ISAQUE LOURENÇO

Diante do actual quadro de oportunidades de investimentos, favorecido pelo clima de estabilidade económica, o país deverá continuar a apostar no desenvolvimento de parcerias vantajosas e competitivas, defendeu, em Luanda, a ministra do Comércio, Maria Idalina Valente.

A governante, que falava na abertura do Fórum de Negócios Angola-Bélgica, que decorre de 26 a 29 de Outubro, em Luanda, congratulou-se pelo facto de os países industrializados e aqueles em posição vantajosa no processo de desenvolvimento não ficarem indiferente ao período de retoma económica que se regista em Angola.

“Esperamos que mais do que estabelecer parcerias comerciais, a presente missão possa contribuir de forma acentuada para o crescimento e desenvolvimento da nossa economia”, disse.

Esforços de Angola

Idalina Valente assegurou aos empresários belgas que Angola vai continuar a liderar os esforços de estabilidade quer política, social e até mesmo económica da região.

“Temos consciência da nossa geografia e dos desafios que a mesma nos traz, e, por esta razão, não perderemos de vista o nosso papel internacionalista em África, particularmente nas sub-regiões do centro e sul”, afirmou.

Maria Idalina Valente disse ainda que a crise ajudou o Governo angolano a aprimorar as estratégias traçadas para o quadriénio bem como o reforço das medidas que permitem o relançamento de sectores outrora já expoentes do crescimento, como o da agricultura e da agro-indústria.

Outra medida benéfica e que permitiu ao país um acelerado crescimento, conforme disse a ministra, foram os investimentos em infra-estruturas de comunicação, pois que rapidamente facilitou o desenvolvimento homogéneo e a implementação de novas estratégias.

A ministra disse também ser bastante positivo o volume de trocas entre os dois países, destacando a exportação do petróleo e da madeira, como principais produtos de troca.

“Desde 2004 que registamos uma balança comercial positiva entre os nossos países”, conclui.

Parcerias históricas

Por sua vez, o embaixador do Reino da Bélgica em Angola, Daniel Dargent, disse que o seu país possui relações históricas com Angola, tendo recordado a participação destes na construção do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), que faz do corredor do Lobito um importante vector no desenvolvimento económico e na ligação do país com a região central e austral do continente. Daniel Dargent disse ainda que outra participação de reconhecido mérito do seu país nas relações com Angola tem a ver com o contributo da companhia Petro-Fina, actualmente inserida no grupo Total.

De acordo com o embaixador, a actual estrutura económica da Bélgica, suportada por pequenas e médias empresas são garantias inequívocas da importância que este país poderá representar para a emergente economia angolana.

“Nos últimos vinte anos, a economia da Bélgica evoluiu bastante e através de uma rede de empresas desenvolveu a demanda das exportações”, disse.

Cooperação

Já o Presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angola (CCIA), António dos Santos, afirmou que a presente missão comercial demonstra a intenção da Bélgica e de seus empresários em partilhar os seus avanços com Angola.

António dos Santos lembrou ainda que face ao momento actual, o empresariado angolano pretende parcerias que partilhem o risco dos negócios, criem empregos, apostem na transferência de conhecimentos e tecnologias, conjuguem esforços na mobilização de recursos financeiros, além da responsabilidade social que permite ao país um desenvolvimento equilibrado.

“Contamos com 900 empresas directas e 3.000 indirectas, além das 18 Câmaras de Comércio nas províncias, para o apoio e incremento das actividades comerciais”, recordou.

O presidente da Câmara Bélgica-Luxemburgo/África, Caraíbas e Pacífico (CBL-ACP), Michel Van der Voort, instituição que organiza a missão, recordou que a delegação belga é composta por 33 empresas que representam diversos sectores da economia deste país, todas com a intenção de estabelecerem parcerias vantajosas com as empresas nacionais.

Disse ainda que das empresas presentes neste fórum contam-se as do sector da construção de máquinas e engenharia, engenharia e tecnologias, serviços de aviação, promoção de intercâmbios comerciais, serviços financeiros e de seguros, com fortes referências para a Alm Industry, a Appro-Techno; a BEM, B.K. Architectes Belgium, a Sotrad, que, conforme opinião da CBL, estão presentes em Luanda para participarem directamente neste novo clima de negócios e investimentos que oferece a economia angolana.

A Bélgica era, até 2008, de acordo com dados da ANIP, o quarto maior destino dos produtos angolanos, concentrando cerca de 8,8%, atrás dos EUA, China e França.