Franchise, ou franquia, na forma aportuguesada, é uma palavra que está cada vez mais a fazer parte do vocabulário de empresários de países emergentes e em desenvolvimento. Depois de se tornar um sistema de negócio bem estabelecida nos Estados Unidos, Europa e outras nações periféricas, o modelo de franchising parte para locais onde as maiores marcas do mundo ainda não conseguiram entrar, como Angola.

Mas no que consiste, de facto, o franchising? Em termos práticos, pode-se definir este modelo de negócio como a compra dos direitos de uso sobre uma marca por parte de um empresário, interessado em abrir o próprio estabelecimento, mas sem expor-se ao risco de iniciar uma marca nova e desconhecida do público. O interessado, então, associa-se a uma empresa já estabelecida e paga um valor para ter uma filial sob seu comando, e torna-se um franchiser, ou franqueado.

A empresa-franquia oferece ao franqueado a marca, infra-estrutura, e treinamento, e recebe, por sua vez, o pagamento de uma taxa mensal de franqueamento, fixa ou em percentagem sobre as vendas, a depender do contrato, além de um valor inicial pela adesão à cadeia.

“Para o franqueado, a principal vantagem é a facilidade de acesso à informação. A empresa fornece desde planeamento de contabilidade até treinamento de funcionários e instruções para recrutamento. Além disso, o empresário tem facilidades para obtenção de linhas de crédito, já que menos de 1% das franquias fecham as portas depois de um ano”, afirma o director executivo da Associação Brasileira de Franquias, Ricardo Camargo.

“Em relação a uma marca própria, o empresário que investe em franquia tem as vantagens financeiras de comprar produtos a preços vantajosos, já que os materiais são vendidos em larga escala, para todas as unidades. O investimento em marketing também é menos oneroso, uma vez que a marca em questão já está estabelecida e os sócios compartilham o gasto”, acrescenta. “Em relação a uma loja própria, a performance financeira da franquia é de 20 a 30 porcento superior”.

Ainda segundo o dirigente, uma empresa que abre um regime de franquia é a principal vantagem é diminuição de custos, que passam a ser compartilhados, o fortalecimento da marca, que se expande, e o know-how do associado, que conhece em mais detalhes o local onde quer implantar a franquia e o público-alvo específico. Em alguns casos específicos, a própria marca original pode tornar-se sócia do empresário franqueado.

Angola

Em Angola, devido ao pouco tempo passado desde o fim da guerra, em 2002, e aos altos custos de implantação de empresas, poucos empresários conseguiram trazer marcas estrangeiras para o país. As maiores empresas de franquia do mundo, como as redes de fast-food McDonald’s e Subway, ou as escolas Kumon.

Com a ausência destes grandes conglomerados, devido aos laços culturais empresas de Portugal e sobretudo do Brasil têm preenchido este sector ainda pouco explorado. “Temos no momento 17 empresas brasileiras a operar em Angola pelo regime de franquia, como a Livraria Nobel, Sapataria do Futuro, Werner's, Mundo Verde e Pastelândia. Vamos estar na próxima edição da Filda com um stand, numa missão que deve também viajar a Moçambique em seguida. Nossa meta é que pelo menos 25 marcas brasileiras estejam presentes em Angola até ao fim do ano”, afirma o director executivo da ABF, Ricardo Camargo.

O dirigente acredita que essa meta será atingida devido às vantagens que o mercado angolano oferece: “O retorno de uma franquia no Brasil, em média, chega a 36 meses, mas em mercados como o de Angola, pode ser acelerado para um período entre 18 e 24 meses”. Ricardo Camargo acredita que os melhores sectores para a abertura de franquias em Angola são os de Moda, como vestuário e calçados, Beleza & Saúde, e Educação.

Mais detalhes sobre a notícia na edição imprensa do Jornal de Economia & Finanças desta semana, já em circulação