ADÉRITO VELOSO

Angola e o Reino da Espanha estão empenhados em estreitar cada vez mais as suas relações comerciais e projectar esse relacionamento em sectores que dinamizam a economia angolana. É neste contexto que esteve de visita a Angola a secretária de Estado de Comércio de Espanha, Sílvia Iranzo, que, durante dois dias, conferenciou com altos dirigentes angolanos ligados ao aparelho económico do país, destacando-se os ministros da Economia, Manuel Júnior, das Finanças, Severim de Morais, do Comércio, Maria Idalina Valente, para além do coordenador da Comissão de Reestruturação da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), Aguinaldo Jaime.

Durante os encontros foram passados em revista vários acordos de cooperação bilateral. No encontro que Sílvia Iranzo manteve com o ministro angolano das Finanças, Severim de Morais, o governo espanhol anunciou a abertura de uma linha de crédito a Angola no valor de 500 milhões de euros, dinheiro destinado ao seguro de crédito de exportação e que será gerido pela Companhia Espanhola de Seguro de Crédito à Exportação (CESCE).

A linha de crédito está incluída no Memorando de entendimento subscrito entre dos dois Ministérios em 2007, que estabeleceu um programa de cooperação financeira que inclui também facilidades concessionais. Este montante visa igualmente fortalecer os laços de cooperação económica, assim como contribuir para o financiamento de projectos de interesse comum.

À saída do encontro que manteve com o ministro angolano das Finanças, a secretária de Estado de Comércio de Espanha disse aos jornalistas em conferência de imprensa que a sua viagem a Angola teve como pano de fundo o estreitamento e reforço das relações económicas e comerciais entre Angola e Espanha.

“Estas relações estão a ser marcadas por um excelente momento, não só no domínio político, já que a Espanha é um país que esteve sempre ao lado de Angola, é amiga de Angola há várias décadas. Sempre apoiamos o Governo angolano. Queremos apoiar o Governo angolano criando valores a longo prazo, queremos apoiar as empresas nos programas financeiros de modo a fazer uma integração cada vez melhor no plano internacional”, destacou.

Avanços

Espanha faz parte do Clube de Paris, daí ter sido um dos primeiros países a assinar o acordo celebrado entre Angola e o Clube de Paris. Aquele pacto permitiu a Angola o relançamento da economia e do comércio com o resto do mundo.

“Queremos reconhecer o comportamento exemplar de Angola no cumprimento destes acordos com o Clube de Paris, e a Espanha é o primeiro país que assinou um programa financeiro para Angola”, disse.

O acordo que o Governo angolano pretende celebrar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) nos próximos tempos já obteve luz verde do Reino da Espanha. Segundo Sílvia Iranzo, a Espanha não tem dúvidas de que o acordo que o Governo angolano pretende celebrar nos próximos tempos com o FMI contribuirá na arquitectura financeira estável a nível internacional.

“Tanto Angola como a Espanha estamos a sofrer as consequências da crise económica e financeira internacional. O acordo que Angola pretende celebrar com o FMI irá permitir a arquitectura financeira internacional. Apoiaremos com todos os instrumentos possíveis no campo financeiro”, defendeu.

A Espanha vai presidir a União Europeia no próximo semestre, e esta função para além da importância política também tem um pendor económico. Angola precisa de estar presente no centro das atenções dos países europeus e não só. Sílvia Iranzo informou que o seu governo vai apoiar em tudo que for possível.

O Governo espanhol está satisfeito com o desempenho económico que o Governo angolano tem vindo a regista nos últimos anos, consubstanciado numa taxa de crescimento de 2 dígitos.

Interesse

No seu pronunciamento, a governante espanhola sublinhou que o mercado fértil angolano continua a motivar os investidores espanhóis a apostarem nas diversas áreas da economia. A Espanha já tem instalado em Angola várias empresas a desenvolverem os seus negócios nos sectores da agricultura, construção civil, energia eléctrica, pescas e transporte.

Como prioridade, o Governo espanhol pretende incentivar o empresariado do seu país a apostar em outros sectores que impulsionem rapidamente a diversificação da economia angolana.

“As empresas espanholas estão interessadas no sector da agricultura, construção civil, temos empresas no sector energético e em particular no sector eléctrico, temos empresas no sector têxtil, no ramo alimentar. Queremos aumentar a nossa presença nos sectores tais como transportes (maquinaria de todo o tipo), infra-estruturas, energia e meio ambiente”, frisou a secretária de Estado de Comércio de Espanha.

Por outro lado, Sílvia Iranzo revelou que as empresas de Espanha vão continuar a desenvolver os seus negócios em Angola, através de parcerias saudáveis, facilitando assim as transacções comerciais entre os dois países.

“Queremos que estes acordos aumentem a cada dia em que as empresas espanholas vierem a Angola criar empregos estáveis, de modo a ajudar no avanço económico do país, bem como disseminar conhecimentos tecnológicos nos vários sectores”, augurou.

Ligação aérea

Dado o fluxo de negócios entre os dois países, existe a intenção de se abrir uma rota aérea para facilitar o intercâmbio entre os dois países. Para isso, já estão na forja conversações entre as duas companhias aéreas nacionais.

Sílvia Iranzo salientou existir um interesse recíproco para a abertura de uma rota que ligará as duas capitais, devido à exigência da demanda.

“Existem muitas pessoas que pretendem viajar de Madrid para Luanda e vice-versa, de uma maneira mais confortável. As conversações estão a seguir os seus trâmites de modo a se fazer a ligação entre as duas capitais. Há conversações directas entre as duas companhias e as autoridades. Não há ainda nada decidido, mas esperamos que estas conversações prossigam de forma a se efectivar este acordo”, sublinhou.

Ratificação

No encontro que manteve com o coordenador da Comissão de Reestruturação da ANIP, Aguinaldo Jaime, a secretária de Estado para o Comércio de Espanha, Sílvia Iranzo, anunciou a intenção do seu país de querer ratificar o Acordo de Protecção Recíproca de Investimentos com Angola, visando fundamentalmente dar maior segurança ao investidor. Por seu lado, Aguinaldo Jaime, anotou a inquietação e prometeu levar à consideração do executivo angolano esta preocupação, já que ajudará no maior fluxo de investimentos.

Sílvia Iranzo já exerceu vários funções no aparelho governativo de Espanha, em que se destaca o de directora do Registo de Investimentos Exteriores no Ministério de Economia e Finanças, bem como também já exerceu o cargo de directora do Serviço de Risco no Banco de Espanha.

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