Dezasseis anos após a normalização das relações diplomáticas entre Angola e Estados Unidos, os passos de cooperação bilateral dos dois países estão cada vez mais largos, sobretudo na área comercial.

A última iniciativa para intensificar o comércio entre os dois países foi a aprovação pelo Conselho de Administração do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos da América, em Março passado, de uma linha de crédito avaliada em USD 120 milhões para apoiar os empresários angolanos interessados em adquirir bens e serviços do mercado norte-americano.

Números crescem

De acordo com dados oficiais do governo dos Estados Unidos, fornecidos pela Câmara de Comércio EUA-Angola (CCEA), desde que Luanda e Washington normalizaram as suas relações diplomáticas, em 1993, as exportações angolanas para o mercado americano passaram de USD 2 mil milhões, fundamentalmente em crude e derivados de petróleo, para USD 18,9 mil milhões em 2008. De 2007 para 2008, as exportações nacionais para os EUA cresceram de USD 12,5 mil milhões para USD 18,9 mil milhões, o que representa um aumento de cerca de 51 porcento.

Do lado dos Estados Unidos, as suas importações em 2007 foram avaliadas em USD 1,3 mil milhões, tendo aumentado para USD 2,1 mil milhões no ano seguinte. Esta tendência de evolução nas relações comerciais entre os dois países iniciou-se em meados da década de 80 do século passado, mas com alguns desequilíbrios na balança comercial. Ou seja, as importações americanas não têm acompanhado o ritmo de crescimento das exportações angolanas para o mercado americano.

Em 1985 as importações dos Estados Unidos foram avaliadas em USD 136,9 milhões, ao passo que as exportações de Angola foram calculadas em mais de USD mil milhões. Mas, nos anos que se seguiram à conquista da paz, em 2002, as importações deste país começaram a registar aumentos. De 1985 a 2006, por exemplo, as importações subiram de USD 136,9 milhões para USD 1,5 mil milhões, contra os USD 11,7 mil milhões de exportações angolanas.

“Isto significa que o nosso país faz mais exportação do que importação”, afirma Francisco da Cruz, membro da Câmara de Comércio Angola Estados Unidos.

“À medida que a nossa economia vai ganhando uma nova dinâmica e se diversifica, este quadro vai se alterar, mas de forma favorável sobretudo para Angola”.

Acordo comercial

O ministro angolano das Relações Exteriores, Assunção dos Anjos, realizou em Maio passado uma visita oficial a Washington com o propósito de estreitar as relações comerciais entre os dois países. Durante a sua estadia nos EUA, Assunção dos Anjos manteve encontros com o representante do Comércio dos Estados Unidos, Ronald Kirk, com quem assinou um Acordo de Comércio e Investimento (designado TIFA, na sigla em inglês). Este acordo visa criar um fórum comum para abordar e fortalecer as relações comerciais e de investimentos entre os dois signatários.

Durante a sua visita a Washington, o ministro angolano encontrou-se também com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, com quem discutiu vários assuntos relacionados com a cooperação bilateral.

Missão empresarial

A viagem do ministro angolano das Relações Exteriores foi antecipada por um périplo que o embaixador dos Estados Unidos em Angola, Dan Mozena, efectuou ao interior do seu país, no último mês de Abril, junto das comunidades americanas de negócios. Segundo o embaixador, o périplo teve como objectivo “dar a conhecer as oportunidades de comércio e investimento em Angola”.

Como resultado deste esforço, em finais de Abril, uma missão empresarial constituída representantes de vários sectores da economia americana realizou uma visita de trabalho de cinco dias a Angola. Nessa altura, a Câmara de Comércio Estados Unidos Angola (CCEA) organizou em Luanda um simpósio subordinado ao tema “Desafios e Oportunidades para a Diversificação da Economia de Angola”, para além de encontros oficiais com o ministro da Economia, Manuel Nunes Júnior, e com o vice-ministro da Indústria, Kiala Gabriel, e o presidente da Agência de Investimento Privado (ANIP), Aguinaldo Jaime.

As autoridades angolanas afirmam que essas iniciativas contribuíram para o actual clima de estreitamento das relações comerciais entre Angola e os EUA, ao mesmo tempo que abriram novas perspectivas para o desenvolvimento económico de Angola.