ISAQUE LOURENÇO

O Banco Africano de Investimento (BAI) foi, pelo segundo ano consecutivo, distinguido pela revista “The Banker”, do grupo Financial Times, como o banco do ano 2009 em Angola.

A publicação destaca, entre as razões da atribuição da distinção, o crescimento sustentado do banco, medido por dimensão dos activos, consistência dos fundos próprios e rentabilidade dos seus capitais, num ano em que se adivinhava o impacto da crise financeira na economia angolana.

Um outro indicador que também pesou na atribuição do prémio, pelo segundo ano consecutivo, foi a capacidade estratégica da instituição que lhe permitiu manter-se na lista dos 20 maiores bancos africanos por activos líquidos, onde ocupa a décima terceira posição, sendo, para este caso, o único banco de capital angolano a figurar neste ranging.

De acordo com o presidente da Comissão Executiva do banco, José Massano, foi a força do modelo de negócio, baseado na orientação para as necessidades específicas do mercado nacional, que permitiu atingir uma base alargada de clientes com soluções financeiras de poupanças, investimentos e créditos capazes de apoiar as realizações individuais.

José Massano disse ainda que o banco tem apostado na preservação dos activos sob sua gestão, de forma a assegurar o retorno dos capitais investidos nos diferentes financiamentos que assumem com os parceiros sociais.

“O prémio é também um reconhecimento ao contributo prestado pelo banco no desenvolvimento do sistema financeiro angolano”, disse.

José Massano disse recentemente que a sua instituição continua a conceder créditos, embora tenha introduzido maior rigor nas análises preliminares a este processo, a fim de garantir que não existam créditos em mora, numa altura em que os efeitos da crise parecem afectar a confiança do mercado. Segundo ele, cabe às instituições bancárias a responsabilidade pela manutenção funcional do sistema financeiro nacional, bem como de assegurarem a continuidade do processo de desenvolvimento económico do país.

Internacionalização

Em 2000, o BAI iniciou o seu processo de internacionalização, com a inauguração da sua representação em Portugal, designada BAI Europa. Em Novembro do ano passado, inaugurou o BAI Cabo-Verde. Tem parcerias com bancos em São Tomé e Príncipe, e Brasil. Ainda este ano, prevê abrir uma representação na África do Sul.

O bancário disse acreditar que a entrada do banco na África do Sul, além de enquadrado no seu projecto de expansão orgânica, também lhe permitirá negociar na maior economia do continente. José Massano esclareceu que as negociações junto das autoridades sul-africanas para tal intenção estão bem encaminhadas.

Financiamento e aquisições

Até ao primeiro semestre do presente ano, o banco registava um crescimento da sua carteira de créditos aos clientes na ordem dos 110%, passando de USD 835 milhões para 1,7 mil milhões, enquanto que a carteira de depósitos crescera 77%, com uma subida de USD 2,8 mil milhões para USD 5 mil milhões. Já o seu resultado líquido registou o aumento de USD 78 mil milhões para USD 166 mil milhões, correspondendo a um crescimento de 115%.

Não menos importante, nesta estratégia de crescimento do banco, foi a aquisição do Novo Banco, que, a partir deste ano, passou a designar-se BAI Micro-finanças, conservando assim a especialização em créditos às pequenas e médias empresas (PME), principal objecto da instituição, através do reforço da sua presença e intervenção. Ainda neste âmbito, o banco abriu uma linha de financiamento às empresas do sul do país estimada em USD 150 milhões, quando já contava com USD 175 milhões como carteira de crédito concedidos as PME.

Actualmente, o banco está presente nas dezoito províncias do país, conta já com cerca de 61 balcões, que empregam mais de 1.101 trabalhadores. Ao longo deste ano, inaugurou agências nas províncias do Bié, Uíge, Benguela e Luanda, a fim de continuar com a sua política de inclusão bancária da população, por meio de serviços de proximidade.