PEDRO PETERSON

O Banco Millennium Angola registou no exercício económico de 2009 um resultado líquido de 1 bilião e 589 milhões e 825 mil kwanzas, contra 433 milhões e 14 mil kwanzas, o que representou uma variação de 267 por cento, valores que correspondem em dólares, a 20 milhões e 129 mil, e cinco milhões e 771 mil, respectivamente.

Segundo o presidente da comissão executiva do banco, José Reino da Costa, citado pelo relatório financeiro publicado pela instituição, este desempenho resulta da evolução positiva do produto bancário que cresceu de 2.716.244 milhões de kwanzas, em 2008, para 6.532.475 em 2009, numa variação de 140 por cento.

O destaque vai ainda para o aumento de 240 por cento e 101 por cento dos resultados provenientes de operações financeiras e da margem financeira, respectivamente.

Segundo o relatório, o número de clientes activos do banco subiu 101 por cento face ao ano anterior e os recursos totais dos clientes e do crédito, expressos em dólares, cresceram, respectivamente, em 59 e 50 por cento.

Quanto à rendibilidade dos capitais próprios, esta foi de 13 por cento e o cost-to-income (rácio dos custos de estruturas) em percentagem do produto bancário teve uma evolução muito positiva, tendo passado de 71,5 para 62,2 por cento.

Para José Reino da Costa, dos acontecimentos mais marcantes no ano de 2009 o destaque recaiu para a entrada da Sonangol no capital social do Banco Millennium com 31,5 por cento e do Banco Privado Atlântico (BPA) com 15,8, detendo o Banco Comercial Português uma percentagem de 52,7, aumentando assim o capital do banco para 106 milhões de dólares.

Estrutura da rede

Até o final de 2009, o Banco Millennium Angola detinha um activo total de 1.070.771 milhares de dólares, que representa um crescimento de 66 por cento face a 2008. O número de clientes activos e de colaboradores aumentou, respectivamente, de 101 por cento em 2009 contra 60 por cento registados em 2008.Em Dezembro de 2009, os terminais de pagamento automático (TPA) activos no sistema financeiro nacional totalizaram 3.613 operações, e, no final do mesmo ano, a quota de mercado do Banco Millennium Angola atingia 6,6 por cento, que se traduz já numa competitiva quinta posição em termos de raking.

Quanto ao número de balcões, até o final do ano estavam registados 23, sendo 16 em Luanda, e outros sete nas províncias do interior, o que representou um crescimento de 44 por cento, tendo aumentado igualmente em simultâneo o numero médio de colaboradores por balcão de 19 para 20.

Neste ano, o número de ATM quase que duplicou para 31. Aliás, é de se destacar ainda o crescimento de 141 por cento do número de cartões de activos do Banco Millennium, para um total de 36.997 cartões.

Recurso ao Crédito

O desempenho do Banco Millennium Angola se mantém muito acima da média do mercado, com um crescimento anual médio dos recursos de clientes, entre 2006 e 2009 na ordem dos 73 por cento, face à média de cerca de 60 por cento do sector no mesmo período, em que alcançou uma quota de mercado de 2,1 por cento.

O crédito concedido a clientes registou uma evolução média anual, entre 2006 e 2009 na ordem de 84 por cento, acima da média de 68 por cento, registada neste intervalo, entre os 19 bancos a operar em Angola. Assim, a quota do mercado foi de 3,1 por cento em 2009 e o rácio de transformação de recursos em crédito do banco situou-se na ordem dos 74 por cento no ano de 2009.

No que tange à carteira de títulos de dívida pública, esta ascendeu para cerca de 300 milhões de dólares, representando aproximadamente cerca de 28 por cento do total do activo.

Perspectivas

Para o próximo ano, as prioridades estratégicas do Banco Millennium Angola passam essencialmente pelo desenvolvimento de negócio e pelo maior esforço na execução do plano de expansão para continuar robustecer o banco em matéria de tecnologias, de sistema de informação, bem como pela aposta em planos de recrutamento e formação.

Consta ainda do programa para o presente exercício económico a implementação de processos de acompanhamento e controlo de risco, alinhado com melhores práticas do grupo, o que constituirá, também, um factor crítico para o desenvolvimento sustentado do BMA.

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