Isaque Lourenço

A inexistência de um seguro agrícola que protege o crédito a este segmento da produção alimentar, face à sua alta exposição ao risco, não inibe o Banco Internacional de Crédito (BIC) em continuar a apostar neste sector estratégico para criação de riqueza, postos de trabalho e redução da dependência externa.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da instituição, Fernando Teles, o banco disponibilizou, até ao momento, mais de USD 100 milhões, no apoio a empresários, agricultores, pequenos produtores e criadores, em todo o país.

Segundo o gestor, o BIC não possui crédito mal parado nem tenciona abrandar o seu apoio a este sector da produção nacional.

“Não temos créditos mal parados na agricultura, pois este é um sector muito rentável. O que precisamos, enquanto banco, é de técnicos especializados nas nossas instituições para acompanharem este segmento e foi o que fizemos no BIC”, garante o gestor, tendo acrescentado que desta aposta se deve o facto de o BIC ser muito bem sucedidos na sua incursão pelo agro-negócio.

Fernando Teles julga necessária a criação do seguro agrícola, tal como existem o seguro automóvel e outros tipos de seguros. Porém, não considera a ausência deste instrumento como razão suficiente para que se deixe de investir na agricultura.

Conforme adianta, o país precisa diversificar a sua economia, além de reduzir a sua dependência externa na produção de alimentos. Logo, face ao enorme potencial hidrográfico, através da existência de muitos rios, de solos aráveis e de uma população muito dedicada ao trabalho, abrem-se muito boas perspectivas para todos os que pretendem investir neste sector.

O gestor bancário lembra que da mesma forma que na América latina e mesmo nos Estados Unidos, Angola precisa de continuar a sua aposta no sector da agricultura e da pecuária, visando o alcance da auto-suficiência e a passagem de importador para exportador de alimentos.

Ele defende que o país precisa que mais empresas e pessoas invistam no agro-negócio, para que, por meio deste, também se importem mais fábricas, o que resultaria na criação de mais postos de trabalho directo, um nobre desafio das novas sociedades.

Novidade

O bancário recordou que, no seu quarto ano consecutivo de participação na Feira Internacional de Luanda (FILDA), o BIC, conjugando a sua perspectiva de negócios com os esforços do Governo e outros sectores da economia, apostou na criação do BIC agro-pecuária, um produto lançado durante a realização da FILDA-2009, em que o banco compra fazendas, estejam estas paradas ou em exploração, e, através delas fomentar a produção por um lado e, por outro, demonstrar a outras instituições e empresários que é rentável a aposta neste negócio.

Esta aposta, segundo ele, além de diversificar a gama de produtos e serviços disponíveis no banco, aumenta também significativamente a produção nacional.

Fernando Teles anunciou ainda que o BIC vai continuar a financiar todos os projectos viáveis no sector da agricultura e da pecuária. Segundo ele, é este um estímulo “àquelas pessoas que todos os dias acordam muito cedo na intenção de trabalhar a terra e dela augurar o seu sustento e rendimento”.

Leia mais sobre o assunto no Jornal de Economia & Finanças desta semana, que já está nas ruas.