrar pontos de convergência para delinear estratégias com vista a fazer face à crise, indica a nota.

A delegação angolana advertiu ainda sobre as consequências da crise, cujo impacto se faz sentir em vários domínios, nomeadamente no sector petrolífero, onde os preços do crude continuam numa trajectória descendente depois do seu máximo histórico de USD 150, registado em Julho de 2008.

“É neste momento que se exige mais coesão entre os parceiros. O desenvolvimento da nossa cooperação deve reflectir as circunstâncias excepcionais em que vivemos, pois se não houver coesão seremos fortemente penalizados”, asseverou a delegação angolana, perante a sessão plenária da conferência que congregou representantes de todos países africanos e do Japão.

Segundo a nota da embaixada, a delegação angolana reafirmou também o desejo do seu governo em continuar a cooperar com todos os parceiros, no âmbito do TICAD, e apelou a todos os participantes para uma maior aceleração na implementação de todos os programas, projectos e acções já preconizados.

“Angola tal como antes, e agora mais do nunca, precisa do TICAD, sobretudo para desenvolver o sector económico não petrolífero”, sublinhou a delegação angolana, que foi chefiada pelo director do Ministério das Relações Exteriores para Ásia e Oceânia, embaixador Joaquim Augusto de Lemos.

A delegação angolana ao evento, que teve como tema principal a discussão sobre o possível impacto da crise financeira e económica global em África, integrou o embaixador de Angola acreditado no Botswana, José Agostinho Neto, bem como o ministro conselheiro, Evaristo Dias da Silva e o adido de Imprensa, Emanuel Catumbela, da referida missão diplomática.

O processo TICAD, criado em 1993 em Tóquio, é uma parceiria entre o governo do Japão e os países africanos.

A quarta conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD IV), realizada em Yokohama, em Maio de 2008, estabeleceu o Plano de Acção de Yokohama e criou o Mecanismo de Seguimento do TICAD.

O referido mecanismo tem como objectivo rever e avaliar a implementação, pelo governo do Japão, dos co-organizadores do TICAD (ONU, PNUD e Banco Mundial), parceiros do desenvolvimento e países africanos, dos vários compromissos detalhados no Plano de Acção de Yokohama para o período 2008-2012.